Com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a prevenção à crueldade contra animais, a campanha Abril Laranja reúne diversas iniciativas que incentivam a denúncia de maus-tratos e promovem o bem-estar animal. Mas, embora muitas pessoas pensem que apenas a violência física ou o abandono são casos de maus-tratos, outras formas de negligência também podem comprometer a saúde e a qualidade de vida dos pets. A falta de cuidado adequado com a alimentação de cães e gatos, por exemplo, pode estar entre as principais delas.
A médica-veterinária de Guabi Natural (BRF Pet), Mayara Andrade, comenta que a negligência nutricional pode ocorrer de diversas formas, desde a falta de comida suficiente até o fornecimento de dietas inadequadas, o que pode causar problemas graves de saúde nos pets, incluindo desnutrição, obesidade e deficiências nutricionais.

Segundo Mayara, adotar um animal vai além de oferecer carinho. “Segundo a WSAVA (World Small Animal Veterinary Association), para cuidar de forma adequada dos pets, precisamos pensar nas cinco necessidades de bem-estar animal, que são: necessidade de um ambiente adequado; de dieta adequada: de ser alojado com, ou afastado, de outros animais; de poder expressar padrões normais de comportamento; além de necessidade de ser protegido da dor, sofrimento, trauma e doença”, menciona.
É válido lembrar que, no Brasil, 4,8 milhões de cães (60%) e gatos (40%) vivem em condições de vulnerabilidade – segundo o Instituto Pet Brasil, muitos deles sofrendo de fome extrema. No entanto, mesmo pets que possuem um lar podem estar sujeitos a maus-tratos quando não recebem uma alimentação adequada.
“Um cão ou gato que recebe uma alimentação de baixa qualidade, sem os nutrientes necessários, pode sofrer consequências como perda de peso com perda de massa muscular, pele seca com descamação, pelo opaco e quebradiço, edemas, alterações hepáticas, apatia, anorexia, além de maior predisposição a doenças e diminuição da taxa de sucesso em tratamentos médicos e internações. O mesmo acontece quando os tutores oferecem restos de comida ou dietas caseiras sem orientação profissional”, alerta Mayara.
Além disso, o excesso de comida ou o consumo de alimentos inapropriados também são prejudiciais à saúde dos pets. Um estudo da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), por exemplo, mostrou que 40,5% dos pets estão com problemas relacionados ao peso, ou seja, em situação de sobrepeso ou obesidade, o que pode levar a doenças como diabetes, problemas cardíacos e ortopédicos, além disso, reduz a expectativa de vida dos pets e aumenta a predisposição ao câncer.
