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VMX 2026 encerra programação de palestras com conteúdo sobre substâncias tóxicas para os rins

Vitamina D, lírio e uvas contém substâncias tóxicas para os rins e requerem intervenção imediata para contornar os danos causados ao organismo

VMX 2026 encerra programação de palestras com conteúdo sobre substâncias tóxicas para os rins
Por Danielle Assis
21 de janeiro de 2026

A principais substâncias tóxicas para os rins foram tema da programação final do quinto dia da VMX 2026, principal feira do setor veterinário realizada entre 17 e 21 de janeiro, em Orlando (EUA).

Ministrado pela médica-veterinária diplomada pela American Board of Toxicology e a American Board of Veterinary Toxicology, Tina Wismer, o conteúdo abordou quais são as toxinas mais perigosas para os rins e trouxe dicas para a resolução das intoxicações.

“Os rins são sensíveis a toxinas diretas e indiretas. As toxinas indiretas são àquelas que causam hemólise e rabdomiólise secundária, pois o órgão não tolera bem a hemoglobina ou mioglobina livre. Já as toxinas diretas são capazes de afetar os túbulos renais”, explicou a profissional.

Uvas e uvas passas 

As uvas e uvas passas causam lesão renal aguda em cães, devido ao ácido tartárico. Os animais da espécie não possuem o transportador OAT4 nos rins, então as substâncias tóxicas conseguem entrar nas células dos túbulos renais, mas têm muita dificuldade para sair.

O ácido tartárico é um ácido orgânico encontrado em várias plantas. Os tamarindos têm a maior quantidade – até 18% -, mas as uvas vêm em seguida, com cerca de 2%.

“Dois por cento pode não parecer muito, porém quando comparamos com cerejas (0,008%) e framboesas (0,009%), vemos que é uma quantidade bastante elevada. A quantia de ácido tartárico varia de acordo com vários fatores, tal como, grau de maturação da uva, variedade, condições de cultivo, estresses ambientais e momento da colheita. Além disso, diminui conforme a uva amadurece”, pontuou Tina.

O ácido tartárico causa degeneração e necrose dos túbulos renais proximais, levando a sinais clínicos como vômito, que pode ocorrer entre seis e 48 horas após a ingestão, letargia e anorexia.

De acordo com a veterinária, inicialmente, os animais apresentam poliúria e polidipsia, mas depois podem evoluir para oligúria e, posteriormente, anúria, geralmente entre um e três dias após a exposição. Nos exames laboratoriais, a creatinina aumenta rapidamente, geralmente, em até 12 horas, seguida pelo aumento da ureia.

“Quando ocorre a ingestão das frutas, é indicado induzir o vômito até cerca de 12 horas após a exposição. Os cães podem ser mantidos em fluidoterapia por cerca de 48 horas para evitar a nefropatia obstrutiva e deve ser feito o monitoramento dos valores renais, se estiverem normais após 48 horas, suspende-se os fluídos. Caso contrário, é oferecido apenas tratamento de suporte, como antieméticos e protetores gastrointestinais”, explicou.

cachorro marrom cheirando uvas roxas
As uvas são consideradas substâncias tóxicas para os cães devido ao ácido tartárico (Foto: Reprodução)

Lírios para gatos

Os lírios são especialmente tóxicos para os gatos, especificamente os gêneros Lilium e Hemerocallis.

Todas as partes da planta são tóxicas e causam necrose das células epiteliais dos túbulos renais, normalmente, preservando a membrana basal. Em casos mais graves de ingestão, leva a morte devido a nefropatia obstrutiva desencadeada pelos detritos celulares.

Segundo a especialista, os sinais clínicos da intoxicação são vômito após duas a seis horas, seguido pelo aumento de ureia e creatinina por volta de 12 horas. Caso ocorra o tratamento antes de 18 horas da ingestão, o prognóstico é excelente. Após esse período, piora, mas o tratamento ainda é indicado enquanto houver produção de urina.

“O tratamento consiste, basicamente, em fluidoterapia agressiva. Não se recomenda induzir vômito, nem usar carvão ativado em gatos, devido ao risco de aspiração e à falta de benefício comprovado, relata.

É importante destacar que apenas Lilium e Hemerocallis causam insuficiência renal. Outras plantas com o nome “lírio”, como lírio-da-paz (Spathiphyllum), copo-de-leite (Calla), lírio-do-vale e alstroeméria, não lesionam os rins, embora algumas sejam tóxicas por outros mecanismos.

Vitamina D (colecalciferol)

Pouco abordada, a vitamina D (colecalciferol) é uma importante substância tóxica para cães, estando presente em rodenticidas, suplementos humanos e cremes dermatológicos.

Conforme cita a profissonal, causa hipercalcemia e hiperfosfatemia, levando à mineralização de tecidos moles e insuficiência renal. O colecalciferol é convertido no fígado e nos rins em formas ativas, que aumentam o cálcio corporal por três mecanismos:

  • Aumenta a absorção intestinal de cálcio;
  • Mobiliza cálcio dos ossos;
  • Reduz a excreção renal de cálcio.

A dose mínima tóxica em cães é de aproximadamente 0,1 mg/kg e os sinais clínicos da intoxicação incluem vômito, letargia, poliúria e polidpsia inicial, que evoluem para oligúria e anúria. Primeramente, ocorre aumento do fósforo, seguido por cálcio, ureia e creatinina.

“O tratamento envolve indução de vômito precoce e administração de carvão ativado e colestiramina para interromper a circulação entero-hepática. Também deve ser realizado um monitoramento rigoroso do quadro clínico e tratamento da hipercalcemia com soro fisiológico, furosemida, corticosteroides, quelantes de fósforo e, principalmente, bifosfonatos”, orientou.

Outras substâncias tóxicas para os rins

Ao final da palestra, a profissional apresentou outros componentes que são considerados nefrotóxicos, são eles:

  • Etilenoglicol (anticongelante): causa acidose metabólica, formação de cristais de oxalato de cálcio e insuficiência renal. O tratamento precoce é feito com etanol ou fomepizol;
  • Oclacitinib: em casos de superdosagem pode causar sinais gastrointestinais, cardiovasculares, neurológicos e, raramente, lesão renal aguda;
  • AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais): podem desencadear úlceras gastrointestinais e insuficiência renal por inibição das prostaglandinas renais. O tratamento inclui descontaminação precoce, protetores GI e fluidoterapia.