Os avanços no diagnóstico oncológico e a necessidade de abordagens mais precisas para aumentar as chances de sucesso terapêutico em gatos foram temas centrais das palestras do médico-veterinário oncologista Luca Santi durante o Cat Congress 2026. Em entrevista exclusiva à equipe de Cães&Gatos, o especialista abordou os principais desafios relacionados aos tumores cutâneos de células redondas e às neoplasias da cavidade oral em felinos.

Na apresentação “Tumores cutâneos de células redondas: os erros que mudam o diagnóstico, o tratamento e o prognóstico”, Santi chamou a atenção para um dos equívocos mais frequentes na rotina clínica: confiar exclusivamente no exame histopatológico para definir o diagnóstico.
Segundo ele, diversas neoplasias de células redondas apresentam características muito semelhantes entre si, o que pode dificultar a identificação correta do tumor e impactar diretamente na escolha do tratamento.
Diagnóstico mais aprofundado evita condutas inadequadas
De acordo com o oncologista, a utilização de ferramentas diagnósticas complementares é cada vez mais importante para diferenciar corretamente os diferentes tipos de tumores e estabelecer o prognóstico mais adequado para cada paciente.
“Não podemos confiar apenas no histopatológico. Muitas dessas neoplasias são extremamente parecidas e exigem investigação mais aprofundada, com perfis diagnósticos avançados que permitam uma caracterização mais precisa”, explicou.
O especialista ressaltou que um diagnóstico incorreto pode resultar em tratamentos inadequados, atrasando o controle da doença e comprometendo as perspectivas de sobrevida do animal.
Neoplasias orais exigem rapidez no atendimento
Já na palestra “Marcadores prognósticos das neoplasias de cavidade oral em felinos”, Luca Santi destacou que a velocidade de crescimento desses tumores torna o diagnóstico precoce um dos fatores mais importantes para o sucesso terapêutico.
Segundo ele, o tempo entre o aparecimento dos primeiros sinais clínicos e o início do tratamento pode ser determinante para o prognóstico.
“São neoplasias que crescem muito rapidamente e o tempo é um fator decisivo. Precisamos diagnosticar e intervir o mais cedo possível para oferecer melhores perspectivas ao paciente”, afirmou.
Carcinoma de células escamosas é o principal desafio
O oncologista também destacou que cerca de 90% das neoplasias orais em gatos são malignas, o que reforça a necessidade de investigação imediata diante de qualquer alteração observada na cavidade oral.
Entre elas, o carcinoma de células escamosas se destaca como o tumor mais frequente. A doença apresenta comportamento agressivo, com invasão local de estruturas importantes, como mandíbula e maxila, dificultando as possibilidades terapêuticas.
“Quando essas lesões ultrapassam dois centímetros, as opções curativas já começam a se tornar mais limitadas. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de controle da doença e proporcionar maior sobrevida aos pacientes”, destacou.
As palestras reforçaram a importância da oncologia de precisão na medicina felina e evidenciaram que a combinação entre diagnóstico correto, rapidez na intervenção e acompanhamento especializado continua sendo o caminho mais eficaz para melhorar o prognóstico dos gatos com câncer.

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