Abre em uma nova aba
Opções
Pets e Curiosidades

Veterinários viram réus por esquema de venda ilegal de sangue de gatos em SP

Acusados pelo Ministério Público de liderar o comando técnico e comercial do grupo, profissionais respondem por maus-tratos e associação criminosa em Monte Alto

Veterinários viram réus por esquema de venda ilegal de sangue de gatos em SP
Por Equipe Cães&Gatos
21 de setembro de 2026
Última atualização: 21/09/2026 - 17:29

Dois médicos-veterinários tornaram-se réus na Justiça de São Paulo acusados de integrar um esquema clandestino de coleta e comercialização de sangue de gatos.

A denúncia aceita pelo Ministério Público (MP) aponta a veterinária Thaís Daniele Antonussi, de 34 anos, e o veterinário Renato Franco, de 35, como integrantes do núcleo de comando técnico, financeiro e comercial do grupo operado a partir de Monte Alto, no interior paulista.

Segundo as investigações, os acusados não estavam no local do flagrante em outubro de 2025, mas eram responsáveis pela gestão das demandas, financiamento do transporte, pagamentos e distribuição das bolsas de sangue. O material coletado em ambientes inadequados era revendido por valores entre R$ 500 e R$ 800 para diversas regiões do país.

Funcionamento do esquema e acusação de maus-tratos

O caso teve início após denúncias de anúncios em redes sociais que ofereciam R$ 50 a responsáveis em troca da cedência de felinos para extração sanguínea. Em diligência realizada em um imóvel na cidade de Monte Alto, autoridades encontraram diversos animais sedados sem acompanhamento adequado.

O MP atribui aos réus o crime de maus-tratos a seis gatos, além do delito de associação criminosa. Depoimentos colhidos durante o inquérito revelaram que os felinos eram sedados com substâncias de uso restrito, como quetamina e dexmedetomidina, por um estudante sem a supervisão direta exigida para o monitoramento de sinais vitais.

Veterinários
Renato Franco e Thais Antonussi são réus no processo de venda ilegal de sangue de gatos em SP (Foto: Divulgação)

Contraponto das defesas e atuações profissionais

A empresa HemoAcademy, na qual Thaís Antonussi consta como responsável técnica e coordenadora de cursos de hemoterapia, declarou que a profissional é inocente e classificou as acusações como injustas. A veterinária não foi localizada para prestação de depoimento oficial durante as fases preliminares da investigação.

A defesa do veterinário Renato Franco informou que o profissional nega categoricamente as acusações, sustentando que suas atividades sempre observaram os preceitos éticos e as normas do Conselho Regional de Medicina Veterinária.

O relatório da Polícia Civil pontuou que o conjunto probatório reunido contra Renato apresenta menor densidade em comparação aos demais investigados, embora suficiente para o oferecimento da denúncia.

Regulamentação de bancos de sangue veterinários Procurado para esclarecimentos sobre o setor, o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) ressaltou que não há legislação federal específica regulamentando a operação de bancos de sangue para animais no Brasil.

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) mantém grupo de trabalho dedicado à elaboração de diretrizes normativas para a atividade.

O CRMV-SP reforça que procedimentos de coleta devem ser realizados exclusivamente em estabelecimentos devidamente registrados no sistema profissional — como clínicas, hospitais ou laboratórios —, sob a responsabilidade técnica de um médico-veterinário habilitado.

Fonte: g1, adaptado pela equipe Cães&Gatos.