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Setor pet brasileiro projeta R$ 81,3 bilhões em 2026, mas alta carga tributária limita crescimento do mercado

Relatório com dados de faturamento e população animal aponta desaceleração global pós-pandemia e reforça como impostos de até 51% encarecem produtos e contêm o potencial produtivo no país

Setor pet brasileiro projeta R$ 81,3 bilhões em 2026, mas alta carga tributária limita crescimento do mercado
Por Equipe Cães&Gatos
25 de setembro de 2026
Última atualização: 25/09/2026 - 16:11

O mercado pet brasileiro encerrou 2025 com faturamento de R$77,96 bilhões, representando crescimento de 3,56% em relação ao ano anterior (R$ 75,4 bilhões). A desaceleração em relação aos anos anteriores reflete uma tendência global observada após o forte avanço registrado no período pós-pandemia. Os dados fazem parte do estudo de Faturamento e População Pet no Mundo – 2026 elaborado pela Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação – Abempet, que projeta crescimento de 4,35% para 2026 com base no 1º semestre. (4,21% 1º Tri)

(Fonte: Data Pet)

Fatores como inflação, câmbio, desaceleração do consumo e, especialmente, alta carga tributária seguem impactando o desempenho do setor a nível Brasil. Para exemplificar, a valorização do dólar influencia diretamente o custo de ingredientes básicos utilizados pela indústria, especialmente no segmento de pet food. Esse cenário se intensifica em mercados como o Brasil, onde a tributação do setor pode chegar até 51% conforme o estado — um patamar significativamente superior ao praticado em economias concorrentes: Estados Unidos (8% a 10%), União Europeia (15% a 18%) e China, que implementa políticas ativas de estímulo ao mercado pet.

“O setor pet segue sólido, mas os resultados refletem os desafios econômicos globais e o peso da alta tributação sobre os produtos e serviços do setor no Brasil. Ainda assim, os indicadores demonstram que o setor mantém crescimento consistente em diferentes frentes, incluindo faturamento, população pet e exportações — apesar das barreiras que o contêm”, informa Caio Villela, CEO da Abempet.

Faturamento Total do Setor Pet Brasileiro

O setor pet brasileiro projeta faturamento de R$ 81,35 bilhões em 2026, com crescimento de 4,35% em relação a 2025 (R$ 77,96 bilhões). A trajetória histórica evidencia a resiliência e o potencial de crescimento consistente do setor, mesmo em cenários econômicos adversos.

Evolução do Faturamento Total do Setor Pet Brasil (R$ bilhões):

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(Fonte: Data Pet / Elaboração Abempet)

Faturamento por Segmento — Projeção 2026 (Base 1º Sem.)

O pet food mantém sua posição dominante no setor, representando 52,8% do faturamento total. Os demais segmentos também registram crescimentos expressivos: pet vet avança 5,11%, serviços gerais 6,01% e serviços veterinários 4,67%, demonstrando a crescente diversificação e sofisticação do setor.

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(Fonte: Data Pet / Elaboração Abempet)
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(Fonte: Data Pet / Elaboração Abempet)

Canais de Acesso aos Produtos e Serviços Pet — 2026

Os pet shops (pequenos e médios) lideram os canais de acesso com 48,0% do faturamento total, consolidando sua posição como principal ponto de venda do setor. Na sequência, as clínicas e hospitais veterinários representam 17,3% do faturamento, seguidos pelas megastores (9,6%), varejo alimentar (8,7%) e e-commerce (8,7%).

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(Fonte: Data Pet / Elaboração Abempet)

Comércio Eletrônico Pet — 2026

O e-commerce pet movimenta R$ 7,11 bilhões (8,7% do faturamento total do setor). Dentro do canal digital, o e-commerce puro lidera com 38,5% das vendas online, seguido pelos pet shops mega store (32,0%) e pelos pet shops pequenos e médios (19,5%). Juntos, esses três canais respondem por 90% do faturamento eletrônico:

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(Fonte: Data Pet / Elaboração Abempet)

População Pet e a posição-chave do Brasil

Atualmente, a China lidera o ranking mundial de população pet, com mais de 438 milhões de animais, seguida pelos Estados Unidos, com mais de 290 milhões. O Brasil ocupa a terceira colocação mundial, com uma população estimada em 166,8 milhões de pets — crescimento de 2,33% em relação a 2024. Quando o recorte é a produção e consumo de alimentos para pets, o Brasil avança para a segunda colocação global.

Distribuição da população pet brasileira por espécie:

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(Fonte: Euromonitor / Elaboração Abempet)
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(Fonte: Euromonitor / Elaboração Abempet)

A tendência de crescimento dos gatos se destaca tanto no Brasil quanto no mundo. No cenário global, a população felina avançou 2,3% em 2024, enquanto os cães cresceram 1,9%. No Brasil, o crescimento é ainda mais expressivo: os gatos registraram alta de 4,5%, consolidando a espécie como principal impulsionadora das categorias de pets. Por trás desse crescimento, há a leitura das mudanças de comportamento, intensa urbanização em paralelo aos espaços menores nas grandes cidades.

