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Cães de vida livre alteram comportamento de onças no interior de SP

Estudo mostra que o predador gasta em média 74 horas para retornar a um local após a passagem de cães domésticos

Cães de vida livre alteram comportamento de onças no interior de SP
Por Equipe Cães&Gatos
25 de julho de 2026

A presença de cães domésticos em Unidades de Conservação está provocando mudanças no comportamento das onças-pardas (Puma concolor) no interior de São Paulo.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Unesp e publicado na revista Biological Conservation revelou que o maior predador terrestre da região reorganiza seus deslocamentos para evitar o contato com os caninos.

Entenda o impacto da “paisagem do medo”

A pesquisa utilizou armadilhas fotográficas na Estação Ecológica de Santa Bárbara e na Floresta Estadual de Águas de Santa Bárbara. Os dados mostraram que, após a passagem de um cão, a onça-parda demora, em média, 74 horas para voltar ao mesmo ponto e só retoma o uso rotineiro do local após cinco ou seis dias.

Esse padrão de esquiva está associado ao conceito de “paisagem do medo”, quando a simples percepção de um risco faz o animal alterar suas rotas e horários de caça, mesmo sem confrontos diretos. Segundo os pesquisadores, as onças tendem a associar os cães à presença humana ou ao risco de matilhas, optando por se afastar.

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Dupla de onças-pardas registradas por armadilha fotográfica em unidade de conservação durante o estudo (Foto: Rodolpho Gonçalves da Silva)

A importância do manejo e da posse responsável

Os animais registrados não são abandonados, mas sim cães rurais de vida livre que possuem responsáveis no entorno das reservas, mas transitam sem supervisão.

Para proteger a fauna nativa e a saúde pública, os autores do estudo defendem ações integradas nas comunidades rurais, como programas de castração, vacinação, microchipagem e incentivo à posse responsável.

Fonte: Jornal da Unesp, adaptado pela equipe Cães&Gatos.