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Vilões ou aliados? O debate sobre os transgênicos no mercado pet food

Emprego de grãos transgênicos no pet food diminui, impulsionado por uma demanda dos próprios responsáveis por cães e gatos

Vilões ou aliados? O debate sobre os transgênicos no mercado pet food
Por Danielle Assis
28 de maio de 2026
Última atualização: 28/05/2026 - 15:42

Nos últimos anos, os consumidores passaram a requerer certas alterações nos produtos voltados à nutrição de cães e gatos, principalmente influenciados pelas mudanças no próprio consumo alimentar. 

Esse movimento começou com a alimentação natural e foi se expandindo até surgirem discussões sobre o uso de ingredientes transgênicos nos alimentos para pets. 

De forma simplificada, transgênicos são organismos geneticamente modificados (OGM) em laboratório. Basicamente, eles recebem genes de outras espécies para adquirir características novas e desejadas, como resistência a pragas, tolerância a herbicidas ou maior valor nutricional. 

“Existem diferentes alimentos e ingredientes que podem ser transgênicos. Essa nada mais é do que uma modificação realizada na genética que dá origem àquele ingrediente. Por exemplo, é feita uma modificação genética no milho para que a produção do grão tenha resistência a um determinado tipo de praga”, explica Fabio Alves Teixeira, médico-veterinário com mestrado, doutorado e pós-doutorado pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP), residência em Nutrição e Nutrição Clínica de Cães e Gatos, titulado como especialista em Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos e presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos e do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal. 

Conforme exemplifica o profissional, a alteração genética na lavoura do milho pode ocorrer para que seja possível utilizar menos defensor químico, antigamente chamado de agrotóxico, visando uma maior produção desse grão. 

As primeiras sementes transgênicas do mundo foram liberadas para uso comercial em 1996, nos Estados Unidos. No Brasil, o interesse por essa “novidade” ocorreu em meados de 1998. 

De acordo com uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (USP)³, no período de 2003 e 2021 o Brasil apresentou um crescimento no consumo anual de agrotóxicos de 392%, liderando o ranking de países que estão entre os maiores consumidores desse tipo de composto. 

O levantamento ainda mostra que a maior parte (76%) dos organismos geneticamente modificados foi utilizada em cultivos de soja e milho.

Dada a relevância desses ingredientes no cenário brasileiro, desde 2003, através da Lei de Biossegurança nº 11.105/2005, instituída pelo Decreto nº 4.680/2003 e pela Portaria nº 2.658/200335-37, é obrigatório informar no rótulo de produtos destinados ao consumo humano ou animal a presença de transgênicos ou derivados.

transgênicos
Responsáveis de cães e gatos impulsionam a busca por alimentos livres de transgênicos na nutrição animal (Foto: Reprodução)

Aplicação no pet food 

Fabio comenta que, no segmento de alimentos para pets, quando se pensa em ingredientes transgênicos, os mais comuns são a soja e o milho. No entanto, não necessariamente todos os produtos vão conter grãos com essa característica. 

“Existem ingredientes, como milho e soja, que podem ser não transgênicos. Então, o uso vai depender daquilo que o fabricante adquire para incorporar na produção do alimento”, esclarece.

Na prática, o que tem acontecido é que grande parte da soja e do milho produzida atualmente é proveniente de modificações genéticas. Devido a isso, por muito tempo optou-se por esses insumos. 

Estima-se que a cada 100 hectares plantados com soja hoje no planeta, 80 são de sementes com genes alterados. No caso do milho, são 30 para cada 100². Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 90% da ração animal contém ingredientes geneticamente modificados. 

Contudo, mesmo com tamanha expressividade, pouco a pouco a implementação desses grãos na nutrição de pets está passando por mudanças. 

“Muitas empresas do ramo de pet food estão migrando para o uso de ingredientes não transgênicos, justamente por uma exigência dos clientes”, diz o especialista. 

Confira o artigo completo “Reais vilões?”, na íntegra e sem custo, acessando a página 52 da edição de maio (nº 321) da Revista Cães&Gatos.