A nutrição para animais de estimação passa por uma evolução profunda no mercado global. Alimentos liofilizados, anteriormente restritos a um nicho exclusivo e especializado, ganham espaço definitivo na rotina de cães e gatos.
O movimento é sustentado por três pilares principais: a mudança de hábito dos responsáveis, o uso inteligente de novos ingredientes e investimentos em engenharia de produção para criar processos fabris escaláveis.
Por trás desse crescimento está a busca por refeições customizadas e a percepção de que processos de desidratação a frio preservam os nutrientes sem a necessidade de processamentos intensos.
Alimentação flexível, novos ingredientes e a busca por saúde
Estudos de mercado conduzidos pela consultoria Packaged Facts mostram que cerca de dois terços dos responsáveis costumam adicionar ingredientes extras à refeição diária dos seus animais. Batizada de alimentação flexível ou complementar, essa prática envolve combinar rações secas tradicionais com alimentos frescos, úmidos, cozidos e liofilizados.
Os responsáveis enxergam os pets como membros da família e buscam oferecer maior variedade, agradar animais com apetite seletivo e estimular o consumo de água — hábito crucial para a saúde dos felinos. Quase 70% dos responsáveis expressam preocupação com o nível de processamento das rações convencionais, vendo na liofilização uma resposta direta por produtos mais naturais e transparentes.
Essa demanda também tem levado a indústria a reconsiderar matérias-primas antes descartadas na cadeia produtiva. Subprodutos como vísceras, aparas e cortes menos nobres ganham alto valor agregado após passarem pelo processo.
Um exemplo marcante é a comercialização de cabeças de pato: antes destinadas exclusivamente à produção de farinha animal, hoje são liofilizadas e vendidas como petiscos premium nos Estados Unidos por valores entre US$ 7 e US$ 10. Contudo, especialistas do setor alertam que a inovação em ingredientes precisa considerar a viabilidade econômica do negócio:
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Custo de processamento: Matérias-primas baratas ou gratuitas podem se tornar inviáveis se exigirem ciclos de congelamento e vácuo muito longos.
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Constância no suprimento: A falta de oferta contínua de proteínas alternativas ou exóticas pode inviabilizar a manutenção de produtos no portfólio fixo.
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Aposta nos “toppers”: O formato de cobertura (pó ou pedaços para adicionar sobre a ração) destaca-se como uma excelente alternativa para entregar nutrição de ponta a preços mais acessíveis.

Desafios fabris, automação e ganho de escala
Do ponto de vista industrial, o maior desafio da liofilização é conciliar um processo realizado nativamente em bateladas (ciclos fechados por etapas) com as linhas tradicionais de ração, que funcionam de forma contínua em esteiras.
Para contornar essa limitação e ganhar escala, fabricantes têm investido na padronização rigorosa do peso das bandejas, na automação do carregamento das câmaras e em sistemas compartilhados de refrigeração. A padronização é essencial, pois pequenas variações no volume das bandejas podem acrescentar horas desnecessárias ao processo e gerar perdas financeiras ao longo do ano.
A expectativa da indústria é que, nos próximos cinco anos, a infraestrutura fabril se consolide totalmente e que o uso de inteligência artificial ajude a otimizar o tempo de ciclo e o consumo de energia, tornando os alimentos liofilizados um padrão industrial padronizado e escalável.
Fonte: Petfood Industry, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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