Uma pesquisa pioneira conduzida nos Estados Unidos identificou a presença de partículas contaminantes nos tecidos reprodutivos de 71% de um grupo de 100 felinos analisados.
O levantamento reuniu amostras coletadas durante procedimentos cirúrgicos de rotina (castrações e ovariohisterectomias), dividindo os animais entre machos e fêmeas, tanto domésticos quanto ferais.
No total, os cientistas contabilizaram 220 partículas contaminantes nos órgãos reprodutivos (útero, ovários e testículos). Do material identificado, 25% correspondia a microplásticos propriamente ditos, 54% a partículas antropogênicas não plásticas (como resíduos têxteis artificiais) e 21% a fibras de celulose.
Felinos de interior e órgãos femininos apresentaram maior contaminação
Os resultados do levantamento revelaram diferenças marcantes conforme o ambiente de convívio e o sexo dos animais:
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Domésticos x Ferais: Gatos criados exclusivamente em ambientes internos (indoor) apresentaram uma incidência significativamente maior de partículas nos tecidos do que os felinos com acesso à rua ou ferais.
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Fêmeas x Machos: A contaminação foi registrada em 100% dos úteros e ovários das fêmeas domésticas e em 80% das ferais. Nos machos, a presença foi de 68% nos testículos dos gatos domésticos e de 36% nos ferais.
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Idade: Nos felinos domésticos, a probabilidade de acúmulo de partículas nos testículos aumentou de forma proporcional à idade do animal.

Contaminação do ar, rações e brinquedos estão entre as prováveis fontes
Todas as partículas de plástico validadas pelo estudo eram fibras sintéticas transparente, pretas, rosas ou azuis. O polímero mais abundante foi o PET (polietileno tereftalato), material amplamente empregado na confecção de embalagens de alimentos e na indústria têxtil.
Os autores explicam que o PET já foi detectado anteriormente em amostras de alimentos secos e úmidos para pets. Além disso, a alta concentração de microplásticos suspensos no ar de ambientes fechados sugere que a inalação poeira doméstica seja uma via crucial de exposição. A mastigação de brinquedos plásticos também é apontada como fator provável a ser investigado.
A equipe responsável pelo trabalho ressalta que novos estudos são indispensáveis para avaliar os reais impactos reprodutivos, hormonais e sistêmicos da presença desses poluentes na saúde felina.
Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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