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SISS-Geo fortalece vigilância de zoonoses e monitoramento da fauna silvestre no Brasil

Plataforma da Fiocruz permite registrar mortes e doenças em animais silvestres e gerar alertas que ajudam autoridades a prevenir surtos e proteger a biodiversidade

SISS-Geo fortalece vigilância de zoonoses e monitoramento da fauna silvestre no Brasil
Por Equipe Cães&Gatos
18 de março de 2026

O avanço do desmatamento e a perda de habitat natural têm aproximado cada vez mais animais silvestres das populações humanas. 

Esse cenário amplia o risco de transmissão de doenças zoonóticas, que podem afetar tanto a fauna quanto a saúde pública.

Diante desse desafio, o SISS-Geo, sistema desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), surge como uma ferramenta estratégica para monitorar a saúde da fauna brasileira e gerar alertas em tempo real.

A plataforma permite registrar ocorrências de adoecimento ou morte de animais silvestres, contribuindo para que autoridades sanitárias e ambientais identifiquem rapidamente possíveis surtos e adotem medidas de prevenção.

Segundo Marta Guimarães, médica-veterinária e presidente da Comissão Técnica de Animais Selvagens e Pets Não Convencionais do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), a ausência de monitoramento pode trazer consequências importantes.

“A ação antrópica tem levado ao desmatamento e à perda do habitat natural de diversas espécies. Esse quadro aproxima cada vez mais os animais do homem e, com eles, vêm também as doenças zoonóticas”, ressalta.

Zoonoses representam grande parte das doenças infecciosas

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 60% das doenças infecciosas que afetam os seres humanos têm origem zoonótica.

Essas enfermidades podem impactar a saúde pública, a produção animal, a segurança alimentar e até a economia.

Para especialistas, investigar mortes e doenças em animais silvestres permite identificar problemas ainda na fase inicial e adotar medidas preventivas.

“A investigação das doenças e da causa das mortes dos animais de vida livre permite identificar o problema na sua base e determinar ações e políticas públicas rápidas para minimizar a situação”, explica Marta Guimarães.

Sistema auxilia monitoramento de doenças e conservação

Ferramentas de vigilância como o SISS-Geo também colaboram na identificação de enfermidades que podem comprometer populações inteiras de animais.

Um exemplo é o monitoramento de espécies suspeitas de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), realizado por órgãos de vigilância sanitária.

Segundo Marta Guimarães, o sistema pode contribuir com o rastreamento de diversas doenças.

“O SISS-Geo é uma ferramenta que colabora com o monitoramento não apenas de doenças zoonóticas, mas também daquelas que podem dizimar populações e excluí-las do ecossistema ao qual pertencem”, afirma.

Plataforma permite registros por cidadãos e especialistas

O SISS-Geo foi desenvolvido pela Plataforma Institucional Biodiversidade e Saúde Silvestre (PIBSS) da Fiocruz, com apoio do Laboratório Nacional de Computação Científica.

A ferramenta é gratuita e pode ser utilizada por meio de smartphones ou pela internet, funcionando inclusive off-line — característica importante para regiões remotas.

Por meio do sistema, cidadãos e especialistas podem registrar ocorrências envolvendo animais silvestres em áreas urbanas, rurais ou naturais. As informações podem incluir fotografias e dados georreferenciados.

Após o envio, os registros passam por análise de especialistas, que validam as informações e identificam as espécies envolvidas.

Inteligência artificial ajuda a prever áreas de risco

Os dados registrados no sistema também alimentam modelos computacionais que utilizam aprendizado de máquina (inteligência artificial) para identificar regiões com maior risco de zoonoses.

Essas análises consideram informações históricas de epizootias e casos humanos confirmados, permitindo prever áreas mais vulneráveis a doenças como a febre amarela.

As informações geradas podem auxiliar secretarias estaduais e municipais de saúde na definição de estratégias, como campanhas de vacinação e monitoramento em áreas prioritárias.

Participação da população é fundamental

A colaboração da sociedade tem papel essencial no funcionamento do sistema.

Alertas enviados por cidadãos podem acionar toda a rede de vigilância do Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo mobilização rápida de equipes de campo, coleta de amostras biológicas e investigação epidemiológica.

O aplicativo já foi testado por mais de 3 mil pessoas em diferentes regiões do país, incluindo comunidades indígenas, ribeirinhas e caiçaras, além de agricultores, pescadores, profissionais da saúde, professores, estudantes e pesquisadores.

“Quanto mais pudermos contribuir com informações sobre nossos animais, maior poderá ser nossa proteção para todos que vivem neste planeta”, conclui Marta Guimarães.

Fonte: CRMV-SP, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre SISS-Geo

O que é o SISS-Geo?

É uma plataforma desenvolvida pela Fiocruz que permite registrar ocorrências envolvendo animais silvestres, ajudando a monitorar zoonoses e proteger a biodiversidade.

Quem pode utilizar o sistema?

Qualquer pessoa pode enviar registros, incluindo cidadãos, pesquisadores, profissionais da saúde e do meio ambiente.

Por que registrar mortes de animais silvestres é importante?

Essas informações podem ajudar autoridades a identificar rapidamente surtos de doenças e adotar medidas de prevenção.

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