O setor de nutrição animal está cada vez mais exigente e buscando ingredientes que entreguem valor nutricional real, com segurança e sustentabilidade para formulações de cães e gatos.
Nesse cenário, o HPDDG (High Protein Dried Distillers Grains – grãos secos de destilaria com alta proteína) vem ganhando espaço, impulsionados por seus diferenciais técnicos e viabilidade econômica.
Com mais de 40% de proteína de alta digestibilidade, o HPDDG reúne um perfil rico em aminoácidos e a presença de paredes de levedura com ação prebiótica. Em estudo realizado na Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi demonstrado seu efeito na modulação da microbiota intestinal em cães, além da possibilidade de inclusão de até 21% nas dietas, mantendo elevada palatabilidade e digestibilidade.
No Brasil, a FS se tornou a principal produtora e distribuidora de HPDDG para empresas de nutrição pet, mas sua história começou em 2017, quando iniciou as atividades em solo brasileiro e se tornou a primeira produtora de etanol 100% a partir do milho de segunda safra no país.
“Antes de chegarmos ao Brasil somente era produzido por aqui o etanol de cana. Nossa primeira planta fabril foi em Lucas do Rio Verde (MT) e, hoje, temos duas outras plantas, uma em Sorriso e outra em Primavera do Leste ambas no Mato Grosso. Também estamos expandindo nossos negócios com a adição de novas plantas e ampliação das unidades existentes”, afirma Victor Trenti, diretor comercial da FS.
Essa expansão está prevista para aumentar a capacidade produtiva da empresa, que em números impressiona. Atualmente, a FS processa 6 milhões de toneladas de milho de segunda safra, gerando 2,5 bilhões de litros de etanol de milho e 2 milhões de toneladas de produtos para nutrição animal.
Entrada no mercado de pet food
Por mais que a principal área de atuação da FS seja a produção de etanol de milho, o seu ingresso no setor nutrição animal não aconteceu de forma impensada.
“Nós tratamos a nutrição animal como um produto de altíssimo valor agregado, que nos conecta com diversos parceiros. Além disso, hoje, não é possível produzir etanol sem produzir nutrição animal, porque o nosso modelo de negócio é um modelo de economia circular fechada”, afirma Victor.
Nesse processo, a FS utiliza tecnologia de última geração para fracionar o milho em amido, óleo, fibra e proteína. Em um modelo de economia circular, o aproveitamento do grão é integral: o amido é convertido em etanol, parte da fração de gordura origina o óleo técnico de milho (TCO), e as frações de proteína, fibra e gordura restantes são destinadas à produção de ingredientes para nutrição animal.
Outro ponto relevante é que, ao ingressar no segmento de nutrição animal, a empresa estruturou uma equipe técnica composta por zootecnistas e médicos-veterinários, ampliando o suporte especializado aos diversos setores, incluindo pet food, além de intensificar os investimentos em pesquisa para validação da qualidade dos ingredientes e geração de recomendações nutricionais consistentes.
Trenti afirma que o mercado pet precisa de produtos padronizados e confiáveis. Com suas três plantas atuais, a FS consegue produzir um alto volume de insumos voltados à nutrição animal com padronização e rígido controle de qualidade.
“Ao contrário de muitas empresas do setor, os produtos de nutrição animal não são tratados como commodities na FS e, sim, como especialidades. Com isso, atualmente, entre 15% e 20% do faturamento anual da nossa indústria vem da nutrição animal”, relata.
Os caminhos para a produção dos ingredientes para nutrição animal
Para que o HPDDG chegue as indústrias de pet food com a qualidade e sustentabilidade esperada, a FS investe em um processo produtivo minucioso, que começa com a rastreabilidade e seleção criteriosa dos fornecedores de milho e finaliza somente após a entrega do insumo.
Segundo Rodrigo Galli, zootecnista e gerente de marketing da FS, após o recebimento do milho e sua classificação, o grão passa por diversos processos industriais que resultam na liberação do amido para produção do etanol.
Um dos diferenciais da FS é a adoção pioneira no Brasil das tecnologias de separação de fibra (FST – Fiber Separation Technology) e de moagem seletiva (SMT – Selective Milling Technology).
