Em plena expansão, o mercado pet food na América Latina pode gerar um volume de cerca de US$40 bilhões, de acordo com um estudo da Triplethree International.
Acompanhando esse crescimento, o Brasil tem se destacado por sua forte capacidade produtiva. Contando com empresas que operam em larga escala, o país se consolida como um dos principais polos globais de produção de alimentos para pets do mundo. É dentro deste mercado que os ingredientes premium ganham um espaço de destaque.
“Contendo nutrientes melhores, eles geram alta digestibilidade, têm maior densidade nutricional e controle de qualidade mais rigoroso”, explica Marjorrie Augusto de Souza, médica-veterinária e professora de nutrição animal do Arnaldo Centro Universitário, de Belo Horizonte.
Escolhidos por cuidadores que buscam mais longevidade e saúde para seus pets, as dietas premium utilizam, principalmente, proteínas de origem animal, como carne de frango, boi e porco, além de cordeiro, peixe, ovos, farinhas de vísceras e de carne e ossos.
Em alguns casos, os alimentos seletos incluem proteínas vegetais, como farelos de glúten, de milho e de trigo, e proteínas alternativas, que vêm da ervilha, da lentilha e dos insetos.
“Essas proteínas possuem alto valor biológico, são mais fáceis de digerir e melhor aproveitadas pelo organismo. Isso ajuda a manter a massa muscular, eleva a condição corporal e reduz o volume de alimento ingerido e do odor das fezes”, diz Marjorrie.
“Temos também outros ótimos ingredientes premium, como prebióticos frutooligossacarídeos e mananoligossacarídeos, fibras e antioxidantes naturais, que ajudam no equilíbrio intestinal, promovem a modulação da microbiota, reduzem o estresse oxidativo e fortalecem a imunidade e a saúde da pele e da pelagem”, completa.

Ascensão do segmento premium
Com o crescimento deste mercado, a preocupação com uma maior seleção de ingredientes tem sido bastante observada nas indústrias de pet food.
“É comum agora que os ingredientes usados dentro da nutrição premium usem menos corantes artificiais e conservantes artificiais, sejam funcionais e nutracêuticos”, conta a médica-veterinária.
Todo esse investimento tem sido justificado por estudos que comprovam que os animais alimentados com dietas de qualidade elevada podem apresentar melhor digestão, fezes de melhor qualidade, além do progresso da microbiota intestinal, da pele, da pelagem e da condição corporal.
Apesar das comprovações, ainda existem mitos quando falamos de ingredientes premium.
“É comum achar que subprodutos são sempre ruins quando muitos têm bom valor nutricional. As vísceras, por exemplo, são altamente nutritivas, ricas em vitaminas e minerais. Também existe a ideia de que proteína vegetal é inferior, o que nem sempre é verdade. Se for associada a proteína animal, é possível manter o perfil de aminoácidos necessário à síntese proteica do animal”, explica a docente.
A importância da prescrição adequada
Enquanto a indústria tem buscado mais transparência nos rótulos, preocupação com sustentabilidade e produtos específicos às demandas dos animais, o médico-veterinário surge com um papel importante: ajudar o responsável a escolher a melhor alimentação, interpretando os rótulos com base em critérios técnicos e não apenas em marketing.
“Indicar dieta conforme espécie, idade e condição clínica do animal, e educar os cuidadores também faz parte do papel do profissional da veterinária”, conclui Marjorrie.
FAQ sobre ingredientes premium
Quais são os principais benefícios de dietas com maior qualidade?
Esses alimentos ajudam a melhorar a digestão e a microbiota intestinal, e ainda favorecem a saúde da pele, da pelagem e a manutenção da massa muscular.
O que caracteriza um ingrediente premium na alimentação de cães e gatos?
É aquele com maior qualidade nutricional, alta digestibilidade e controle rigoroso de qualidade.
Proteínas vegetais e subprodutos são sempre inferiores nas dietas premium?
Não. Subprodutos, como vísceras, podem ser altamente nutritivos, ricos em vitaminas e minerais. Já as proteínas vegetais, quando associadas às de origem animal, podem garantir o perfil adequado de aminoácidos necessário para o organismo do animal.
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