Opções
Pets e Curiosidades

Operação da PF e Vigilância Sanitária mira clínica veterinária ligada a emendas de R$ 11 milhões em SP

Investigação que envolve o STF aponta desvios em contratos de saúde animal, empresas fantasmas e falhas no rastreamento de microchips em SP e no RJ

Operação da PF e Vigilância Sanitária mira clínica veterinária ligada a emendas de R$ 11 milhões em SP
Por Equipe Cães&Gatos
22 de junho de 2026
Última atualização: 22/06/2026 - 12:48

Uma operação conjunta realizada pela Polícia Federal (PF) e pela Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo expôs um suposto esquema de corrupção, fraudes e desvio de finalidade em mutirões públicos de castração de cães e gatos. A ação investiga a aplicação de recursos do projeto Castra+ São Paulo, que foi bancado por uma emenda parlamentar de R$ 11 milhões do deputado federal Bruno Lima (Podemos).

Os desdobramentos dessa fiscalização conectam o cenário paulista à Operação Castratio, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação nacional apura se o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) liderava uma organização criminosa para favorecer clínicas veterinárias em 19 contratos com o governo do Rio de Janeiro que somam R$ 193 milhões.

Conexão entre os contratos de SP e as fraudes no RJ

O elo entre os dois estados é o médico-veterinário e ex-vereador Ricardo Almeida de Souza. Ele atua no Castra+ São Paulo por meio da empresa FSM Serviços Veterinários em Osasco (SP), mas foi alvo de busca e apreensão da PF em sua outra empresa, a Clínica Veterinária Ricardo, sediada em Mairinque (SP).

Segundo o STF, a clínica de Ricardo teria participado de fraudes licitatórias de R$ 19 milhões e enviado R$ 1,7 milhão para a Construvet, clínica do Rio de Janeiro que está no centro do esquema de desvios. O veterinário nega as irregularidades e afirma que prestou os serviços no Rio, mas não recebeu “um centavo” da emenda investigada. Ele afirma que sua estrutura em Osasco estava operando regularmente e tem total capacidade técnica, contando com 11 castramóveis.

Policia Federal
Ação policial investiga fraudes em contratos públicos de saúde animal (Foto: Divulgação)

Microchips fantasmas e clínicas sob suspeita

Além do escândalo financeiro, as investigações do projeto Castra+ em São Paulo — gerido pela Associação Catarinense de Gestão Hospitalar (CHC) em convênio com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) — revelaram graves falhas operacionais:

  • Microchips fantasmas: O Castra+ já recebeu R$ 5,6 milhões por ter castrado 14,9 mil animais e realizado a microchipagem em 30,1 mil. No entanto, uma auditoria em 500 registros de microchips revelou que 439 animais cadastrados são impossíveis de serem rastreados.

  • Abandono de animais no PR: Outra empresa contratada pelo Castra+ SP, a Dengoso e Manhosos, pertence aos mesmos sócios da Clinicão, empresa investigada pela Polícia Civil do Paraná sob a grave suspeita de soltar cães recém-operados em vias públicas na cidade de Ponta Grossa (PR).

  • Bloqueios em SC: A própria CHC, que gerencia o dinheiro do programa, já teve repasses suspensos pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) por irregularidades contratuais em Itajaí (SC).

Em nota oficial, o deputado federal Bruno Lima (Podemos-SP) eximiu-se de culpa, alegando que sua participação se restringe ao envio da emenda parlamentar. “Não tenho conhecimento de irregularidades ou investigações envolvendo as empresas mencionadas. A habilitação da entidade, a execução do convênio e sua fiscalização são atribuições do MMA”, declarou. O deputado Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) também nega as acusações.

Fonte: Metrópoles, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

FAQ sobre as investigações do projeto Castra+ e Operação Castratio

O que motivou a operação da Polícia Federal nessas clínicas de SP?

A operação foi deflagrada para investigar a regularidade do uso de verbas públicas do projeto Castra+ São Paulo, um programa financiado por uma emenda parlamentar de R$ 11 milhões do deputado Bruno Lima (Podemos), apurando desvios e conexões com um esquema nacional de fraudes em mutirões de castração que soma R$ 193 milhões no Rio de Janeiro.

Qual a fraude descoberta nos microchips de cães e gatos em São Paulo?

Uma auditoria realizada em amostras do projeto Castra+ São Paulo apontou que quase 88% dos microchips analisados são impossíveis de rastrear (439 de 500 checados). O programa recebeu milhões de reais do governo federal para registrar e proteger esses animais, mas os dados não funcionam na prática.

Quem contrata as clínicas veterinárias investigadas pela Polícia Federal?

O projeto Castra+ funciona por meio de um convênio entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Associação Catarinense de Gestão Hospitalar (CHC). Os deputados destinam as emendas parlamentares, mas a responsabilidade técnica de habilitar, contratar e fiscalizar as clínicas e os veterinários parceiros é do governo federal e da CHC.