A Catalina Island Conservancy, organização responsável por gerir 88% do território da Ilha Santa Catalina, na costa da Califórnia (EUA), obteve liberação judicial para iniciar a primeira fase de erradicação da população local de cervos-mula.
A medida prevê o abate de cerca de 2 mil animais invasores nos próximos anos como estratégia de urgência para recompor a vegetação nativa e mitigar o risco de megaincêndios florestais.
A decisão liminar do Tribunal do Condado de Los Angeles autorizou o início do projeto com a eliminação inicial de 200 cervos até o final de outubro. A presença dos animais no arquipélago — considerado altamente biodiverso e apelidado de “Galápagos da América do Norte” — remonta à década de 1920, quando foram introduzidos para a prática de caça esportiva.
Impacto na flora nativa e o risco do fogo

Especialistas em ecologia vegetal apontam que os cervos consomem prioritariamente espécies de plantas nativas que oferecem resistência natural à propagação de focos de incêndio. A superexploração por essa espécie não nativa abriu espaço para a proliferação de gramíneas invasoras altamente inflamáveis, tornando a ilha vulnerável a cenários catastróficos.
Além disso, a degradação do ecossistema ameaça cerca de 60 espécies endêmicas de fauna e flora que existem exclusivamente em Catalina.
Alternativas como o resgate para o continente ou programas de esterilização em massa foram descartadas pelos conservacionistas devido ao alto índice de mortalidade por estresse de captura em cervídeos e pela demora na resposta ambiental necessária para conter os riscos ecológicos.
Metodologia de manejo e reação da comunidade
O plano de erradicação, ajustado após fortes protestos de moradores, caçadores e entidades de proteção animal, será estendido ao longo de pelo menos cinco anos. O processo utilizará atração por iscas alimentares, tecnologia de detecção térmica noturna, drones e cães farejadores.
Uma cota de caça comunitária também será aberta entre outubro e dezembro, e a carne dos animais abatidos será destinada ao programa de preservação do condor-da-califórnia e a comunidades indígenas regionais.
Para a área urbana de Avalon, onde os cervos mantêm contato frequente com os moradores, o plano prevê ações pontuais de esterilização via dardos tranquilizantes em vez do abate armado. A meta final da instituição é restaurar a resiliência do ecossistema frente às mudanças climáticas e garantir a segurança biológica da ilha.
Fonte: InfoMoney, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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