Esses processos permitem a separação do pericarpo, fração fibrosa do grão, do endosperma e do gérmen, otimizando o aproveitamento das diferentes frações do milho.
“Ao separar a casca das outras partes do milho, conseguimos aumentar a eficiência da fermentação. Nesse processo, o amido é convertido em etanol e, após a fermentação, temos a vinhaça, da qual são retirados o xarope, que concentra os nutrientes solúveis, e parte do óleo. O material remanescente é então concentrado e, posteriormente, seco, passando a ser denominado HPDDG (grãos secos de destilaria com alta proteína)”, explica.
Rodrigo comenta que o HPDGG possui cerca de 40% de proteína, 13% de gordura e 7% de fibra bruta em sua composição e é utilizado como alimento proteico energético para nutrição de todas as espécies de animais, inclusive de cães e gatos.
A fibra que foi separada no início do processo, é enriquecida com os sólidos solúveis (xarope) e posteriormente, o material é seco, passando a ser denominado DFS, Fibra Seca com Solúveis, atualmente em avaliação pela FS como uma potencial fonte de fibra funcional com bom custo-benefício para cães e gatos.
Além disso, para garantir uma secagem adequada desses produtos, a FS utiliza um secador indireto, que trabalha em temperatura constante e uniforme, o que é importante para evitar o aquecimento excessivo, que pode desencadear a reação de Maillard, responsável por diminuir o valor nutricional dos ingredientes.
“Por isso que todos os nossos produtos possuem uma coloração padronizada. Nós realizamos um monitoramento preciso da cor e ações retroativas de feedback para garantir a padronização”, relata Galli.
Controle de qualidade
A qualidade da matéria-prima é um dos pilares das boas práticas na indústria de pet food. Nesse contexto, processos estruturados de controle de qualidade e rastreabilidade dos grãos são fundamentais para garantir consistência e segurança nutricional dos ingredientes derivados do milho e de outras matérias-primas.
Contribuindo para a eficiência dos processos de controle de qualidade, a localização das plantas industriais da FS no Mato Grosso representa uma vantagem relevante, já que o calendário agrícola da região favorece a qualidade do milho utilizado.
O regime de chuvas, concentrado entre setembro e meados de maio, permite o cultivo da soja, cuja colheita ocorre entre janeiro e fevereiro, viabilizando, na sequência, a produção do milho em condições favoráveis e sua colheita na época de estiagem (maio a agosto).
“Nós recebemos o milho que é colhido na seca, o que contribui para a qualidade do grão ao longo de todo o processo e reduz significativamente a incidência de micotoxinas produzidas no campo e consequentemente durante o processo de armazenagem”, cita Rodrigo.
Após o recebimento, as toneladas de milho passam por um controle de qualidade para avaliar a presença de diferentes contaminantes, como pesticidas, metais pesados, matérias estranhas, dioxinas, furanos e micotoxinas.
O zootecnista destaca que se o milho tiver um índice de micotoxinas elevado, as leveduras do processo de fermentação podem ser afetadas e até mortas, prejudicando o processo de produção de etanol.
“Então, para nós, o controle de micotoxinas é muito importante, pois assegura a qualidade dos produtos para nutrição animal e garante que o processo de fermentação irá ocorrer da forma desejada”, afirma.
Além dos rigorosos processos de controle de qualidade já adotados na produção animal, a FS atende às exigências específicas do mercado de pet food, assegurando a segurança no uso dos ingredientes, incluindo a ausência de resíduos de antibióticos.
“As análises realizadas vão além da avaliação de contaminantes, abrangendo composição nutricional, extrato etéreo, minerais, pigmentantes, aminoácidos e nitrogênio. Mais recentemente, a empresa passou a incorporar análises específicas para o mercado pet, como fibra dietética”, conta Galli.
A FS assegura a padronização nutricional de seus produtos com comprovação contínua por meio de relatórios emitidos diariamente, e realiza um monitoramento rigoroso de micotoxinas conforme as diretrizes da certificação GMP+ FSA (Good Manufacturing Practices + Feed Safety Assurance).

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