Setembro é um dos meses mais relevantes para o setor, pois celebra uma data importante: o Dia do Médico-Veterinário.
Comemorada em 9 de setembro, a data foi instituída em 1933 a partir da assinatura do Presidente Getúlio Vargas no Decreto nº 23.133, que regulamentou a prática da Medicina Veterinária no Brasil.
Mais do que valorizar esses profissionais, que são fundamentais para a saúde humana, animal e ambiental, a celebração nos faz refletir sobre muitos aspectos. Dentre eles, as profundas mudanças pelas quais a profissão passou nos últimos anos.
Para falar sobre o assunto, reunimos profissionais que acompanharam de perto a evolução da Medicina Veterinária e compartilham suas percepções sobre a prática clínica atual, a chegada das novas tecnologias, o avanço das especializações, a evolução do mercado e as mudanças no perfil dos responsáveis pelos pacientes.
Antes e hoje
Mitika Kuribayashi Hagiwara, médica-veterinária, mestre e doutora em Saúde Pública, professora emérita do Departamento de Clínica Médica da FMVZ-USP e atual conselheira do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), se formou há sessenta anos e se considera avó de muitos jovens veterinários.
Quando se graduou, em 1965, enfrentou um cenário no qual o médico-veterinário que estava de plantão precisava fazer tudo na clínica.
“No início, cada caso que chegava me deixava insegura, exceto quando era para vacinação, pois tínhamos apenas dois tipos de vacinas, a nacional e a importada, e não se falava ainda em vacina ‘ética’”. Também era comum o medo de atender cães com raiva”, afirma.
Já em meados dos anos 90, o cenário mudou um pouco mas, ainda assim, após se formar, o médico-veterinário começava a atuar como clínico geral, realizando desde consultas até coletas de exames e muitos outros procedimentos.
Segundo Márcia Marques Jericó, médica-veterinária mestre em Fisiologia, doutora em Clínica Médica e sócia-fundadora da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV), o início da sua carreira foi no Hospital Veterinário da FMZV-USP.
Na época, a prática era muito mais generalista e tinha recursos bastante limitados quando comparada à atual, o que exigia grande capacidade de observação clínica e adaptação.
“O médico-veterinário precisava assumir muitas funções: atender, providenciar a coleta do material, realizar procedimentos e, frequentemente, tomar decisões com base, sobretudo, na anamnese, no exame físico e em poucos exames complementares”, relembra.
Rita Carmona, médica-veterinária mestre em Dermatologia e atual presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) também começou a sua carreira no Hospital Veterinário da FMZV-USP e conta que a rotina de trabalho era intensa, mas serviu de grande aprendizado.
“Na época que me formei, as especialidades não eram praticadas como são hoje. Tínhamos, basicamente, duas grandes áreas de atuação: clínica médica e cirurgia”, explica.
Viviani De Marco, médica-veterinária com residência e mestrado em Clínica Médica, doutorado e pós-doutorado em Endocrinologia e sócia fundadora e atual membro da Comissão Científica da ABEV, vivenciou uma realidade muito similar.
De acordo com ela, nesse período o clínico precisava atender diferentes tipos de casos, o que fazia com que a experiência, o exame físico e o raciocínio clínico tivessem um peso ainda maior nas decisões.

Já Rodrigo Rabelo, médico-veterinário mestre em Medicina Veterinária, doutor em Ciências Veterinárias e primeiro especialista titulado pela Academia Brasileira de Urgências e Cuidados Intensivos (BVECCS) e pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) em Medicina Veterinária Intensiva do Brasil, comenta que o início da sua carreira aconteceu nos Estados Unidos, o que lhe proporcionou uma visão diferente da profissão.
“Eu me formei em 1997 e fui para os Estados Unidos para fazer uma certificação de quatro meses na área de emergência e cuidados intensivos. Nessa época, trabalhava cerca de 16 horas por dia e pude ter acesso a recursos e tecnologias que até então não existiam no Brasil”, afirma.
Confira o artigo completo “Do passado ao presente”, na íntegra e sem custo, acessando a página 54 da edição de agosto (nº 325) da Revista Cães e Gatos.

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