Explorar trilhas, parques naturais e áreas verdes ao lado do cão pode ser uma excelente forma de estimular o bem-estar físico e mental do animal.
No entanto, esse tipo de atividade também aumenta a exposição a riscos pouco visíveis, como verminoses e ectoparasitas, que nem sempre provocam sintomas imediatos.
Em determinadas regiões — especialmente áreas litorâneas e destinos quentes e úmidos — a atenção deve ser redobrada por causa de doenças transmitidas por mosquitos, como a dirofilariose, popularmente chamada de “verme do coração”.
Segundo Karin Botteon, médica-veterinária e gerente técnica de pets da Boehringer Ingelheim, a prevenção é o principal fator para garantir que o passeio não se transforme em um problema de saúde meses depois.
“Cães que frequentam áreas externas têm maior contato com parasitas, e muitas infecções evoluem de forma silenciosa”, explica.
Antiparasitários em dia são indispensáveis
Cães que acompanham o responsável em trilhas e atividades ao ar livre precisam de um protocolo antiparasitário rigorosamente atualizado.
Pulgas, carrapatos e vermes intestinais podem ser adquiridos com facilidade em ambientes naturais, e em cães adultos a infestação nem sempre provoca sinais claros no início.
Manter a prevenção regular ajuda a reduzir o risco de transmissão de doenças e evita que o animal desenvolva quadros mais graves, que podem comprometer órgãos vitais.
Avaliação veterinária antes da viagem faz diferença
Antes de trilhas mais longas ou viagens para regiões litorâneas e áreas consideradas endêmicas, o ideal é realizar uma avaliação veterinária.
A consulta permite definir o protocolo preventivo mais adequado ao perfil do animal e ao destino.
Podem ser indicados medicamentos preventivos da classe das lactonas macrocíclicas, disponíveis em versões orais, tópicas, mensais ou até injetáveis de ação prolongada.
Ajustes na rotina também são importantes, como evitar passeios nos horários de maior atividade de mosquitos — geralmente no início da manhã e no fim da tarde — e manter a realização de testes periódicos em regiões de risco, quando indicado.
Verme do coração: risco maior no litoral e no calor
A dirofilariose é causada pelo parasita Dirofilaria immitis, transmitido pela picada de mosquitos como Aedes, Culex e Anopheles.
O verme se aloja principalmente no coração e nas artérias pulmonares, podendo provocar insuficiência cardíaca, tromboembolismo e até levar à morte.
O risco aumenta em períodos quentes e úmidos, com maior presença de água parada e proliferação de mosquitos.
Embora seja considerada uma zoonose rara, em humanos o parasita pode causar nódulos pulmonares, o que torna a prevenção importante também para a saúde da família.

Atenção a sinais que podem aparecer meses depois
A evolução da dirofilariose costuma ser lenta, e os sintomas podem surgir apenas meses após a infecção, quando os vermes já estão adultos.
Tosse persistente, cansaço fácil, falta de ar, intolerância ao exercício, perda de peso e diminuição do apetite são sinais de alerta.
Em casos mais graves, podem ocorrer desmaios e sinais de insuficiência cardíaca, exigindo avaliação veterinária imediata.
Diagnóstico precoce evita complicações
O diagnóstico da dirofilariose pode envolver testes rápidos de antígeno, pesquisa de microfilárias no sangue (Teste de Knott) e exames complementares, como radiografia e ecocardiograma, que auxiliam na avaliação clínica do paciente.
O tratamento é longo, complexo e oneroso, exigindo acompanhamento rigoroso e, muitas vezes, restrição de exercícios devido ao risco de tromboembolismo.
Por isso, a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para proteger cães que frequentam trilhas e áreas naturais.
Fonte: IstoÉ Pet, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre cães em trilhas
Cães que vivem em apartamento também precisam de prevenção reforçada?
Sim. Mesmo cães urbanos podem se expor a parasitas ao frequentar parques, trilhas e áreas verdes.
A dirofilariose tem cura?
O tratamento existe, mas é complexo, caro e pode trazer riscos; por isso, a prevenção é fundamental.
Só cães que viajam para o litoral correm risco?
Não. Regiões quentes e úmidas, mesmo fora do litoral, também podem ter mosquitos transmissores.
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