O cão comunitário Orelha, de aproximadamente 10 anos, que morreu após sofrer agressões na Praia Brava, no Norte de Florianópolis (SC), era conhecido pelos moradores como um animal dócil, brincalhão e muito presente na rotina do bairro.
O caso, que ganhou repercussão local e nas redes sociais, é investigado pela Polícia Civil de Santa Catarina, que apura a participação de adolescentes nas agressões.
Orelha foi encontrado agonizando no dia 15 de janeiro por moradores da região e levado para atendimento veterinário.
Diante da gravidade dos ferimentos, o animal precisou ser submetido à eutanásia.
Cuidado pela vizinhança
Orelha era um dos cães comunitários que se tornaram mascotes da Praia Brava. A região conta com três casinhas destinadas aos animais, e o cachorro convivia diariamente com moradores, outros cães do bairro e também com turistas que frequentavam a praia.
A médica veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o animal, descreveu Orelha como “sinônimo de alegria”.
Segundo ela, o cachorro era extremamente dócil e tinha o hábito de se aproximar sempre que alguém demonstrava intenção de fazer carinho.
Não havia um responsável único pelos cuidados do animal. Ainda assim, de acordo com a veterinária, Orelha nunca ficou sem atendimento médico, recebendo vermifugação, vacinas e consultas sempre que necessário, com os custos divididos espontaneamente entre moradores.

Investigações e mandados de busca
A Polícia Civil identificou pelo menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento nas agressões contra Orelha.
Na manhã desta segunda-feira (26), os agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
As apurações começaram após uma denúncia indicando que um grupo de adolescentes teria sido responsável pelos maus-tratos.
Caso a autoria seja confirmada, o relatório da investigação será encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei, em razão da idade dos envolvidos.
Além desse caso, a polícia também investiga um segundo episódio de maus-tratos, envolvendo um cão caramelo que teria sido levado ao mar no colo por um adolescente, mas conseguiu sair da água.
Comoção e mobilização por justiça
A morte de Orelha provocou forte mobilização na comunidade. Desde o ocorrido, moradores da Praia Brava, organizações de proteção animal, autoridades públicas e personalidades passaram a se manifestar cobrando esclarecimentos.
No sábado (17), foi realizada a primeira mobilização pública no bairro. No último sábado (24), um novo protesto reuniu dezenas de pessoas vestindo camisetas personalizadas e segurando cartazes com frases como “Justiça por Orelha”.
A caminhada contou com a presença de moradores acompanhados de seus próprios cães e incluiu uma oração em homenagem ao animal.
A mobilização também ganhou força nas redes sociais com a hashtag #JustiçaPorOrelha.
Em nota, a Associação de Moradores da Praia Brava destacou que Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e se tornou um símbolo simples, porém muito querido, da convivência entre pessoas, animais e o espaço comunitário.
O caso segue sob investigação.

Fonte: G1 e CNN, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre caso Orelha
Quem era Orelha?
Um cão comunitário de cerca de 10 anos, dócil e conhecido por moradores e turistas da Praia Brava, em Florianópolis.
O que aconteceu com o animal?
Orelha foi encontrado gravemente ferido, levado para atendimento veterinário e submetido à eutanásia devido à gravidade das agressões.
Quem é suspeito pelas agressões?
Um grupo de adolescentes é investigado pela Polícia Civil, que cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados ao caso.
