Os alimentos para cães e gatos são formulados a partir de diferentes compostos para que consigam atingir o nível de qualidade nutricional adequado. Dentre os ingredientes que podem fazer parte desta composição está a farinha de vísceras de aves.
Esse produto é produzido a partir do aproveitamento de órgãos e tecidos provenientes de animais abatidos para consumo humano. Para ser destinado ao pet food, passa por um processo de cozimento, secagem e moagem, que resulta em um ingrediente concentrado em proteína, gordura, vitaminas e minerais.
“Apesar do nome gerar certa estranheza e resistência em algumas pessoas, estamos falando de órgãos como fígado, coração, moela, rins e outros tecidos que, do ponto de vista nutricional, são extremamente ricos em nutrientes”, afirma Carla Maion, médica-veterinária pós-graduada em Nutrição de cães e gatos.
Segundo a profissional, a composição da farinha de vísceras pode variar conforme a matéria-prima utilizada, mas, normalmente, nela são encontrados órgãos como fígado, coração, moela, rins, pulmões, tecidos musculares aderidos às carcaças e pequenas quantidades de cartilagens e ossos.

“É importante destacar que existe uma diferença entre farinha de vísceras e outros ingredientes de origem animal. Muitas vezes, o consumidor coloca tudo no mesmo grupo, mas cada ingrediente possui definição legal própria e características nutricionais diferentes”, explica.
Nutricionalmente falando, esse ingrediente fornece uma alta concentração de nutrientes, tal como, proteína de elevado valor biológico, aminoácidos essenciais, vitaminas do complexo B, vitamina A, ferro, zinco e selênio.
Além disso, Carla relata que estudos e testes realizados pela indústria mostram que cães e gatos costumam aceitar muito bem alimentos que contêm ingredientes viscerais, o que é mais um benefício.
“Na prática, é comum observarmos maior interesse pelo alimento quando há participação adequada dessas fontes na formulação. Inclusive, uma farinha de vísceras de boa qualidade apresenta excelente digestibilidade, o que significa melhor aproveitamento dos nutrientes pelo organismo e eleva a qualidade do alimento”, pontua.
Desmistificando mitos
Por conta da composição, criou-se o mito de que alimentos produzidos com esse ingrediente são de qualidade inferior, mas, na prática, essa não é uma realidade.
“Acredito que essa percepção existe porque ingredientes, como miúdos e vísceras, não fazem parte do consumo habitual da maioria das pessoas, o que pode gerar estranheza e a ideia equivocada de que possuem menor valor. Além disso, a crescente antropomorfização dos pets faz com que muitos responsáveis busquem alimentos cada vez mais semelhantes à alimentação humana, associando cortes de carnes a maior qualidade”, analisa o médico-veterinário e gerente de relacionamento científico da PremieRpet, Flavio Lopes da Silva.
Na prática, a farinha de vísceras é empregada, principalmente, em alimentos secos extrusados (ração) como parte da sua composição. Flavio explica que ela atua como fonte de proteína e aminoácidos, mas também pode ser utilizada na composição de alimentos específicos, como petiscos.
