Verdade que tem gente que prefere bicho do que gente? Sim, verdade verdadeira, mas essas pessoas são rotuladas pejorativamente de misantropos, porque escolhem passar a maior parte do tempo livre na companhia de cães, gatos ou cavalos em vez de buscar a socialização com seres humanos.
No entanto, a Psicologia explica que preferir animais a pessoas revela uma busca por um afeto seguro e previsível. E por que a convivência com os pets traz segurança emocional? Porque as relações interpessoais entre humanos exigem constantes negociações de limites, interpretação de regras sociais complexas e o risco contínuo de mentiras, críticas ou rejeições imprevistas.
Para pessoas com dificuldades de relacionamentos e sociabilização, essa tensão gera cansaço. Li recentemente a tese científica “Pets as safe havens and secure bases: The moderating role of pet attachment orientations”, desenvolvida pelos psicólogos Sigal Zilcha-Mano, Mario Mikulincer e Phillip R. Shaver, e publicada no renomado Journal of Research in Personality (Elsevier) (2012), que comprova que animais de estimação atuam como refúgios seguros de apego, os chamados safe havens.
E como isso funciona? O cérebro responde à companhia do animal de estimação reduzindo a ansiedade de forma imediata porque o animal entrega afeto livre de julgamentos morais.
Por exemplo, o cão não exige que o dono justifique seus erros profissionais ou frustrações financeiras ao fim do expediente e o gato oferece companhia silenciosa e previsível sem cobrar reciprocidade de conversas estruturadas, gerando repouso mental para o responsável.
E como isso acontece no organismo humano? A presença tátil do animal de estimação ao lado da pessoa estimula a liberação de ocitocina (o hormônio do bem-estar) e diminui os batimentos cardíacos de forma biológica acelerada. O contato com o pet atua como uma barreira que neutraliza dores do estresse urbano.
Então, se você ainda não adotou um pet, está esperando o quê?
Co-escrito por Ana Purchio, jornalista pós-graduada em mídias sociais e estudante de psicologia.

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