Uma revisão científica publicada na revista Nature Reviews Biodiversity revelou que a dependência dos vertebrados em relação aos insetos é incomparavelmente mais ampla do que a simples cadeia alimentar.
O estudo, que mapeou centenas de pesquisas globais, mostra que insetos desempenham papéis decisivos na higiene, proteção contra predadores, saúde, regulação térmica e oferta de abrigo para aves, mamíferos, répteis e anfíbios.
Apesar de quase três quartos dos vertebrados terrestres consumirem invertebrados, as interações não alimentares sustentam ciclos vitais complexos. As descobertas acendem o alerta para os impactos em cadeia que o declínio populacional dos insetos pode causar na biodiversidade do planeta.
Higiene, abrigo e estratégias de sobrevivência compartilhadas
A pesquisa reuniu evidências de comportamentos surpreendentes na natureza que dependem diretamente de insetos:
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Tratamento e higiene: Mais de 200 espécies de aves utilizam formigas para eliminar parasitas das penas. Já chimpanzés foram documentados aplicando insetos sobre ferimentos com função terapêutica.
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Proteção contra predadores: Aves constroem ninhos propositalmente próximos a colônias de vespas para usufruir da proteção contra invasores.
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Arquitetura e microclima: Cupinzeiros e formigueiros oferecem temperatura e umidade estáveis, sendo aproveitados como refúgio ou local de desova por anfíbios, répteis e morcegos.
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Saneamento do ecossistema: Besouros rola-bosta e insetos detritívoros aceleram a decomposição de fezes e penas, reduzindo a proliferação de parasitas nocivos aos vertebrados.
O ciclo simbiótico entre preguiças e mariposas
Um dos casos mais emblemáticos de mutualismo destacados no estudo envolve as preguiças e as mariposas que habitam sua pelagem. As mariposas fornecem nutrientes que estimulam o crescimento de algas no pelo do mamífero, servindo de complemento alimentar para o animal.
Em contrapartida, as preguiças descem periodicamente das árvores até o solo para defecar, criando o ambiente exato onde as mariposas depositam seus ovos. Esse ciclo ilustra como o desaparecimento de uma única espécie de inseto pode comprometer o modo de vida de mamíferos de grande porte.

Declínio dos insetos ameaça redes inteiras de vertebrados
Os pesquisadores alertam que a perda acelerada de habitat e as mudanças climáticas estão alterando drasticamente as comunidades de insetos no mundo. Como a conservação histórica focou majoritariamente nos vertebrados, as lacunas de conhecimento sobre as interações não alimentares dificultam prever a extensão dos danos ecológicos.
Especialistas ressaltam que proteger os insetos é o único caminho para preservar as dinâmicas de polinização, dispersão de sementes e manutenção dos ecossistemas dos quais a fauna global necessita para sobreviver.
Fonte: ANDA, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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