Escolher uma ração para cães e gatos vai muito além de observar a imagem da embalagem ou termos chamativos destacados na frente do pacote. Para entender a qualidade do alimento oferecido aos animais, é necessário analisar informações que muitas vezes passam despercebidas, mas que revelam detalhes importantes sobre a composição nutricional do produto.
Segundo Aline Ambrogi, médica-veterinária pós-graduada em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais, mestre em Ciência Animal e docente do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), a leitura correta do rótulo deve começar pela lista de ingredientes e pelos níveis de garantia nutricional.
“A observação do rótulo precisa ir além da propaganda da frente da embalagem. O mais importante é olhar se a ração é completa e balanceada para a espécie”, explica Aline.
Entre os dados que merecem atenção estão os teores de proteína, gordura, fibra, matéria mineral, umidade, cálcio e fósforo. Também é importante verificar se o alimento foi desenvolvido para filhotes, adultos, idosos, animais castrados, portes específicos ou condições clínicas determinadas.
Ordem dos ingredientes e importância da proteína
Um dos pontos mais relevantes para avaliar a excelência de uma ração está na sequência dos componentes apresentados no rótulo. De acordo com a docente, a ordem não é aleatória e segue critérios técnicos.
Os componentes são listados podem estar listados em ordem decrescente de peso antes do processamento. Isso pode significar que o primeiro item é aquele presente em maior quantidade na formulação.
Por esse motivo, muitos alimentos considerados de melhor qualidade costumam apresentar fontes proteicas de origem animal bem identificadas entre os primeiros ingredientes, como frango, salmão, cordeiro ou farinha de vísceras de boa procedência.
Quando carboidratos ou componentes vegetais aparecem logo no início da lista, isso pode indicar uma participação menor de proteína na composição.
Aline ressalta que cães necessitam de uma oferta adequada de proteína de alta qualidade na alimentação diária. No caso dos felinos essa necessidade é ainda maior, já que eles são classificados como carnívoros obrigatórios. Dessa forma, a participação de proteína animal na dieta desses animais deve ser observada com cuidado durante a escolha do produto.
Além da quantidade, a forma como a fonte proteica é descrita também faz diferença. Termos específicos, como frango, salmão ou farinha de vísceras de frango, fornecem informações mais claras ao consumidor.
Já descrições genéricas, como “proteína animal” ou “subprodutos de origem animal”, oferecem menos detalhes sobre a origem do ingrediente.
Outro aspecto importante que deve ser observado está relacionado à digestibilidade e ao aproveitamento dos nutrientes pelo organismo. Embora esses dados nem sempre estejam explícitos na embalagem, podem ser percebidos na rotina do pet.
“A qualidade das fezes e da pelagem são bons indicadores do nível de digestibilidade do alimento”, comenta a mestre.

Corantes e conservantes também aparecem no rótulo
Além dos componentes principais, a composição pode incluir aditivos utilizados para conservação ou aparência do item.
Os corantes artificiais costumam ser identificados diretamente na lista de ingredientes ou por códigos específicos. Já entre os conservantes artificiais mais comuns estão substâncias como BHA, BHT e etoxiquina.
Por outro lado, conservantes naturais geralmente aparecem como tocoferóis, vitamina C ou extrato de alecrim.
A médica-veterinária destaca que os corantes, apesar de estarem no alimento, não exercem função nutricional para cães e gatos.
“O animal não escolhe a ração pela cor. Essas cores do alimento costumam agradar mais ao responsável do que ao pet”, pontua.
Termos da embalagem não contam toda a história
Expressões como “premium”, “super premium” e “natural” costumam influenciar a decisão de compra, mas não devem ser analisadas isoladamente.
De acordo com a profissional, apesar desses termos segmentarem o mercado, mas podem apresentar diferenças de interpretação entre fabricantes.
Quando falamos sobre o termo “natural”, ele exige atenção especial, pois pode ter definições variadas e não garante, por si só, que a composição seja superior.
“Por isso, a recomendação é analisar o conteúdo nutricional e os ingredientes utilizados, em vez de basear a escolha apenas nas expressões destacadas na embalagem”, conclui.

FAQ sobre como ler o rótulo dos alimentos para pets
Qual é a informação mais importante ao analisar uma ração?
A lista de componentes, os níveis de garantia nutricional e a indicação para a fase de vida do pet são os principais pontos que devem ser observados.
Como identificar uma proteína de melhor qualidade na embalagem?
Fontes específicas e claramente identificadas, como frango, salmão ou farinha de vísceras de frango, costumam fornecer mais dados do que termos genéricos, como “proteína animal” ou “subprodutos de origem animal”.
O termo “natural” significa que a ração é melhor?
Não necessariamente. A expressão pode ter definições variadas entre fabricantes e não garante, por si só, excelência superior. O ideal é analisar a composição completa do item.

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