Um estudo científico internacional acendeu um alerta para responsáveis e autoridades sanitárias globais ao identificar graves riscos de contaminação biológica em petiscos desidratados para cães. Amostras de mastigáveis de orelha suína comercializadas em gôndolas e caixas a granel nos Estados Unidos revelaram a presença de Salmonella e de bactérias geneticamente resistentes a múltiplos antibióticos, levantando preocupações para a saúde dos pets e dos humanos.
Embora esses produtos passem por processos industriais de desidratação e tratamento térmico para eliminar patógenos, as análises laborariais indicaram que a contaminação pode ocorrer ao longo de toda a cadeia produtiva. O acondicionamento inadequado em recipientes abertos no varejo e falhas na vedação das embalagens favorecem a recontaminação pós-processamento.
O risco da resistência bacteriana no ambiente doméstico
O achado mais preocupante das análises foi o isolamento de três bactérias resistentes à colistina, um antibiótico considerado de último recurso para o tratamento de infecções graves na medicina humana, além de cepas resistentes a carbapenêmicos. Ao consumirem os petiscos afetados, os cães podem atuar como portadores assintomáticos, espalhando os microrganismos pelo ambiente.
A transmissão para os seres humanos ocorre de forma cruzada, principalmente pela via fecal-oral ao manusear os alimentos sem a higiene adequada ou pelo contato direto com a saliva e pelos dos animais de estimação. Crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas são os grupos que apresentam maior vulnerabilidade para quadros graves.

Recomendações de segurança e higienização
Diante dos resultados, autoridades sanitárias recomendam o uso de métodos adicionais de descontaminação pelos fabricantes, como a irradiação ou o cozimento térmico estrito, seguidos obrigatoriamente pelo envase em embalagens individuais seladas para mitigar os riscos de exposição bacteriana no comércio.
Para os responsáveis, a orientação dos médicos-veterinários é lavar rigorosamente as mãos com água e sabão imediatamente após o manuseio de qualquer petisco desidratado e manter a higienização constante dos potes e das superfícies de contato dos animais.
Fonte: Petfood Forum Brasil, adaptado pela equipe Cães&Gatos.
FAQ sobre bactérias em petiscos desidratados
Quais bactérias foram encontradas nos petiscos para cães?
Os testes laboratoriais identificaram contaminação por Salmonella e bactérias com resistência genética a antibióticos críticos e de último recurso, como a colistina, representando riscos de infecções difíceis de tratar em humanos e animais.
Como ocorre a contaminação de seres humanos por esses produtos?
A transmissão acontece de forma cruzada quando as pessoas manipulam os mastigáveis contaminados e não lavam as mãos, ou pelo contato direto com a saliva, dejetos e pelos dos cães que ingeriram o petisco.
O processo de fabricação tradicional não elimina os germes?
O tratamento térmico e a desidratação eliminam os patógenos inicialmente, mas o estudo aponta que falhas no isolamento dos produtos e a venda de petiscos a granel em caixas abertas facilitam a recontaminação no transporte ou nas lojas.

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.