A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição progressiva e irreversível, caracterizada pela perda lenta e contínua da função e da estrutura renal. Após o seu desenvolvimento, é comum a ocorrência de proteinúria, condição caracterizada pela presença anormal de proteínas na urina.
“Na DRC, os mecanismos de filtração glomerular e reabsorção tubular tornam-se insuficientes. Assim, as proteínas passam a atravessar um glomérulo danificado ou deixam de ser reabsorvidas adequadamente pelos túbulos, resultando em sua eliminação urinária”, explica Karin Botteon, médica-veterinária e gerente técnica Pets Boehringer Ingelheim.
Nos felinos, a condição surge, principalmente, por:
- Lesões glomerulares e/ou tubulares, que alteram a barreira de filtração e a capacidade de reabsorção;
- Aumento da pressão intraglomerular, que torna o glomérulo mais permeável;
- Ativação crônica do sistema renina–angiotensina–aldosterona (SRAA), que intensifica a hipertensão glomerular e promove inflamação e fibrose.
Esses mecanismos, em conjunto, aumentam a permeabilidade glomerular a proteínas e reduzem a capacidade tubular de recuperá-la.
Em gatos com DRC, a proteinúria é simultaneamente um marcador e motor de progressão da doença. De acordo com estudos publicados, maiores valores de proteinúria – mensurada pelo exame de Relação Proteína/Creatinina Urinária (RPCU) – são associados a menor sobrevida e a declínio renal mais rápido.
“Por esse motivo, a International Renal Interest Society (IRIS) utiliza a condição para sub estadiamento e prognóstico da enfermidade e recomenda seu monitoramento e controle persistentes”, afirma Botteon.
Semintra como estratégia no tratamento
Todos os felinos com diagnóstico conclusivo de proteinúria (valores de RPCU >0,4) devem ser tratados com Bloqueadores do Receptor da Angiotensina (BRAs) ou com os Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina (IECAs).
Dentre as alternativas farmacológicas disponíveis está o Semintra, que tem como princípio ativo a telmisartana, medicamento que pertence ao grupo dos bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRAs).
“Embora tanto os IECAs, quanto os BRAs, sejam indicados para o manejo da proteinúria, estudos comparativos demonstram que a telmisartana mostra-se mais efetiva no controle sustentado da proteinúria em gatos, pois bloqueia diretamente e de forma duradoura o receptor AT1, impedindo a ação da angiotensina II independentemente da via pela qual ela é produzida”, relata Karin.
Além da efetividade, Semintra possui outros diferenciais. A formulação líquida é um deles. Botteon esclarece que essa apresentação permite a correta administração da dose prescrita e é bem aceita pelos gatos, não gerando salivação ou outros desconfortos.
Por essa razão a medicação conta com o selo “Easy to Give”, da International Society of Feline Medicine (ISFM), que reconhece produtos de manejo mais amigável para felinos.
“Os gatos costumam apresentar ótima aceitação ao Semintra, sem relatos frequentes de desconfortos, como salivação excessiva. A telmisartana também pode ser administrada misturada a uma pequena porção de dieta úmida, desde que se garanta a ingestão completa dessa porção”, afirma.
O Semintra foi desenvolvido para gatos. Embora o princípio ativo também tenha indicação de uso em cães, o produto somente é indicado para gatos. Portanto, vale destacar, que seu uso em espécies diferentes da recomendada em bula é considerado “off-label” e fica sob a responsabilidade do médico-veterinário.
