A hepatopatia por acúmulo de cobre é uma doença em que o metal se acumula progressivamente no fígado, principalmente nos hepatócitos, em concentração suficiente para causar estresse oxidativo, inflamação, necrose hepatocelular, fibrose e, eventualmente, cirrose em cachorros.
Considerada uma enfermidade primária e hereditária quando há defeitos no metabolismo e na excreção biliar do cobre, e secundária, quando o elemento se acumula em consequência de hepatopatias crônicas e colestase, nas fases iniciais não apresenta sintomas e o achado pode ser apenas o aumento de enzimas hepáticas, especialmente a ALT.
“Quando a doença evolui para hepatite ativa, os sinais costumam ser inespecíficos, como hiporexia ou anorexia, vômito, letargia e perda de peso. Nos estágios avançados, podem surgir insuficiência hepática ou hipertensão portal, icterícia, ascite, coagulopatias, hipoalbuminemia, encefalopatia hepática, além de piora do estado geral”, explica Luciana Oliveira, mestre e doutora em Nutrição de cães e gatos pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal e integrante do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal Pet (CBNA PET) e da Sociedade Brasileira de Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos (SBNutripet).
Segundo a profissional, já na hepatite crônica canina, a presença de ascite é classicamente um marcador prognóstico desfavorável, e as alterações de coagulação também se associam a pior sobrevida.
Entre as raças com maior predisposição a desenvolver a doença estão: Bedlington Terrier, Labrador Retriever, Doberman Pinscher, West Highland White Terrier, Pastor Alemão, Dálmata e Cavalier King Charles Spaniel.
“Nestes animais há um aumento persistente de ALT, mesmo no cão assintomático. Isso deve elevar bastante a suspeita e justificar investigação hepática mais aprofundada”, diz.

Investigação aprofundada
De acordo com a especialista, o diagnóstico definitivo da doença é feito por biópsia hepática, com três componentes principais: histopatologia, coloração para cobre, como rodanina/rubeânica, e quantificação do metal hepático em tecido seco.
“Esse é o padrão recomendado porque as enzimas, o ultrassom e os sinais clínicos não distinguem com segurança uma hepatopatia associada ao cobre de outras hepatites crônicas”, conta Luciana.
Entre os exames utilizados para chegar ao diagnóstico existem os de triagem e de suporte, que incluem ALT, AST, ALP, GGT, bilirrubinas, albumina, colesterol, ureia, glicose, hemograma e perfil de coagulação, além de ácidos biliares e ultrassonografia abdominal.
Cuidados com a doença
A mestre explica que o tratamento da hepatopatia se baseia em quatro pilares: remoção do metal já acumulado, redução da absorção intestinal de cobre, controle da inflamação/complicações hepáticas e monitorização seriada.
“Após a etapa inicial, usa-se zinco, que reduz a absorção intestinal do cobre. Também recomenda-se uma dieta com teor reduzido do elemento, evitando ingestão excessiva crônica”, explica a integrante do CBNA PET.
Além do controle do cobre, trata-se o impacto hepático conforme a fase clínica.
“Em alguns pacientes com hepatite crônica importante, outras terapias podem ser consideradas de acordo com o componente inflamatório histológico, mas isso depende do padrão de biópsia e não deve ser definido apenas pela bioquímica”, conclui a doutora.

FAQ sobre hepatopatia por acúmulo de cobre em cães
O que é essa doença silenciosa em cachorros?
É uma enfermidade em que o cobre se acumula no fígado, causando estresse oxidativo, inflamação, necrose, fibrose e até cirrose.
Quais são os principais sinais clínicos?
Nas fases iniciais, pode não haver sintomas, apenas aumento de enzimas hepáticas em exames laboratoriais. Com a progressão, surgem sinais como vômito, letargia, perda de peso, icterícia, ascite e encefalopatia hepática.
Como é feito o diagnóstico da doença?
Ele é realizado por biópsia hepática, com análise histopatológica, coloração para cobre e quantificação do metal no fígado.
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