Muita gente pode interpretar a cena como uma simples demonstração de carinho, mas o ato do gato se esfregar no responsável tem significados mais profundos, de acordo com Aline Ambrogi, médica-veterinária e docente do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ).
Aline conta que o comportamento, que também é chamado de bunting, envolve, ao mesmo tempo, vínculo afetivo e marcação por meio de feromônios.
“Quando o gato se esfrega, ele libera substâncias químicas faciais associadas a bem-estar e reconhecimento social. O ato é uma forma de dizer que você faz parte do grupo dele”, explica a médica-veterinária.
Por possuírem glândulas produtoras de feromônio na região das bochechas, na base da cauda, no queixo e na testa, ao encostarem essas áreas no corpo humano, em móveis ou objetos, os felinos liberam uma substância conhecida como F3, ligada à sensação de segurança e familiaridade.
Por isso, em um ambiente doméstico, trata-se de uma maneira afiliativa.
“Eles tendem a se encostar mais em pessoas nas quais confiam, justamente por ser uma atitude de proximidade voluntária”, diz Aline.

Por que o bichano se esfrega mais quando você chega em casa?
Se a atitude se intensifica na volta do responsável para a casa, isso também tem explicação. Um dos motivos é o “restabelecimento do cheiro do grupo”.
Ao sair, o responsável entra em contato com odores externos e, ao retornar, o animal “atualiza” essa identidade olfativa.
Outro fator relacionado a esse comportamento pode ser a excitação positiva típica de saudação ou uma maneira do gato tentar substituir o cheiro de outro “bicho”, que percebeu, reforçando o próprio vínculo.
“Não é ciúme no sentido humano, é uma comunicação social e um reconhecimento de grupo”, esclarece a profissional.
Por se tratar de uma ação saudável, a veterinária sugere que o responsável incentive o esfregar com carinho, desde que o bichano esteja confortável.
“Não é necessário corrigir, apenas impor limites se houver risco, como quase derrubar alguém. Além disso, ignorar completamente pode frustrar animais mais carentes”, conta Aline.
É importante, ainda, se atentar a quando o comportamento deixar de ser normal. A médica-veterinária diz que isso acontece quando ocorre de maneira excessiva e vem acompanhado de coceira intensa, lesões cutâneas, secreção no ouvido ou dor ao toque, podendo indicar problemas como otite, dermatite ou presença de ectoparasitas.
Existe diferença na região em que o gato se esfrega?

Segundo a docente do curso de Medicina Veterinária do UniFAJ, a resposta é sim. Cada área do corpo do cuidador que é encostada pode ter um significado diferente.
- Cabeça e rosto: sinalizam confiança máxima, troca de feromônio facial e vínculo social forte;
- Pernas do responsável: costuma indicar saudação, pedido de atenção ou até solicitação de alimento, além de demarcação de grupo;
- Lateral do corpo: pode estar relacionada à comunicação territorial amigável e à marcação ambiental.
E quando o felino se esfrega em móveis e paredes? Aline explica que isso também é normal.
“Nesse caso, o animal está delimitando um território considerado seguro e criando um ‘mapa olfativo’ do ambiente, o que ajuda a reduzir o estresse leve”, pontua.
Mas, se essa ação aumentar de forma exagerada e vier acompanhada de vocalização excessiva, demarcação urinária ou corridas após mudanças no ambiente, pode estar relacionada à irritação.
Além disso, mesmo se o bichano for castrado, ele pode se encostar no cuidador, já que a castração reduz a marcação urinária territorial e comportamentos ligados à reprodução, porém não elimina a demarcação facial, que está associada a vínculo e sensação de segurança.
FAQ sobre por que os gatos se esfregam em pessoas
A atitude do felino de encostar no cuidador é sempre sinal de carinho?
Não, o comportamento envolve demonstração de afeto, fortalecimento de vínculo e marcação com feromônios faciais associados a bem-estar e reconhecimento social.
Por que o felino se esfrega mais quando o responsável chega em casa?
Essa ação ocorre para restabelecer o cheiro do grupo, demonstrar excitação positiva de saudação e, em alguns casos, substituir odores de outros animais.
Quando essa atitude deixa de ser normal?
Quando ocorre de forma excessiva e vem acompanhada de coceira intensa, lesões cutâneas, secreção no ouvido ou dor ao toque, pode ser sinal de que algo não está certo.

