A campanha Abril Laranja, estabelecida internacionalmente pela Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra os Animais, busca conscientizar a população sobre o enfrentamento à violência contra bichos de estimação.
No Brasil, a iniciativa ganhou força como uma ferramenta educativa para evidenciar que cães e gatos são seres sencientes e têm capacidade de sentir alegria, medo e dor.
A médica-veterinária Carollina Marques, supervisora na WeVets, explica que a violência contra os animais começa em uma das formas mais comuns, manifestando-se pela privação de itens básicos, como abrigo, água e nutrição, e chegando até a algo mais grave, como abandono em locais públicos ou privados, agressões diretas, manter o pet acorrentado em lugares insalubres ou sem ventilação e falta de assistência hospitalar.
“Por isso, na rotina de atendimentos de alta complexidade, o profissional de Medicina Veterinária atua como um perito clínico capaz de distinguir incidentes fortuitos de agressões deliberadas. Entre os indícios físicos mais frequentes de maus-tratos estão a desnutrição acentuada, infestações severas por parasitas, ferimentos sem tratamento e fraturas em diversos estágios de consolidação”, conta a médica-veterinária.
No campo comportamental, Carollina conta que o paciente pode apresentar apatia profunda, agressividade defensiva ou o “congelamento” diante de movimentos bruscos.
“Somos a voz do animal que não consegue relatar o que sofreu. Por isso, uma documentação técnica, composta por laudos minuciosos e registros fotográficos, é essencial para servir como prova em investigações”, diz a profissional.
Protocolos éticos e método preventivo
Diante de evidências ou suspeitas de crueldade, a conduta do clínico deve ser pautada pela ética e pelo suporte vital imediato.
Seguindo as normas do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), o dever do profissional inclui a notificação aos órgãos competentes, como o Ministério Público ou delegacias especializadas.
“As repercussões da violência ultrapassam as sequelas físicas crônicas, como dores articulares, atingindo o estado psicológico por meio de quadros de ansiedade. Um pet psicologicamente estável e sem dor recupera-se muito mais rápido de cirurgias e doenças”, explica Marques.
Carollina ainda fala como os centros hospitalares podem ajudar, servindo de espaços de orientação as pessoas sobre a guarda responsável.
“O foco do cuidador deve estar no manejo ambiental, na nutrição adequada, na vacinação e em revisões periódicas. A educação é a maior ferramenta de prevenção: quando o cuidador entende que o bem-estar animal impacta diretamente a saúde pública e a harmonia da família, a crueldade perde espaço”, conclui a médica-veterinária.
FAQ sobre a campanha Abril Laranja
O que é o movimento?
É uma mobilização internacional que busca conscientizar a população sobre o combate à violência contra bichos de estimação e reforçar a importância da guarda responsável.
Quais comportamentos podem sinalizar que um cão ou gato sofreu agressão?
Medo exacerbado ao ser tocado, depressão e reações de paralisia perante estímulos repentinos são sinais comportamentais típicos de traumas por maus-tratos.
Qual é o papel do médico-veterinário em casos de maus-tratos?
O profissional atua na identificação de sinais clínicos e comportamentais de violência, presta atendimento ao pet e deve notificar os órgãos competentes quando houver suspeita ou confirmação de crueldade.

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