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Palatabilidade além do sabor: a ciência por trás da aceitação na nutrição pet

Ingredientes, processamento e comportamento estão entre os fatores que determinam a aceitação dos alimentos por cães e gatos

Palatabilidade além do sabor: a ciência por trás da aceitação na nutrição pet
Por Stéfani Campos Chagas
28 de outubro de 2026

A palatabilidade é um dos pontos estratégicos no desenvolvimento de alimentos para cães e gatos. Mais do que tornar um produto atrativo, ela está relacionada à capacidade de favorecer o consumo e precisa ser trabalhada em conjunto com composição nutricional, tecnologia de processamento e características sensoriais.

Em alimentos secos extrusados, por exemplo, alterações de matérias-primas e processos podem modificar aroma, sabor e textura. Nesse contexto, os palatabilizantes assumem papel importante, mas seu efeito não deve ser analisado isoladamente. 

A resposta do animal resulta da interação entre as características do alimento e fatores fisiológicos e comportamentais.

“O palatabilizante é um ingrediente ou sistema de ingredientes utilizado na formulação ou aplicado ao alimento. Já a palatabilidade representa uma resposta muito mais ampla”, explica João Marcel Camargo, zootecnista pós-graduado em Comportamento Animal e em Nutrição de Cães e Gatos, e consultor em desenvolvimento de produtos para animais de companhia.

Diversidade de ingredientes

João Marcel Camargo
João Marcel Camargo é zootecnista, pós-graduado em Comportamento Animal e em Nutrição de Cães e Gatos (Foto: Arquivo Pessoal)

Palatabilizantes podem ser formados por diferentes ingredientes. Entre as categorias tradicionais estão os digests de origem animal, obtidos por processos que quebram proteínas e resultam em peptídeos e aminoácidos. 

Também são utilizados hidrolisados proteicos, gorduras e óleos, derivados de leveduras, proteínas vegetais, aminoácidos e produtos de fermentação.

As reações de Maillard também têm relevância, pois podem gerar compostos associados a aromas de alimentos cozidos, assados e cárneos.

A origem da matéria-prima, porém, não determina sozinha a eficiência. Composição química, grau de hidrólise, perfil de peptídeos e aminoácidos, compostos voláteis, concentração e interação com os demais componentes interferem no resultado. 

“Faz mais sentido falar em sistemas de palatabilidade do que imaginar que um único ingrediente seja responsável pela aceitação do produto”, afirma.

Escolha começa na formulação

Derivados de proteínas animais continuam relevantes, especialmente em alimentos secos, enquanto novas fontes vêm sendo estudadas, como proteínas vegetais, leveduras, produtos de fermentação, coprodutos e insetos.

Hidrolisados de Hermetia illucens e Tenebrio molitor apresentam potencial, mas espécie, enzima utilizada e processamento podem modificar suas características. 

Assim, uma matéria-prima não pode ser considerada mais palatável apenas por sua origem.

A escolha deve considerar espécie, idade, composição nutricional, teor de gordura e fibras, textura, formato e processamento. Uma dieta para controle de peso, por exemplo, pode apresentar alterações que interferem nas características sensoriais.

O sistema de palatabilidade precisa, portanto, ser compatível com a proposta nutricional do alimento.

Confira o artigo completo “Palatabilidade além do sabor”, na íntegra e sem custo, acessando a página 54 da edição de outubro (nº 326) da Revista Cães e Gatos.