Durante o curso de graduação os futuros médicos-veterinários aprendem sobre anatomia, fisiologia, farmacologia e diversas outras disciplinas. Porém, a gestão de clínicas veterinárias não faz parte do escopo, o que é um problema para quem se forma e quer abrir o próprio negócio.
Esse desafio é ainda maior quando é necessário equilibrar o amor com os lucros, visto que mesmo tendo afeto pelos pacientes, as contas não param de chegar.
Para trazer luz sobre esse assunto tão complexo conversamos com o médico-veterinário pós-graduado em Neurologia e Ortopedia e sócio-proprietário do Hospital Veterinário Bionicão, Douglas Renato Cleto.
Segundo o profissional, não é fácil equilibrar a vida profissional com a pessoal, existindo sempre um conflito.
“Esses aspectos estão sempre se confrontando. Porém, o trabalho em conjunto com outras três gestões e com pessoas de confiança à frente dos diversos setores faz com que tenhamos um pouco de tranquilidade na vida pessoal”, comenta.
Inclusive, para ele, a gestão de pessoas é um ponto muito importante e já foi um erro quando o hospital iniciou as suas atividades.
“Nós tínhamos colaboradores que apresentavam desvios de comportamento e influenciavam outros na equipe. Achávamos que iríamos conseguir melhorar essa parte, mas não foi possível. Por isso, realizamos a troca das pessoas que não trabalhavam em equipe”, afirma.
Além disso, para o médico-veterinário outro erro importante foi a falta de procedimentos operacionais padrão, que acaba levando a um desgaste maior mesmo em uma equipe bem treinada.
A chave para o sucesso
Douglas comenta que um dos acertos na gestão das clínicas veterinárias está relacionado ao investimento em cursos voltados para essa área e, também, a implementação de setores, como o de Recursos Humanos, que ajuda no relacionamento das pessoas dentro da empresa.
Uma das áreas que mais requer aprendizado é a gestão de pessoas. O profissional relata que esse é um grande desafio e um trabalho duro, que envolve todos da equipe.
“O nome colaborador não é à toa, ele tem que colaborar com a equipe para que tudo seja o mais próximo do perfeito possível. Para isso, estamos sempre nos atualizando com cursos, palestras e reuniões, que visam engajar cada vez mais todos os nossos colaboradores”, explica.
Lucro vs amor nas clínicas veterinárias
Equilibrar os lucros com o amor a profissão também não é simples. Sobre isso, o médico-veterinário relata que, como uma empresa particular, é preciso pensar na parte financeira.
“Esse pensamento é ainda mais importante em nosso hospital, onde estamos em mais de 80 pessoas. Dessa forma, mesmo prezando pela parte financeira, para que tudo flua bem todos os colaboradores precisam do amor pela profissão e amar os animais. Assim, lutamos pelo mesmo propósito de salvar vidas”, pontua.
Já a definição dos preços dos serviços na clínica veterinária é criada a partir de uma média do mercado regional e combinada com a qualidade do serviço prestado e a estrutura ofertada.
Além disso, quando surgem casos no qual o responsável pelo animal apresenta restrição financeira, segundo Cleto, em situações emergenciais pode-se socorrer o pet até que ele fique estável e, em seguida, encaminhá-lo para um local mais acessível para o tutor.
Douglas também relata que não é fácil se consolidar no mercado, sendo esse um trabalho contínuo.
“Foi difícil – e continua sendo – nos consolidarmos no mercado veterinário, pois lidamos com muitas variantes. Contudo, oferecendo um serviço de qualidade, com boa estrutura e boa apresentação, a empresa tende a atrair mais clientes com o passar dos anos”, conclui.
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