O mercado mexicano de pet food vive uma mudança estrutural que pode influenciar toda a América Latina. Tradicionalmente responsáveis apenas pela comercialização dos produtos, os varejistas passaram a investir no desenvolvimento de marcas próprias de alimentos para pets, assumindo um papel cada vez mais relevante na cadeia de valor do setor.
A tendência é apontada pelo relatório Pet Food in Mexico 2026, da Triplethree International, que destaca uma alteração significativa no equilíbrio de forças entre fabricantes e redes varejistas. Se antes as indústrias concentravam os investimentos em inovação, desenvolvimento de produtos e fortalecimento de marcas, agora os varejistas também disputam esse espaço com estratégias próprias.
A mudança acompanha o crescimento do mercado pet mexicano, considerado o segundo maior da América Latina, atrás apenas do Brasil, e reforça um movimento que pode servir de referência para outros países da região.
Marcas próprias deixam de competir apenas por preço
Durante muitos anos, os alimentos para pets vendidos sob marcas próprias eram vistos como alternativas mais econômicas em relação às marcas tradicionais. Esse cenário, porém, mudou.
Segundo o relatório, os varejistas mexicanos passaram a desenvolver produtos que competem também em qualidade nutricional, funcionalidade e valor agregado. Com isso, as marcas próprias deixam de ser apenas uma estratégia de preço e tornam-se ativos importantes para fortalecer a fidelização dos consumidores e ampliar as margens de lucro das empresas.
Outro fator que impulsiona essa transformação é o acesso privilegiado dos varejistas aos dados de compra dos consumidores. As redes conseguem acompanhar, praticamente em tempo real, quais produtos têm maior procura, quais categorias crescem mais rapidamente e quais são as preferências dos responsáveis pelos animais.
Essas informações permitem desenvolver produtos mais alinhados às demandas do mercado e ajustar rapidamente o portfólio conforme o comportamento de consumo, criando uma vantagem competitiva difícil de ser reproduzida pelos fabricantes tradicionais.
Além das informações sobre o consumidor, os varejistas também controlam toda a experiência de compra dentro das lojas.
Eles definem o espaço destinado às marcas nas prateleiras, organizam ações promocionais, estabelecem estratégias de exposição dos produtos e influenciam diretamente as decisões de compra dos clientes. Esse domínio sobre o ponto de venda fortalece ainda mais suas marcas próprias e amplia sua influência dentro da cadeia de pet food.
O estudo destaca que grandes redes, como Walmart, Costco, H-E-B e Chedraui, vêm ampliando sua atuação por meio da gestão de categorias, da escala operacional e do fortalecimento de seus portfólios exclusivos. Nesse cenário, os fabricantes deixam de competir apenas entre si e passam a enfrentar empresas que também controlam o acesso ao consumidor e a visibilidade dos produtos nas lojas.

Cenário cria desafios e oportunidades para a indústria
Apesar do aumento da concorrência, a transformação não elimina a importância dos fabricantes. O relatório ressalta que os varejistas continuam dependendo da experiência técnica da indústria para pesquisa, desenvolvimento, inovação e capacidade produtiva.
Por isso, a tendência é que parcerias estratégicas entre fabricantes e redes varejistas ganhem ainda mais importância nos próximos anos. Ao mesmo tempo, a indústria precisará investir continuamente em diferenciação, inovação e construção de marca para manter sua competitividade diante do avanço das marcas próprias.
Para especialistas, o futuro do mercado mexicano de pet food será definido não apenas pela capacidade de desenvolver novos produtos, mas também por quem conseguir capturar maior valor ao longo da cadeia de consumo — seja produzindo os alimentos ou controlando o relacionamento direto com os consumidores.
Fonte: Petfood Forum Brasil, adaptado pela equipe Cães&Gatos.
FAQ sobre varejistas fabricantes de pet food no México
Por que os varejistas estão produzindo alimentos para pets?
Porque as marcas próprias passaram a ser uma estratégia para aumentar a fidelização dos clientes, melhorar as margens de lucro e diferenciar as redes varejistas da concorrência, indo além da disputa por preços.
Qual é a principal vantagem dos varejistas em relação aos fabricantes?
Além de controlar o espaço nas lojas e as ações promocionais, eles têm acesso direto aos dados de compra dos consumidores, o que permite identificar tendências e desenvolver produtos mais alinhados às preferências do mercado.
Essa tendência pode influenciar outros países da América Latina?
Sim. Especialistas avaliam que o movimento observado no México pode servir de referência para outros mercados da região, aumentando a concorrência entre fabricantes tradicionais e marcas próprias e impulsionando novas estratégias comerciais.
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