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Transfusão inédita entre onças-pintadas em SP abre caminho para novos tratamentos na fauna silvestre

Procedimento realizado para salvar felino com doença renal grave pode ampliar possibilidades na conservação de grandes felinos no Brasil

Transfusão inédita entre onças-pintadas em SP abre caminho para novos tratamentos na fauna silvestre
Por Equipe Cães&Gatos
31 de março de 2026
Última atualização: 01/04/2026 - 11:48

Uma onça-pintada de 18 anos passou por um procedimento inédito no Brasil: a primeira transfusão de sangue registrada entre indivíduos da mesma espécie. 

A intervenção foi realizada em São Paulo para tentar salvar o animal, que enfrenta um quadro avançado de doença renal.

O paciente, chamado Jack, apresentava anemia severa e não tinha condições de iniciar a hemodiálise, tratamento necessário para compensar a falha dos rins. Diante da gravidade, a equipe veterinária optou pela transfusão como medida emergencial.

Procedimento exigiu compatibilidade e resposta rápida

A doadora foi Ruana, uma onça-pintada jovem e saudável que vive em um zoológico na capital paulista. 

Antes da coleta, os profissionais realizaram testes para garantir a compatibilidade sanguínea — etapa essencial para evitar reações adversas.

“É uma coisa inédita aqui no Brasil, não tem nenhum registro”, afirmou a médica-veterinária Maria Fernanda Gondim.

A coleta foi feita após sedação do animal, com monitoramento constante. O sangue foi armazenado e transportado até o Centro de Medicina e Pesquisa de Animais Silvestres da Unesp, em Botucatu, onde Jack estava sendo atendido.

Transfusão possibilita avanço no tratamento

Após a confirmação da compatibilidade, a transfusão foi realizada sob anestesia — um risco adicional devido ao estado debilitado do paciente.

“A anestesia é sempre um risco, ainda mais um animal convalescente”, explicou o médico-veterinário Gabriel Corrêa de Camargo.

Cerca de duas horas após o procedimento, Jack acordou. No dia seguinte, já apresentava sinais positivos, como locomoção, alimentação e ingestão de água.

A expectativa agora é que o animal possa iniciar a hemodiálise, etapa essencial para o controle da doença renal.

Caso reforça importância da Medicina Veterinária na conservação

Além de representar uma tentativa de salvar a vida do animal, o procedimento também tem impacto relevante para a conservação da espécie.

Atualmente, cerca de 89 onças-pintadas vivem sob cuidados humanos no Brasil, em instituições que participam de programas de preservação.

Segundo os especialistas envolvidos, o registro do caso contribui para o avanço do conhecimento científico e pode servir de base para novos protocolos em animais silvestres.

“Esses projetos acabam sendo uma forma de a gente conseguir manter essas populações saudáveis. No futuro, ter essa reserva genética para reintrodução em áreas onde elas já desapareceram”, destacou Maria Fernanda Gondim.

Avanço que pode inspirar novos protocolos

O caso de Jack reforça o papel da Medicina Veterinária no desenvolvimento de técnicas que vão além do atendimento individual, contribuindo também para a conservação da biodiversidade.

A transfusão entre onças-pintadas inaugura uma nova possibilidade terapêutica e abre caminho para estudos futuros que podem beneficiar outras espécies silvestres em situações semelhantes.

Fonte: G1, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre primeira transfusão entre onças-pintadas

Por que a transfusão foi necessária?

Porque o animal estava anêmico e não suportaria a hemodiálise sem estabilização prévia.

O procedimento já havia sido feito antes?

Não. Foi a primeira transfusão registrada entre onças-pintadas no Brasil.

Qual a importância do caso?

Além de salvar o animal, o procedimento pode ajudar a desenvolver novos protocolos para a conservação de espécies.

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