Opções
Clínica e Nutrição Pets e Curiosidades

Petiscos para pets: como escolher opções seguras e quais devem ser evitadas

Médica-veterinária explica como identificar petiscos de qualidade, alerta para os riscos dos mastigáveis de couro e orienta os responsáveis sobre escolhas mais seguras

Petiscos para pets: como escolher opções seguras e quais devem ser evitadas
Por Stéfani Campos Chagas
3 de agosto de 2026

Os petiscos industrializados conquistaram espaço na rotina de cães e gatos e podem ser aliados no treinamento, no enriquecimento ambiental e até na administração de medicamentos.

No entanto, nem todo produto disponível no mercado oferece qualidade nutricional ou segurança sanitária. Saber interpretar os rótulos e conhecer os diferentes tipos de petiscos faz toda a diferença para preservar a saúde dos animais.

O tema ganhou ainda mais relevância após um estudo identificar a presença de Salmonella e bactérias resistentes a antibióticos em alguns petiscos mastigáveis comercializados internacionalmente, reforçando a importância da procedência e do armazenamento adequado desses produtos.

Segundo a médica-veterinária pós-graduada em Nutrição de cães e gatos, Ingrid Manzoni, os petiscos podem fazer parte da alimentação, desde que sejam oferecidos com moderação.

“O petisco é um complemento, e não um substituto da alimentação principal. Existe uma regra prática importante: eles não devem ultrapassar cerca de 10% das calorias diárias do animal. Acima disso, começam a desequilibrar a dieta e favorecem o ganho de peso”, explica.

Além de agradarem ao paladar dos animais, os petiscos podem ser utilizados como reforço positivo durante treinamentos, fortalecer o vínculo entre responsáveis e pets, estimular comportamentos naturais e até auxiliar na saúde bucal, dependendo do produto escolhido.

Como escolher um petisco de qualidade

Na hora da compra, o primeiro cuidado deve ser verificar se o produto possui registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), além da identificação do fabricante, número de lote, validade e orientações de uso.

Outro ponto importante é analisar a composição. De acordo com Ingrid, ingredientes descritos de forma específica, como “fígado bovino desidratado”, transmitem mais confiança do que denominações genéricas, como “subprodutos de origem animal”.

A veterinária ressalta, ainda, que rótulos com promessas exageradas merecem desconfiança, já que alegações sem comprovação são proibidas pela legislação.

petiscos
A quantidade diária de petiscos não deve ultrapassar 10% das calorias totais recomendadas para a dieta do animal (Foto: Reprodução)

Quais petiscos são as melhores opções?

Entre os produtos disponíveis no mercado, os petiscos desidratados produzidos a partir de órgãos e tecidos, como fígado, pulmão, traqueia e orelha, costumam apresentar vantagens por serem minimamente processados e possuírem poucos ingredientes.

No entanto, Ingrid destaca que eles não são indicados para todos os animais. Por apresentarem altas concentrações de proteína, fósforo e purinas, esses produtos podem ser contraindicados para cães e gatos com doença renal, doença hepática, histórico de cálculos urinários e outras condições que exigem controle nutricional.

Já os biscoitos exigem atenção à composição. Produtos elaborados com ingredientes de melhor qualidade, como farinha de linhaça, tendem a oferecer mais benefícios do que aqueles ricos em farinha refinada, açúcar, gordura hidrogenada, sal e corantes.

“A leitura do rótulo é essencial na escolha”, reforça a profissional.

Cuidados com ossos de couro

Os tradicionais mastigáveis brancos, conhecidos popularmente como “ossos de couro”, estão entre os produtos que mais preocupam a médica-veterinária.

Segundo ela, além do intenso processamento químico utilizado durante a fabricação, esses produtos oferecem riscos importantes à saúde dos animais.

“Ao ser mastigado, o couro amolece com a saliva e incha. O animal pode engolir pedaços grandes, aumentando o risco de engasgo e de obstrução gastrointestinal, uma emergência que muitas vezes exige cirurgia”, sustenta.

A profissional acrescenta que esses mastigáveis também podem apresentar risco de contaminação microbiológica e que existem alternativas mais seguras para estimular a mastigação e contribuir para a higiene oral.

Segurança vai além do pet

O estudo que identificou Salmonella e bactérias resistentes a antibióticos em alguns mastigáveis reforça que a escolha da procedência é indispensável.

Ingrid orienta que os responsáveis devem evitar produtos vendidos a granel, sem identificação ou de origem desconhecida.

Outro ponto importante é que a Salmonella representa um risco também para as pessoas.

“A Salmonella é uma zoonose. O responsável pode se contaminar ao manusear o petisco, especialmente em casas com crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas”, informa.

Por isso, a orientação é higienizar as mãos após oferecer o produto, armazená-lo em local seco e protegido da umidade e descartar qualquer petisco que apresente odor alterado, mofo ou mudanças na aparência.

ossos de couro
Os ossos de couro sintético oferecem riscos graves de engasgo e bloqueio do trato gastrointestinal em cães (Foto: Reprodução)

Erros mais comuns na hora de oferecer petiscos

Entre os equívocos mais frequentes, Ingrid destaca ofertar petiscos sem contabilizar as calorias consumidas ao longo do dia, escolhê-los apenas pela embalagem ou pela propaganda e utilizá-los como substitutos da alimentação principal.

Para a médica-veterinária, a escolha deve sempre considerar a idade, o peso e a condição de saúde do pet.

“O petisco bom é aquele que agrada o animal sem comprometer a saúde dele”, conclui.