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Instituto Adimax: olhos que guiam, laços que transformam vidas

Programa do Instituto Adimax já formou mais de 110 cães-guia desde 2018 e reforça a importância das famílias socializadoras durante o treinamento

Instituto Adimax: olhos que guiam, laços que transformam vidas
Por Danielle Assis
24 de março de 2026

Os cães-guia possuem um papel fundamental na rotina de pessoas com deficiência. Ensinados para serem os olhos de quem não vê, passam por extensos treinamentos para que consigam executar suas funções com maestria. 

O Instituto Adimax é uma das instituições que realiza esse trabalho e, desde 2018, já formou mais de 110 animais, que dedicam seus dias a guiar deficientes visuais. 

O programa cão-guia foi criado com o objetivo de promover a inclusão social da pessoa com deficiência visual e realiza um trabalho completo, que vai desde a escolha dos filhotes até a total adaptação do cão ao seu novo companheiro.

A raça de cão utilizada no programa sem fins lucrativos é a Labrador, que apresenta características consideradas fundamentais para essa função.

Além desse programa, a instituição também trabalha em outras frentes, como no treinamento de cães de assistência para crianças com transtorno do espectro autista. 

Treinamento longo e minucioso 

Todo o processo de treinamento dos cães-guia é dividido em sete etapas, que começam na gestação das fêmeas. Para isso, a seleção das matrizes é feita de forma minuciosa e as “mães” são levadas ao Instituto Adimax para ganharem seus filhotes na maternidade.

O rigoroso processo de escolha das matrizes é realizado para prevenir ao máximo o surgimento de doenças genéticas, que possam diminuir o tempo de trabalho do cão e prejudicar a sua saúde. 

“Hoje, nosso trabalho é voltado tanto para a programação genética quanto para o treinamento do cão. Porém, mesmo com treinamento, a predisposição para a função precisa existir”, explica Fabiano Pereira, gestor técnico do Instituto Adimax e instrutor e educador de mobilidade com cães-guia. 

Após o nascimento dos filhotes na maternidade do instituto, eles ficam com a mãe até o desmame, mas já começam a receber estímulos compatíveis com o trabalho que irão exercer. 

Fabiano comenta que esse processo tem início por volta dos três dias de vida do filhote. Nessa etapa é mostrado ao cão que é bom ter o toque, experienciar a sensação de frio e quente e até sentir cheiros diferentes. 

“Assim, quando for exposto a determinadas situações saberá administrá-las”, cita. 

Em seguida, quando o filhote atinge cerca de 70 dias de vida tem início uma das etapas mais importantes no treinamento dos cães-guia: a inserção do cão na rotina das famílias socializadoras. Esses voluntários possuem o papel de ensiná-lo sobre obediência básica e o apresentar a vida em sociedade.

Para ser família socializadora é realizado um processo de avaliação, que visa determinar se os voluntários estão aptos a executar a função. Inclusive, um dos aspectos analisados é o emocional, sendo importante que consigam se desapegar do cão no momento de devolvê-lo ao instituto. 

Outro ponto importante é que os voluntários não possuem nenhum custo para realizar o trabalho de socialização. 

“A família precisa saber que ela não está no programa por causa do cão, e sim devido a um propósito maior. O voluntário é imprescindível no treinamento, pois ele será o responsável por mostrar ao cão o mundo e o ensinar a lidar com os desafios externos”, relata Fabiano. 

Com aproximadamente 15 meses de idade, o cachorro retorna ao Instituto Adimax para iniciar o treinamento específico com os instrutores.

A todo momento é avaliado para que seja possível perceber se, realmente, ele está apto à função. O motivo é simples, existem inúmeras variáveis que podem interferir nisso, sejam físicas, emocionais ou comportamentais. 

“Nós temos uma série de características que são sempre checadas. Algumas delas são ansiedade, distrações e desconfiança. Inclusive, dois fatores que demonstram que o cachorro não está apto para o trabalho são pavor extremo e agressividade. Um cão de assistência não pode nunca se colocar em risco ou colocar a pessoa em risco”, explica o técnico. 

A formação das duplas 

Depois que está pronto para a função, o cão-guia é graduado – com direito a capelo e diploma – e inicia outra etapa fundamental: a do treinamento com o deficiente visual. 

O contemplado para recebê-lo vai até o instituto, local onde acontece o primeiro encontro com o seu possível cão-guia. Nas dependências da instituição a dupla passa 15 dias treinando. 

Em seguida, o cão e o deficiente visual retornam à residência da pessoa para dar continuidade ao treinamento, dessa vez, 100% adequado a sua rotina. Somente após um mês de treinamento contínuo é que se descobre se a dupla combina. 

Visibilidade de todas as formas 

O trabalho dos cães-guia vai muito além de guiar as pessoas com deficiência visual. Na realidade, também é uma importante ferramenta de inclusão social. 

“Para muitos é difícil lidar com as diferenças, fazendo com que as pessoas não se aproximem dos deficientes. Porém, quando a pessoa com deficiência visual está com o cão, quebra-se essa barreira, fazendo com que exista uma maior aproximação. O cão-guia, além de ser uma ferramenta de mobilidade e segurança, é um aglutinador social”, relata Fabiano. 

Felipe Borges, atleta de 23 anos, foi um dos selecionados para receber um cão-guia do Instituto Adimax. Ele ficou cego há seis anos, é portador de nanismo e acredita que o cão-guia não somente irá ajudá-lo na sua rotina, como também o auxiliará a ser visto pelo mundo. 

“O cão irá me ajudar muito no dia a dia, especialmente na locomoção, e também na convivência com outras pessoas, pois com a bengala não somos enxergados da mesma forma”, comenta. 

Seja uma família socializadora 

Para que Felipe e muitos outros deficientes visuais possam receber um cão-guia, é fundamental que exista uma família socializadora. 

As famílias socializadoras são essenciais no processo de treinamento dos cães e não é fácil encontrar voluntários. 

Fabiano relata que o instituto sempre precisa de ajuda nesse âmbito, pois o trabalho não pode parar. 

“Existe um propósito maior por trás da dedicação das famílias socializadoras. Elas nos ajudam a oferecer qualidade de vida para alguém no futuro. É impossível treinar um cão-guia sem voluntariado”, conclui

A inscrição no programa pode ser realizada diretamente no site do Instituto Adimax. 

Confira o artigo completo “Olhos que guiam, laços que transformam vidas”, na íntegra e sem custo, acessando a página 08 da edição de março (nº 319) da Revista Cães e Gatos.