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Artigos revista Clínica e Nutrição

Fezes dos felinos podem dizer muito sobre o comportamento desses animais

Por: Julyenne Christynne Escrivani Frasnelli

Fezes dos felinos podem dizer muito sobre o comportamento desses animais
Por Equipe Cães&Gatos
16 de maio de 2026

Dentre os diversos comportamentos dos felinos, a excreção parece ter um papel importante na comunicação entre os animais e tem sido objeto de estudo há anos por vários pesquisadores, principalmente, para o entendimento da biologia e ecologia destes animais (Bateson 1994, Feldman 1994, Bradshaw 1999, Bradshaw e Cameron 2000, Bradshaw 2000, Rochlitz 2000, Macdonald e Loveridge 2010).

Por outro lado, a proximidade de seres humanos com os felinos domésticos cresce consideravelmente. Devido a isso, o conhecimento do comportamento de excreção dos gatos domésticos é imprescindível para auxiliar responsáveis e profissionais que cuidam cotidianamente destes animais.

A diversificação dos felinos e a domesticação

Os felídeos surgiram no período Oligoceno, há mais de 30 milhões de anos e, atualmente, a família Felidae está dividida em duas subfamílias (Felinae e Pantherinae), compostas por 14 gêneros e 40 espécies (Reis et al. 2011).

Ainda que domesticados, os gatos mantiveram características anatômicas, metabólicas e comportamentais dos seus ancestrais, e mesmo dentro dos lares, seu relacionamento com humanos e suas necessidades nutricionais, físicas e emocionais permanecem únicos (Zoran e Buffington 2011).

A família Felidae desenvolve um papel notável na cadeia alimentar. Os felinos são caracterizados por serem predadores furtivos, fortes, velozes e precisos ao caçar, em grande parte, como emboscada, capturando de forma silenciosa até o momento do bote.

Em vida livre, quase todos os felinos se alimentam apenas da carne abundante e ignoram outros tipos de alimentos que não sejam frescos (Rinaldi 2010). Os pequenos felinos, se alimentam principalmente de mamíferos pequenos (menos de 100g), aves e répteis, selecionando uma escala de presas menores que eles, demandando alto gasto energético para caçar e, ao mesmo tempo, se proteger de possíveis predadores maiores (Zoran e Buffington 2011 e Marchini 2011).

De maneira geral, a proteína é o principal macronutriente responsável pela manutenção da massa muscular. A preservação da mesma ocorre em função de dois processos: consumo de quantidade suficiente de proteína de alta qualidade (com teor adequado de aminoácidos indispensáveis) e atividade neuromuscular adequada para promover a manutenção da massa tecidual (Zoran e Buffington 2011).

gato ao lado da caixa de areiaOs comportamentos de excreção dos felinos domésticos são diferentes dos selvagens (Foto: Reprodução)

Assim, a quantidade de nutrientes ideais, bem como a ingesta hídrica adequada, precisa estar de acordo para a manutenção de uma vida saudável e proximidade da alimentação natural do felino.

As dietas comerciais têm sido populares entre responsáveis de gatos domesticados há muitos anos. Os alimentos secos possuem um teor de umidade entre 3% e 11% e costumam ser mais econômicos que outras alternativas. Já alimentos úmidos contêm entre 60% e 87% de umidade e contam com densidade calórica mais baixa que alimentos secos.

A escolha entre um alimento úmido ou seco varia com a preferência de cada gato (Villaverde e Chandler 2022). Múltiplas razões evolutivas, fisiológicas, anatômicas e comportamentais podem tornar os gatos vulneráveis à desidratação. Compreender isso pode ser útil para aumentar a conscientização da interferência humana no comportamento do felino e possível solução de inúmeros problemas clínicos e comportamentais. (Groves et al. 2021).

Gatos domesticados tendem a responder à ingestão de alimentos com baixo teor de umidade, aumentando sua concentração de urina em vez de beber mais água, e a quantidade de água ingerida em uma dieta seca não é igual à ingerida em uma dieta úmida, isso pode acarretar problemas clínicos e comportamentais (Groves et al. 2021), sustentados por Beaver (1992) pela afirmação que alimentos concentrados mais podem reduzir o número de defecações para menos de uma ao dia.

Confira o artigo completo “Quando as fezes ditam comportamentos”, na íntegra e sem custo, acessando a página 40 da edição de maio (nº 321) da Revista Cães&Gatos.

REFERÊNCIAS:

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