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Voluntários mantêm animais silvestres vivos enquanto CETRAS não sai do papel no interior de SP

Sem um centro oficial de reabilitação, Instituto Projeto Ninhos transforma casas e clínicas parceiras em verdadeiras UTIs para atender aves, mamíferos e répteis feridos em São Carlos (SP)

Voluntários mantêm animais silvestres vivos enquanto CETRAS não sai do papel no interior de SP
Por Equipe Cães&Gatos
3 de fevereiro de 2026

Quando um animal silvestre perde o ninho, é atropelado ou sofre algum tipo de acidente em São Carlos, no interior de São Paulo, a chance de sobrevivência costuma depender de uma rede de solidariedade. 

Na prática, o Instituto Projeto Ninhos tem funcionado como o principal — e muitas vezes o único — refúgio para animais que, sem esse socorro, dificilmente retornariam à natureza.

Legalizado como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) desde 2012, o projeto atua há mais de uma década no resgate, cuidado e reabilitação da fauna silvestre local. 

O grande objetivo agora é tirar do papel o primeiro Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS) da região, planejado para funcionar como um hospital especializado.

Um sonho antigo que espera recursos

A construção do CETRAS é um desejo antigo da equipe. Segundo a diretora administrativa do Instituto Projeto Ninhos, Ariane Maria Leoni, a ideia começou a ser estruturada ainda em 2009, mas só avançou de forma concreta em 2020, quando o projeto recebeu apoio do Ministério Público e a cessão, por comodato, de um terreno de 4 mil metros quadrados.

“Hoje estamos em uma fase decisiva, que é a captação de recursos para a construção e, depois, para a manutenção do local. O projeto ainda é pouco divulgado, o que torna esse desafio ainda maior”, explica Ariane.

O centro foi pensado para funcionar como um hospital completo, com áreas de atendimento, reabilitação e preparo para soltura, oferecendo condições adequadas para que os animais recuperem a saúde e possam retornar ao ambiente natural sempre que possível.

Casas que viraram hospitais improvisados

Enquanto o CETRAS não se torna realidade, o atendimento acontece graças ao empenho de voluntários e parcerias com clínicas veterinárias. 

Muitas vezes, os cuidados são realizados nas próprias casas dos envolvidos, que se transformam em verdadeiras UTIs improvisadas.

“O nosso objetivo é receber aves, mamíferos e répteis vitimados, reabilitá-los e destiná-los a áreas de soltura. Quando isso não é possível, eles podem permanecer sob cuidados humanos ou ser encaminhados para mantenedores autorizados”, afirma Ariane.

Essa atuação preenche uma lacuna importante, já que o sistema estadual de atendimento à fauna silvestre opera constantemente no limite.

Histórias que revelam a importância do resgate

A relevância do trabalho do Instituto Projeto Ninhos fica evidente nas histórias de animais atendidos. 

Um dos casos recentes envolveu dois filhotes de coruja-suindara, com cerca de 10 dias de vida, encontrados órfãos após a perda do ninho.

Extremamente frágeis e incapazes de sobreviver sozinhos, eles foram acolhidos e alimentados pelo médico veterinário Gustavo Candalaft, parceiro do instituto. 

Após o empenamento completo, as aves foram encaminhadas para um centro parceiro em São Roque (SP), onde passaram por treinamento de voo antes de serem devolvidas à natureza.

Nem todos os atendimentos, porém, têm final feliz. 

Um macaco-prego atropelado na Rodovia Washington Luís chegou com fratura completa de fêmur. Após cirurgia e recuperação física satisfatória, o animal não pôde retornar à vida livre.

Por viverem em grupos com hierarquias rígidas, macacos que ficam afastados por longos períodos tendem a ser rejeitados pelo grupo. 

Sem um local definitivo na região, o primata precisou ser encaminhado para um mantenedouro autorizado.

Superlotação e risco constante

A ausência de um CETRAS na região agrava a sobrecarga do sistema. De acordo com Ariane, o centro projetado teria capacidade para atender cerca de 240 animais, com fluxo variável, semelhante ao funcionamento de um hospital.

Atualmente, os casos mais frequentes envolvem animais órfãos, especialmente aves que caem do ninho após temporais ou intervenções humanas, como podas inadequadas de árvores. 

Além da reabilitação, o futuro CETRAS também pretende atuar como polo de Educação Ambiental.

“Queremos receber escolas, grupos comunitários e até a terceira idade, promovendo conscientização e estimulando a criação de novos centros semelhantes”, explica a diretora.

Um projeto de R$ 2 milhões

O projeto técnico do CETRAS já está finalizado e foi desenvolvido pela EESC Jr., ligada à USP São Carlos. 

O custo estimado para a construção gira em torno de R$ 2 milhões.

O Instituto Projeto Ninhos busca apoio financeiro, doações de materiais de construção e parcerias com empresas. 

Por ser uma OSCIP, a instituição oferece incentivo fiscal para empresas tributadas pelo Lucro Real, que podem deduzir até 2% do lucro operacional em doações.

Enquanto os recursos não chegam, os voluntários seguem atuando de forma silenciosa, garantindo que a fauna silvestre da região tenha ao menos a chance de lutar pela vida.

Fonte: Anda, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre CETRAS e voluntários

O que é um CETRAS?

É um Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres, destinado ao atendimento, recuperação e preparo para soltura de animais resgatados.

Por que o CETRAS é importante para São Carlos?

Porque a região não possui estrutura própria para atender a fauna silvestre, o que sobrecarrega voluntários e dificulta a reabilitação adequada.

Como é possível ajudar o Instituto Projeto Ninhos?

Por meio de doações financeiras, materiais de construção ou parcerias institucionais. As informações estão disponíveis no site projetoninhos.com.br.