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A dor da separação: o que está por trás da ansiedade em cães

Confira o artigo completo “A dor da separação”, na íntegra e sem custo, acessando a página 26 da edição de outubro (nº 326) da Revista Cães e Gatos.

A dor da separação: o que está por trás da ansiedade em cães
Por Stéfani Campos Chagas
30 de outubro de 2026

Os transtornos relacionados à separação, por muito tempo chamados simplesmente de ansiedade de separação, fazem parte da rotina clínica de atendimentos dos médicos-veterinários, especialmente quando se fala em cães. 

Esse comportamento pode ter diferentes causas, dentre elas, medo e frustração, requerendo uma investigação criteriosa para definir o que está por trás da alteração. 

“Pesquisas apontam que quase 90% dos cães demonstram desconforto quando não estão com a família. Isso acontece devido ao processo de domesticação desses animais, que aconteceu há muitos anos. Considerando esse dado, é comum existirem alterações de comportamento quando o animal está longe dos responsáveis”, explica Juliana Gil, médica-veterinária mestre em Etologia e Bem-Estar Animal, pós-graduada em Etologia Clínica Veterinária e Neurociências e Comportamento, co-fundadora do Psicovet Centro e atual presidente da Associação Brasileira de Medicina Veterinária Comportamental (ABMEVEC). 

Segundo a profissional, os animais podem apresentar diferentes sintomas frente aos transtornos de separação. Há os que deixam de comer e beber água, além de não fazerem as necessidades (urinar ou defecar), demonstrando o sofrimento de forma passiva. 

Por outro lado, certos cães podem latir de forma excessiva, destruir objetos, arranhar a porta, tentar pular na maçaneta e até urinar fora do lugar, por exemplo. 

“No geral, quando a família sai muitos cães vão latir por alguns minutos e depois seguem com a sua rotina. Quando há algum transtorno associado, os latidos podem durar por horas e parar apenas para que o animal descanse devido ao cansaço físico”, comenta. 

Juliana Gil
Juliana Gil é médica-veterinária, mestre em Etologia e Bem-Estar Animal, co-fundadora do Psicovet Centro e atual presidente da Associação Brasileira de Medicina Veterinária Comportamental (ABMEVEC) (Foto: Arquivo Pessoal)

Ausência de pessoas e animais 

O mais comum é pensar no transtorno de separação desencadeado pela ausência de pessoas. Ou seja, quando o animal fica sozinho manifesta o comportamento. 

Contudo, Juliana relata que isso também pode acontecer com pets que conviveram a vida toda juntos e, de repente, um deles morre. 

“O cão que ficou pode entrar em estado de transtorno relacionado à separação pela ausência do companheiro da mesma espécie”, pontua.

Inclusive, na prática, não é correto dizer que existem animais mais predispostos à condição do que outros, especialmente no que diz respeito a raças. 

A médica-veterinária destaca que, do ponto de vista neurocientífico, o comportamento é um conjunto de resultados, que envolve genética, experiências na infância e até aspectos do desenvolvimento. 

“Então, existe um conjunto de fatores predisponentes. Sabemos que cães que passaram por desmame precoce e foram separados da mãe antes dos 60 dias, ou até sofreram maus-tratos e abandono na primeira infância, possuem maior probabilidade de desenvolver esses problemas”, diz. 

Além disso, animais que vivem em lares com uma pessoa só também podem apresentar maior predisposição para a síndrome, assim como os que são criados com sedentarismo e sem receber estímulos cognitivos e físicos, e os que passam por mudanças importantes na rotina. 

“Não podemos esquecer de alguns problemas médicos que podem piorar o quadro, como as dores crônicas e a síndrome da disfunção cognitiva”, cita Gil.

Confira o artigo completo “A dor da separação”, na íntegra e sem custo, acessando a página 26 da edição de outubro (nº 326) da Revista Cães e Gatos.