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    Uso de antimicrobianos em piodermites caninas ganha novas diretrizes

    As piodermites representam um desafio na clínica de pequenos animais; recomendações orientam quanto a administração de antimicrobianos tópicos e sistêmicos nesses quadros

    Uso de antimicrobianos em piodermites caninas ganha novas diretrizes
    Danielle Assis
    Danielle Assis
    10 de setembro de 2025

    As infecções cutâneas fazem parte da rotina de muitos médicos-veterinários que trabalham com cães. Seu tratamento pode englobar uma série de medicamentos, dentre eles, os antibióticos.

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    Para reduzir o uso inadequado desses antimicrobianos, um grupo de investigadores do Royal Veterinary College (RVC), em colaboração com oito instituições internacionais, desenvolveu novas orientações baseadas em evidência científica para o tratamento de piodermite canina.

    As recomendações visam melhorar o bem-estar animal e reforçar a Estratégia de Gestão Responsável de Antimicrobianos (Antimicrobial Stewardship), prática essencial para travar o avanço da resistência bacteriana e garantir a eficácia dos medicamentos no futuro.

    Quais as recomendações?

    De acordo com as novas diretrizes, antes de fazer o uso de antibióticos é essencial a realização de citologia em todos os casos de infecção cutânea.

    Mesmo assim, a terapia antimicrobiana tópica isolada é o tratamento de escolha para piodermites superficiais e superficiais e os antimicrobianos sistêmicos devem ser reservados para piodermites profundas e para piodermites superficiais quando a terapia tópica não for eficaz.

    Ainda segundo os pesquisadores, a terapia sistêmica, com tratamento tópico adjuvante, é inicialmente fornecida por duas semanas em piodermites superficiais e três semanas em piodermites profundas, seguida de revaliação para verificar o progresso e controlar as causas primárias.

    Esse trabalho é resultado de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo dermatologistas veterinários, microbiologistas clínicos e outros especialistas.

    “Após vários anos analisando evidências, atualizando informações e avaliando experiências, estamos entusiasmados e aliviados por finalmente ver os documentos de diretrizes publicados e disponíveis para uso gratuito em todo o mundo”, comentou Anette Loeffler, professora de Dermatologia Veterinária e Bacteriologia Cutânea no RVC e presidente do grupo de autores do ISCAID.

    Já de acordo com Siân-Marie Frosini, professora sênior de Microbiologia Clínica Veterinária no RVC e coautora das diretrizes, estas diretrizes destacam o valor de equipes multidisciplinares, que incorporam microbiologistas clínicos junto com outros especialistas veterinários para fornecer recomendações que podem apoiar as melhores práticas no uso de antimicrobianos.

    Confira o artigo completo com as diretrizes aqui.

    FAQ sobre as novas diretrizes para o uso de antimicrobianos em cães 

    Como definir a estratégia de tratamento de piodermite em cães?

    Segundo as diretrizes, antes de realizar qualquer tratamento com antibióticos é importante fazer a citologia de pele.

    Qual a recomendação para a terapia antimicrobiana tópica?

    A terapia antimicrobiana tópica isolada deve ser o tratamento de escolha para piodermites superficiais.

    Quando utilizar antimicrobianos sistêmicos em afecções de pele?

    Os antimicrobianos sistêmicos apenas devem ser utilizados em piodermites profundas e em piodermites superficiais quando a terapia tópica não for eficaz.

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