O país também mantém posições estratégicas em outras categorias: possui a segunda maior população de aves canoras e ornamentais do mundo (44,3 milhões de aves), reforçando sua relevância na cadeia global do setor pet.

Distribuição por Região:

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(Fonte: Euromonitor / Elaboração Abempet)

O Sudeste concentra 48,2% da população pet nacional (80,4 milhões de animais), seguido pelo Nordeste (23,0%, 38,4 milhões), Sul (17,8%, 29,7 milhões), Centro-Oeste (7,2%, 12,0 milhões) e Norte (3,8%, 6,3 milhões).

Faturamento do Setor Pet Food no Brasil

Os dados do primeiro semestre de 2026 revelam trajetória positiva para a indústria brasileira de pet food, com registro de um pequeno crescimento. Comparando o 1º semestre de 2026 com o mesmo período de 2025, o faturamento registrou crescimento tímido de 1,80%. A projeção anual, considerando a pesquisa nos Pet Shops realizada pelo Data Pet, é de R$ 42,96 bilhões para 2026, um avanço projetado de 3,72% (3,68% 1º Trim.).

Esse leve avanço sinaliza recuperação do setor após crescimento mais moderado no ano anterior, refletindo maior confiança e demanda do consumidor. Um dado importante: enquanto o faturamento projetado é de 3,72%, o volume de pet food registrou um crescimento bem mais modesto: 0,10% entre 2024 e 2025, e projeção de 1,05% entre o 2025 e 2026. Essa desconexão entre volume e faturamento indica aumento dos preços médios e migração estratégica dos consumidores para segmentos premium, com maior valor agregado.

Exportações: Força Brasileira em Contexto Global

O primeiro semestre de 2026 apresentou desempenho positivo nas exportações brasileiras do setor pet. Comparando janeiro a março de 2026 com o mesmo período de 2025, o valor total exportado pelos 22 NCMs monitorados foi 12% superior (9% 1º Trim.).

O segmento de pet food lidera amplamente as exportações, representando 89% do total exportado, seguido por pet care (9%) e animais vivos (1,5%). Essa concentração demonstra a força e competitividade da indústria brasileira em um segmento de alto valor agregado.

No cenário de importações, Áustria, Estados Unidos e China concentram cerca de 70% do valor total importado pelo Brasil. Entretanto, quando se compara o primeiro semestre de 2026 com o primeiro trimestre de 2025, observa-se uma redução expressiva de 39% no valor das importações de todas as origens, reflexo da substituição por produção local.

O Setor Pet como Pilar Estratégico da Economia

“Os dados mostram que o setor pet segue demonstrando consistência e capacidade de adaptação, mesmo em um cenário econômico mais desafiador. O vínculo cada vez mais forte entre pessoas e animais, posse responsável, continua impulsionando o mercado, especialmente em segmentos ligados à qualidade de vida, nutrição e bem-estar dos pets. Ao mesmo tempo, o Brasil mantém uma posição estratégica no cenário global, tanto pelo tamanho da sua população pet quanto pela relevância e competitividade da sua indústria”, diz, Caio Villela, CEO da Abempet

Um estudo econômico apresentado em Brasília, em 2024, demonstrou que a redução da carga tributária sobre o setor pet poderia elevar a produção industrial para até 9 milhões de toneladas anuais, ampliar o consumo pelas famílias e gerar um aumento estimado de até 210% na arrecadação de tributos.

“O setor pet não é consumo supérfluo. O reconhecimento da sua essencialidade é uma discussão de política pública. As medidas públicas precisam ser coerentes: estimular o cuidado, não encarecê-lo. 2026 é o ano do reconhecimento; 2027, o momento da revisão justa da Reforma Tributária.”, sustenta José Edson Galvão de França, presidente do Conselho Gestor da Abempet

Diante desse cenário, a Abempet vem ampliando sua atuação institucional e a interlocução com órgãos públicos, autoridades e representantes do setor produtivo, levando dados, estudos e propostas às principais discussões econômicas e tributárias do país.

No segmento de pet food, por exemplo, as projeções indicam que a arrecadação poderia passar de R$ 6,3 bilhões em 2024 para R$ 19,6 bilhões em 2034 em um cenário de alíquota reduzida, R$ 3,2 bilhões acima do projetado sem alteração da carga.

Para a Abempet, representar o setor significa antecipar impactos, construir pontes com interlocutores estratégicos e transformar as demandas das empresas em propostas tecnicamente fundamentadas, contribuindo para um ambiente mais competitivo, com estímulo à produção, aos investimentos, geração de empregos e ao acesso da população aos produtos pet.

Fonte: Abempet, adaptado pela equipe Cães&Gatos.