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Esporotricose avança em São Paulo e acende alerta para a saúde pública

Zoonose cresce no estado, afeta principalmente gatos e reforça a importância da vigilância, do diagnóstico precoce e da responsabilidade dos tutores

Esporotricose avança em São Paulo e acende alerta para a saúde pública
Por Equipe Cães&Gatos
19 de dezembro de 2025

O avanço da esporotricose em São Paulo tem preocupado autoridades sanitárias e profissionais da área veterinária. 

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) emitiu uma nota técnica alertando para a expansão da zoonose, causada por fungos do gênero Sporothrix, que já impacta de forma significativa a saúde animal e humana. 

Os gatos são os mais afetados e ocupam um papel central na cadeia de transmissão, o que transforma a doença em um dos principais desafios sanitários urbanos do país.

Até 2010, os registros de esporotricose animal no estado eram pontuais. A partir de 2011, os casos começaram a crescer de maneira expressiva, com o primeiro grande surto identificado na Zona Leste da capital paulista. 

Desde então, a doença se espalhou para outros municípios da Região Metropolitana e do litoral, evidenciando um processo contínuo de expansão territorial.

Dados recentes reforçam o cenário de alerta. Entre 2022 e 2023, o número de casos confirmados de esporotricose animal em São Paulo passou de 2.417 para 3.309. 

Apesar desse crescimento, a notificação da doença em animais ainda não é obrigatória na maior parte do estado, o que dificulta dimensionar a real extensão do problema e estruturar estratégias mais eficazes de controle.

Nos humanos, a situação também inspira atenção. Os registros da doença vêm aumentando de forma contínua desde 2011, especialmente em regiões metropolitanas. 

Diante desse avanço, a esporotricose humana passou a integrar, a partir de 2025, a Lista Nacional de Doenças de Notificação Compulsória, com registro obrigatório no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Como ocorre a transmissão

Segundo a coordenadora técnica médica-veterinária do CRMV-SP, Carla Maria Figueiredo de Carvalho, os gatos desempenham papel central na disseminação da doença devido à alta concentração do fungo em lesões cutâneas, garras e cavidades oral e nasal. 

“Eles contraem a doença por inoculação traumática, seja pelo contato com solo contaminado, espinhos ou matéria orgânica, seja pelo contato direto com outros animais doentes, principalmente durante brigas, arranhões e mordeduras”, explica.

Gatos com acesso irrestrito às ruas apresentam maior risco de infecção e transmissão, especialmente animais não castrados, não domiciliados ou em situação de abandono. 

Machos tendem a ser mais vulneráveis por apresentarem comportamento territorialista e maior propensão a conflitos.

Sintomas em humanos exigem atenção

Nos humanos, os sintomas da esporotricose podem surgir poucos dias após a infecção ou levar até três meses para se manifestar. 

Geralmente, a doença começa com um pequeno nódulo indolor que pode evoluir para feridas abertas. 

“As formas clínicas dependem do estado imunológico do paciente e da profundidade das lesões, podendo ser cutâneas ou extracutâneas, com acometimento de pulmões, ossos e articulações”, detalha Carla Maria.

A recomendação é procurar atendimento médico ao perceber feridas que não cicatrizam, especialmente quando há histórico de contato com animais doentes ou com solo e material orgânico possivelmente contaminados. 

“O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para evitar a progressão da doença”, reforça a veterinária.

Medidas de controle e enfrentamento

O controle da esporotricose exige ações integradas entre poder público e sociedade. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado de animais e pessoas são considerados pilares essenciais para reduzir a gravidade dos casos e conter a disseminação do fungo.

Outra medida fundamental é o isolamento de animais doentes. “Evitar o contato com outros animais e com seres humanos reduz significativamente o risco de transmissão”, explica o diretor técnico do CRMV-SP, Leonardo Burlini. 

Ele também destaca a importância da orientação aos tutores, sobretudo para evitar o abandono de animais infectados.

As ações de vigilância devem seguir as diretrizes do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais e municipais, com atuação das Unidades de Vigilância em Zoonoses (UVZs). 

Gatos com sinais suspeitos devem ser avaliados por médico-veterinário e, sempre que possível, submetidos a exames laboratoriais. 

Em situações excepcionais, como quadros graves sem resposta ao tratamento, a eutanásia pode ser indicada, desde que respeitadas as normas éticas e legais.

Desde 2025, todos os casos de esporotricose humana devem ser obrigatoriamente notificados às autoridades de saúde. Em São Paulo, alguns municípios também exigem a notificação de casos confirmados em animais. 

Embora a esporotricose animal ainda não seja de notificação obrigatória em nível nacional, o Ministério da Saúde recomenda que esses casos também sejam comunicados, como estratégia para fortalecer a vigilância e o controle da doença.

Fonte: CRMV-SP, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre esporotricose em São Paulo

O que é a esporotricose e por que ela preocupa?

É uma zoonose causada por fungos que afeta principalmente os gatos e pode ser transmitida aos humanos, representando risco à saúde pública.

Por que os gatos são os principais transmissores?

Eles concentram grande quantidade do fungo em lesões, garras e secreções, além de se infectarem com facilidade em brigas e no ambiente.

Como prevenir a doença em pets e pessoas?

Manter os gatos domiciliados, buscar atendimento veterinário ao primeiro sinal suspeito e evitar o contato com animais doentes são medidas essenciais.

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