Os petiscos industrializados conquistaram espaço na rotina de cães e gatos e podem ser aliados no treinamento, no enriquecimento ambiental e até na administração de medicamentos.
No entanto, nem todo produto disponível no mercado oferece qualidade nutricional ou segurança sanitária. Saber interpretar os rótulos e conhecer os diferentes tipos de petiscos faz toda a diferença para preservar a saúde dos animais.
O tema ganhou ainda mais relevância após um estudo identificar a presença de Salmonella e bactérias resistentes a antibióticos em alguns petiscos mastigáveis comercializados internacionalmente, reforçando a importância da procedência e do armazenamento adequado desses produtos.
Segundo a médica-veterinária pós-graduada em Nutrição de cães e gatos, Ingrid Manzoni, os petiscos podem fazer parte da alimentação, desde que sejam oferecidos com moderação.
“O petisco é um complemento, e não um substituto da alimentação principal. Existe uma regra prática importante: eles não devem ultrapassar cerca de 10% das calorias diárias do animal. Acima disso, começam a desequilibrar a dieta e favorecem o ganho de peso”, explica.
Além de agradarem ao paladar dos animais, os petiscos podem ser utilizados como reforço positivo durante treinamentos, fortalecer o vínculo entre responsáveis e pets, estimular comportamentos naturais e até auxiliar na saúde bucal, dependendo do produto escolhido.
Como escolher um petisco de qualidade
Na hora da compra, o primeiro cuidado deve ser verificar se o produto possui registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), além da identificação do fabricante, número de lote, validade e orientações de uso.
Outro ponto importante é analisar a composição. De acordo com Ingrid, ingredientes descritos de forma específica, como “fígado bovino desidratado”, transmitem mais confiança do que denominações genéricas, como “subprodutos de origem animal”.
A veterinária ressalta, ainda, que rótulos com promessas exageradas merecem desconfiança, já que alegações sem comprovação são proibidas pela legislação.

Quais petiscos são as melhores opções?
Entre os produtos disponíveis no mercado, os petiscos desidratados produzidos a partir de órgãos e tecidos, como fígado, pulmão, traqueia e orelha, costumam apresentar vantagens por serem minimamente processados e possuírem poucos ingredientes.
No entanto, Ingrid destaca que eles não são indicados para todos os animais. Por apresentarem altas concentrações de proteína, fósforo e purinas, esses produtos podem ser contraindicados para cães e gatos com doença renal, doença hepática, histórico de cálculos urinários e outras condições que exigem controle nutricional.
Já os biscoitos exigem atenção à composição. Produtos elaborados com ingredientes de melhor qualidade, como farinha de linhaça, tendem a oferecer mais benefícios do que aqueles ricos em farinha refinada, açúcar, gordura hidrogenada, sal e corantes.
“A leitura do rótulo é essencial na escolha”, reforça a profissional.
Cuidados com ossos de couro
Os tradicionais mastigáveis brancos, conhecidos popularmente como “ossos de couro”, estão entre os produtos que mais preocupam a médica-veterinária.
Segundo ela, além do intenso processamento químico utilizado durante a fabricação, esses produtos oferecem riscos importantes à saúde dos animais.
“Ao ser mastigado, o couro amolece com a saliva e incha. O animal pode engolir pedaços grandes, aumentando o risco de engasgo e de obstrução gastrointestinal, uma emergência que muitas vezes exige cirurgia”, sustenta.
A profissional acrescenta que esses mastigáveis também podem apresentar risco de contaminação microbiológica e que existem alternativas mais seguras para estimular a mastigação e contribuir para a higiene oral.
Segurança vai além do pet
O estudo que identificou Salmonella e bactérias resistentes a antibióticos em alguns mastigáveis reforça que a escolha da procedência é indispensável.
Ingrid orienta que os responsáveis devem evitar produtos vendidos a granel, sem identificação ou de origem desconhecida.
Outro ponto importante é que a Salmonella representa um risco também para as pessoas.
“A Salmonella é uma zoonose. O responsável pode se contaminar ao manusear o petisco, especialmente em casas com crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas”, informa.
Por isso, a orientação é higienizar as mãos após oferecer o produto, armazená-lo em local seco e protegido da umidade e descartar qualquer petisco que apresente odor alterado, mofo ou mudanças na aparência.

Erros mais comuns na hora de oferecer petiscos
Entre os equívocos mais frequentes, Ingrid destaca ofertar petiscos sem contabilizar as calorias consumidas ao longo do dia, escolhê-los apenas pela embalagem ou pela propaganda e utilizá-los como substitutos da alimentação principal.
Para a médica-veterinária, a escolha deve sempre considerar a idade, o peso e a condição de saúde do pet.
“O petisco bom é aquele que agrada o animal sem comprometer a saúde dele”, conclui.

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