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Março Azul Marinho: mobilização reforça vigilância sobre doenças gastrointestinais em cães e gatos

Campanha destaca diagnóstico precoce, controle sanitário e enfrentamento das verminoses na rotina clínica

Março Azul Marinho: mobilização reforça vigilância sobre doenças gastrointestinais em cães e gatos
Por Rebecca Vettore
2 de março de 2026

O trato gastrointestinal está entre os sistemas mais frequentemente acometidos na prática veterinária. Diarreia, vômito e perda de peso estão entre as principais queixas nos atendimentos — e, muitas vezes, são subestimadas pelos responsáveis.

Por esses motivos, foi criada a campanha Março Azul Marinho, que busca ampliar a conscientização e estimular a investigação adequada dessas indicações. A ação também visa reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das enfermidades digestivas e parasitárias.

De acordo com a médica-veterinária Isabella Amaral da Fonseca, do Hospital Veterinário Taquaral e pós-graduanda em Gastroenterologia Veterinária, a iniciativa tem papel estratégico na educação continuada de profissionais e responsáveis.

“A proposta do Março Azul Marinho é alertar para sinais como diarreia, vômito, perda de peso e mudanças no apetite, que nem sempre recebem a devida atenção. Entre as condições essenciais associadas à campanha estão as gastroenteropatias infecciosas, parasitárias, inflamatórias, funcionais e neoplásicas”, explica Isabella.

Nos quadros infecciosos virais, a profissional destaca a parvovirose canina e a panleucopenia felina, enfermidades de alto risco, especialmente em filhotes não vacinados, caracterizadas por diarreia hemorrágica, vômitos intensos e desidratação.

“As enteropatias parasitárias também ocupam espaço relevante na casuística, com diagnósticos frequentes de giardíase, ancilostomíase e toxocaríase. Já a enteropatia crônica inflamatória envolve infiltração inflamatória na mucosa intestinal, resultando em diarreia persistente, perda de peso, vômitos recorrentes e prejuízo na absorção de nutrientes”, conta a médica-veterinária.

Outras condições incluem disbiose intestinal — frequentemente associada ao uso de antimicrobianos ou a mudanças alimentares —, neoplasias do trato digestório, como linfoma alimentar, adenocarcinomas e tumores estromais gastrointestinais, além de malformações congênitas, atresia anal e estenoses intestinais.

Março Azul Marinho: mobilização reforça vigilância sobre doenças gastrointestinais em cães e gatos
Doenças digestivas estão entre as principais causas de atendimento na rotina clínica (Foto: Reprodução)

Agentes etiológicos e impacto sistêmico

Isabella destaca os principais agentes envolvidos nas gastroenteropatias e verminoses da rotina clínica: o Parvovírus canino (CPV-2) e o vírus da panleucopenia felina (FPV), bactérias como Campylobacter spp. e Clostridium perfringens, além dos protozoários Giardia duodenalis, Cystoisospora spp. e Tritrichomonas foetus.

“As indicações clínicas variam conforme a etiologia e a gravidade do quadro, mas, entre os alertas mais frequentes estão diarréia — líquida ou pastosa, com ou sem muco, sangue vivo ou digerido —, vômito ou regurgitação, dor e distensão abdominal, flatulência, borborigmos aumentados, perda de peso e alterações no apetite”, diz a pós-graduanda.

Quando falamos de maiores riscos, o atraso na busca por atendimento está entre os principais, afinal, quadros que eram inicialmente leves podem evoluir para desequilíbrios eletrolíticos, desnutrição, comprometimento sistêmico e, em casos graves, óbito — sobretudo em pacientes jovens, idosos ou imunossuprimidos.

Essa demora também implica a saúde pública, segundo Isabella, já que algumas dessas enfermidades configuram zoonoses, como toxocaríase, ancilostomíase, giardíase e determinadas infecções bacterianas.

Diagnóstico estruturado e papel preventivo

Para chegar a uma análise adequada, é importante começar por anamnese detalhada, incluindo histórico alimentar, protocolo vacinal, vermifugação, acesso à rua, contato com outros animais e uso recente de medicamentos.

Além disso, o exame físico completo é indispensável para avaliar hidratação, condição corporal, dor abdominal e possíveis alterações sistêmicas.

Já a investigação laboratorial envolve, principalmente, exames coproparasitológicos, hemograma, bioquímica sérica e ultrassonografia abdominal.

Conforme a suspeita clínica, podem ser indicados testes rápidos para agentes virais, PCR, dosagens hormonais ou pancreáticas, avaliação de vitaminas, por exemplo da cobalamina e folato, testes de função pancreática e, em casos específicos, endoscopia digestiva com biópsia intestinal.

“A atuação do clínico vai além da terapêutica. O profissional tem papel fundamental na educação dos responsáveis, estabelecendo protocolos adequados de vacinação, vermifugação e controle sanitário, além de recomendar exames coproparasitológicos de rotina, mesmo em animais assintomáticos. Também é essencial orientar quais sinais exigem atendimento imediato”, conclui Isabella.

Março Azul Marinho: mobilização reforça vigilância sobre doenças gastrointestinais em cães e gatos
Orientação preventiva é parte fundamental do cuidado com a saúde digestiva (Foto: Reprodução)

FAQ sobre a campanha Março Azul Marinho

Quais indicações clínicas justificam investigação imediata de doenças gastrointestinais?

Diarreia com ou sem muco e sangue, vômito ou regurgitação, perda de peso, alterações no apetite, dor abdominal, distensão, flatulência excessiva e esforço para defecar são indicativos importantes.

Quais exames são fundamentais na abordagem diagnóstica?

A avaliação deve incluir anamnese detalhada e exame físico completo. Entre os exames complementares mais utilizados estão coproparasitológico, hemograma, bioquímica sérica e ultrassonografia abdominal, podendo haver indicação de testes virais e PCR.

Qual a relevância da campanha para a saúde pública?

Além de reduzir complicações clínicas, a mobilização contribui para o controle de zoonoses como toxocaríase, ancilostomíase e giardíase.