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Na SACAVET, diferenciação entre linfoma intestinal e enteropatia crônica segue como desafio clínico

Durante a SACAVET, o médico-veterinário Me. Pedro Vilela Pedroso Horta destacou as limitações diagnósticas e a importância da abordagem clínica integrada em gatos com distúrbios gastrointestinais crônicos

Na SACAVET, diferenciação entre linfoma intestinal e enteropatia crônica segue como desafio clínico
Por Melissa Marques
28 de março de 2026
Última atualização: 30/03/2026 - 01:02

A distinção entre linfoma intestinal e enteropatia crônica inflamatória em gatos continua sendo um dos principais desafios da clínica veterinária. 

Durante a SACAVET, o médico-veterinário Me. Pedro Vilela Pedroso Horta ressaltou que a dificuldade começa, muitas vezes, ainda na interpretação dos sinais clínicos.

“Existe uma ideia muito difundida de que é normal o gato vomitar, mas isso não é verdade. Vômito recorrente precisa ser investigado, sempre. Quando a gente aprofunda a anamnese, muitas vezes descobre que aquele animal vomita com frequência e isso foi sendo normalizado”, explicou.

Sinais inespecíficos e diagnóstico desafiador

Os quadros intestinais crônicos costumam apresentar sinais pouco específicos, como perda de peso, alterações nas fezes e apetite preservado. 

Em muitos casos, o animal continua se alimentando bem, mas não absorve adequadamente os nutrientes.

Esse conjunto de sinais pode estar relacionado tanto a processos inflamatórios quanto neoplásicos, o que torna a diferenciação complexa.

Antes de avançar no diagnóstico, é fundamental descartar outras causas. Doenças hepáticas, endócrinas, infecciosas e até efeitos medicamentosos podem apresentar manifestações semelhantes.

Exames auxiliam, mas não definem o diagnóstico

A investigação inclui exames laboratoriais e de imagem, mas nenhum deles, isoladamente, é capaz de fechar o diagnóstico.

A dosagem de vitaminas como B12 e folato pode indicar alterações na absorção intestinal e sugerir a localização do problema. Já a ultrassonografia permite avaliar espessamento intestinal e alterações estruturais.

“O ultrassom é excelente para mostrar que existe uma alteração, mas ele não diferencia a causa. Pode ser inflamação, pode ser alergia, pode ser câncer. A gente precisa ir além disso para chegar ao diagnóstico”, destacou.

Na SACAVET, diferenciação entre linfoma intestinal e enteropatia crônica segue como desafio clínico
Avaliação clínica completa é fundamental para condução dos casos (Foto: Cães & Gatos)

Biópsia segue como padrão ouro

Diante das limitações dos exames complementares, a biópsia intestinal continua sendo a principal ferramenta diagnóstica.

“Se a gente realmente quer diferenciar linfoma de enteropatia inflamatória, a gente precisa do tecido. É a biópsia que vai permitir essa diferenciação e orientar o tratamento”, afirmou.

A coleta pode ser feita por endoscopia ou cirurgia, e a escolha depende da profundidade da lesão e das condições do paciente.

Tratamento pode começar antes da confirmação

Na prática, nem sempre é possível aguardar o diagnóstico definitivo para iniciar o tratamento. 

Muitas vezes, a abordagem começa com ajustes alimentares, suplementação e controle inflamatório.

O palestrante destacou que, em alguns casos, a resposta ao tratamento também auxilia no raciocínio clínico, embora não substitua o diagnóstico definitivo.

Desafio contínuo na rotina clínica

Mesmo com os avanços na Medicina Veterinária, a diferenciação entre essas condições ainda exige uma abordagem integrada, combinando histórico, exames e evolução clínica.

“Não existe um exame único que resolva tudo. É um conjunto de informações que vai direcionar o diagnóstico e o tratamento”, concluiu.