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Estudo detecta em cães e gatos protozoário comum na cavidade oral humana

Pesquisa conduzida na Polônia identificou a presença de microrganismos zoonóticos na boca de animais de companhia, associando maior incidência ao envelhecimento e ao acúmulo de cálculo dentário em cães

Estudo detecta em cães e gatos protozoário comum na cavidade oral humana
Por Equipe Cães&Gatos
4 de novembro de 2026

Uma investigação conduzida por pesquisadores na Polônia revelou a presença de protozoários na cavidade oral de cães e gatos, identificando entre as amostras a espécie Trichomonas tenax, comumente encontrada na boca humana e com potencial zoonótico.

Nos cães, a ocorrência dos microrganismos apresentou correlação direta com o avanço da idade e com o grau de acúmulo de cálculo dentário (tártaro).

O levantamento analisou amostras orais de 238 animais de companhia (151 cães e 87 gatos) colhidas entre junho de 2024 e dezembro de 2025 durante procedimentos de rotina em clínicas veterinárias de diversas regiões polonesas.

Os resultados apontaram tricomonas em 17,22% dos cães e em 5,75% dos gatos avaliados, demonstrando prevalência significativamente superior na espécie canina.

Diante do estreito contato entre responsáveis e animais domésticos, os autores do estudo alertam que a presença desses protozoários, ainda pouco documentados na rotina clínica veterinária, amplia a necessidade de vigilância sob a ótica da Saúde Única (One Health).

Relação com tártaro e idade em cães

Entre os cães, a taxa de colonização pelos protozoários aumentou progressivamente conforme a faixa etária. O parasita foi encontrado em 8,69% dos animais com até quatro anos de idade; o índice subiu para 20,51% na faixa entre cinco e oito anos e alcançou 28,57% nos indivíduos com mais de nove anos.

A associação mostrou-se ainda mais expressiva em relação ao quadro periodontal. Enquanto apenas 7,58% dos cães sem cálculo ou com depósitos em até um quarto da superfície dental testaram positivo, a prevalência saltou para 36,17% naqueles que apresentavam tártaro em mais da metade dos dentes.

Entre os felinos analisados, não houve diferenças estatisticamente relevantes ligadas à idade, ao ambiente ou ao estado de higiene dental.

Os pesquisadores sugerem que o acúmulo de placa e cálculo bacteriano promove alterações no microambiente da cavidade oral, tais como variações de pH e surgimento de microzonas anaeróbias (com baixa oxigenação), favorecendo a fixação dos microrganismos.

Contudo, o trabalho ressalta que ainda não é possível definir se o protozoário atua ativamente na progressão da doença periodontal ou se apenas se estabelece de forma oportunista em bocas com higiene deficiente.

boca de cães
Acúmulo de tártaro e idade avançada favorecem presença de protozoários na boca de cães (Reprodução)

Identificação molecular e hipótese de transmissão

O sequenciamento genético revelou a circulação de duas espécies distintas: Trichomonas brixi e Trichomonas tenax. Nos cães positivos, houve predomínio de T. brixi (65,2% das amostras sequenciadas), espécie descrita recentemente e reportada pela primeira vez em pets no território polonês.

Por outro lado, nos gatos predominou a espécie T. tenax, identificada em quatro das cinco amostras felinas positivas.

Como todos os gatos positivos viviam exclusivamente em ambientes internos (indoor), os cientistas levantaram a hipótese de que o contato íntimo com humanos possa representar a fonte da infecção, embora a confirmação direta dessa cadeia dependa de novas investigações envolvendo responsáveis e contactantes.

Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães&Gatos.