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Zoonoses em ascensão acendem alerta epidemiológico no Brasil

Aumento de casos de esporotricose e reemergência da raiva reforçam a urgência de vigilância, prevenção e vacinação no país

Zoonoses em ascensão acendem alerta epidemiológico no Brasil
Por Rebecca Vettore
15 de janeiro de 2026

O ano de 2025 se mostrou particularmente desafiador para a saúde pública veterinária, sendo marcado pelo aumento expressivo de casos de esporotricose felina e pela reemergência da raiva em diferentes regiões do país.

Ambas as zoonoses, embora de naturezas etiológicas distintas, compartilham um ponto em comum: a necessidade urgente de fortalecimento das ações preventivas e de vigilância epidemiológica.

A esporotricose, micose cutânea causada por fungos do complexo Sporothrix, mantém trajetória ascendente no território nacional. Classificada como enfermidade de relevância em saúde pública, pode acometer animais domésticos — especialmente felinos —, espécies silvestres e humanos.

A gravidade do cenário motivou a publicação da Portaria GM/MS nº 6.734, em março de 2025, que incluiu a esporotricose humana na lista de doenças de notificação compulsória em todos os serviços de saúde do país.

Os números reforçam a dimensão do problema. De acordo com dados da Vigilância Sanitária, em 2024 o estado de São Paulo registrou mais de 1.700 ocorrências confirmadas em humanos, distribuídos por cerca de 100 municípios, além de mais de 3.300 notificações em animais na capital.

O estado do Amazonas também apresentou avanço significativo: até setembro de 2025 foram contabilizados 1.469 episódios em humanos — incluindo uma eventualidade fatal associado a diagnóstico tardio — e 3.559 confirmações em animais, com elevada taxa de eutanásia entre felinos acometidos.

Casos de raiva no país

Apesar de muito conhecida, a enfermidade potencialmente fatal já registrou mais de dez casos no Brasil só em 2025 e acomete cães, gatos, seres humanos e outros animais. Sua transmissão ocorre, especialmente, através de morcegos e a principal forma de prevenção é a vacinação.

Em dezembro, um filhote de cachorro de Salvador, na Bahia, foi diagnosticado com a doença. A cidade não registrava eventos da enfermidade em pets há mais de 20 anos. 

Em novembro, a cidade de Jundiaí teve seu 1º caso da patologia em um animal em mais de 40 anos. Até aquele momento, o município havia notificado a existência de cinco ocorrências de morcegos com a enfermidade.

A cidade de Itupeva, também localizada no estado de São Paulo, registrou seu 2º acontecimento da doença infecciosa em animais hematófagos em setembro. No mesmo mês, Sorocaba, outra cidade paulista, registrou seu 5º caso em quirópteros.

Entre humanos, a doença contabilizou 50 ocorrências no país entre 2010 e 2025, reforçando a preocupação sanitária. 

Com tantos casos acontecendo no Brasil, o setor veterinário deveria se preocupar? Será que os pets estão se imunizando como deveriam? É possível que exista um movimento antivacina por perto.

Para entender melhor o assunto, a Revista Cães & Gatos conversou com Modesto José de Almeida Neto, médico-veterinário e chefe clínico do Hospital Max Vet, localizado na zona leste de São Paulo.

Vacinação em pauta: negligência ou movimento antivacina?

Segundo Modesto, não há um levante de movimento antivacina em animais. “O que percebo é negligenciamento por parte de alguns responsáveis e até mesmo de profissionais, principalmente na imunização antirrábica. Muitas vezes, prioriza-se apenas a vacina múltipla e o baixo número de casos de raiva em cães e gatos contribui para essa negligência”, completa o veterinário.

Contudo, o chefe clínico pondera que movimentos radicais antivacina podem, sim, emergir no país. 

“Com a humanização dos pets, essa visão que surge entre humanos pode ser extrapolada para os animais. Com a rápida difusão de informações na internet, as chances de movimentos assim chegarem ao Brasil são grandes”, afirma Modesto. 

E as consequências de um cenário desse tipo seriam amplas. “Considerando a natureza da doença infecciosa, os impactos seriam devastadores para a saúde pública. A raiva é uma das piores enfermidades do mundo, com raríssimos sobreviventes e, quando existem, geralmente com sequelas graves”, explica.

Confira o artigo completo “Zoonoses em ascensão acendem alerta epidemiológico no Brasil” na íntegra e sem custo, acessando a página 33 da edição de janeiro (nº 317) da Revista Cães e Gatos.