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O que realmente leva um médico-veterinário a ser denunciado?

Falhas na comunicação e publicidade inadequada concentram a maioria das denúncias éticas contra médicos-veterinário

O que realmente leva um médico-veterinário a ser denunciado?
Por Ana Paula F. de Moura Gierlich
27 de junho de 2026

Grande parte das denúncias que chegam aos Conselhos Regionais nasce quando o responsável pelo animal sente que não foi ouvido, informado ou acolhido. O problema nem sempre é o desfecho clínico, mas a surpresa diante dele.

O responsável pelo animal aceita mais facilmente uma intercorrência quando compreende previamente riscos, limitações e gravidade do caso. Porém, quando recebe uma notícia inesperada sem ter sido preparado, a frustração frequentemente se transforma em denúncia ética ou processo judicial. 

Por isso, a comunicação deixou de ser apenas uma habilidade interpessoal. Hoje, representa instrumento de proteção ética e jurídica.

A comunicação pelas redes sociais e o risco de infração ética

Existe outro ponto extremamente sensível na Medicina Veterinária contemporânea: a publicidade profissional. As redes sociais aproximaram os profissionais do público, ampliaram a visibilidade das clínicas e criaram oportunidades de crescimento. Entretanto, promoveram aumento significativo dos riscos éticos.

Promessas de resultado, exposição inadequada de procedimentos, sensacionalismo, autopromoção exagerada têm aparecido cada vez mais em processos éticos.

O Código de Ética do Médico-Veterinário veda práticas que induzam o responsável pelo animal ao erro ou criem expectativas irreais. Na prática, marketing ético não é aquele que promete cura, sucesso ou superioridade profissional. Marketing ético é aquele que informa, orienta e gera confiança.

Prontuário clínico: a comunicação documental que se transforma em proteção e defesa

Muitos profissionais ainda enxergam a documentação clínica como burocracia. Porém, em uma denúncia ética, o prontuário frequentemente se torna o principal elemento de defesa profissional.

Sem registros adequados, torna-se extremamente difícil comprovar orientações fornecidas, riscos explicados, consentimento informado, evolução clínica, condutas adotadas, entre outros.

Além disso, existe uma realidade dura no campo pericial: o que não está documentado, muitas vezes, é interpretado como não realizado. Por isso, prontuário bem elaborado não é excesso de formalidade. É proteção profissional e argumento sólido de defesa, ética ou judicial.

Memorize isso!

Segurança ética é construída diariamente, na forma como o médico-veterinário se comunica com o responsável pelo animal.

Confira o artigo completo “O que realmente leva um médico-veterinário a ser denunciado?”, na íntegra e sem custo, acessando a página 45 da edição de maio (nº 322) da Revista Cães&Gatos.