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    Aleitamento materno previne infecções e reduz risco da tríade neonatal em pets

    Ambiente tranquilo favorece o aleitamento materno e o bem-estar da mãe e dos filhotes

    Aleitamento materno previne infecções e reduz risco da tríade neonatal em pets
    Cláudia Guimarães
    Cláudia Guimarães
    1 de agosto de 2025

    A Semana Mundial do Aleitamento Materno ocorre entre os dias 1 e 7 deste mês, dentro da campanha Agosto Dourado, período dedicado à intensificação das ações de promoção, proteção e apoio à amamentação.

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    Trazendo a temática ao universo dos pets, a médica-veterinária, sócia proprietária do Núcleo Veterinário e pós-graduada em Anestesiologia e Obstetrícia e Neonatologia, Annatachi Botelho Jardim, comenta os benefícios da amamentação para os filhotes de cães e gatos e suas mães.

    A profissional informa que o leite materno possui em sua composição proteína, gordura, carboidrato e água, tudo na quantidade ideal para cada espécie.

    “Além disso, é rico em anticorpos que protegem os filhotes contra bactérias e vírus comuns do ambiente. Isso previne a tríade neonatal (hipotermia, hipoglicemia, desidratação)”, explica.

    Segundo Annatachi, o filhote nasce sem nenhuma proteção devido à formação da placenta endoteliocorial zonária, que separa o sangue da mãe e dos filhotes.

    “Por isso, a ingestão de colostro nas primeiras 12 horas é de extrema importância para absorção de imunoglobulinas. Este período de 12-24 horas após o nascimento é devido a imaturidade intestinal, que permite que moléculas grandes (imunoglobulinas) sejam absorvidas pelo intestino do neonato”, discorre.

    Assim, após 24 horas, o intestino é incapaz de absorver anticorpos. “Com isso, a falha da colostragem pode acarretar em infecções causadas por bactérias”, adiciona e diz que para estimular e respeitar o processo natural de amamentação, tutores e cuidadores devem garantir um ambiente tranquilo e seguro, sem muitas pessoas e outros animais, como uma maternidade.

    “Também é essencial evitar barulhos e visitas desnecessárias, oferecer nutrição de alta qualidade para a mãe, além de água fresca e limpa à vontade”, insere.

    O aleitamento materno ajuda a nutrir e conferir imunidade aos filhotes (Foto: Reprodução)

    Outras alternativas

    No entanto, há casos em que o aleitamento materno não é possível, como lembrado pela veterinária: “Situações como morte materna, hipogalactia ou agalactia, ninhadas numerosas, infecções maternas, mastite e má formação fetal, por exemplo, impedem a amamentação.

    Apesar disso, nunca deve ser utilizado o leite de vaca para alimentar os filhotes, já que, de acordo com Annatachi, ele é insuficiente para a nutrição de cães e gatos.

    “A porcentagem de gordura do leite canino é 8-10%. O leite de vaca integral comercial chega no máximo 3%. A proteína também é inferior. Então, a amamentação somente com leite de vaca vai gerar filhotes subnutridos. Uma boa opção é a fórmula caseira ou sucedâneos comerciais”, aponta.

    Amamentação da forma correta

    A médica-veterinária revela como garantir que todos os filhotes de uma ninhada estejam mamando de forma adequada: “O peso ao nascimento e ao longo da amamentação é o principal indicador que estão amamentando de forma adequada. É necessário identificação (fitas coloridas ou números) e a pesagem dos neonatos logo após o nascimento e 1x ao dia durante o aleitamento”, recomenda.

    Normalmente, segundo a profissional, os filhotes mamam até 30 dias, mas, com 25 dias aproximadamente, já começam a se interessar por alimentos sólidos.

    “A transição alimentar pode iniciar com papinha comercial ou bater ração de filhote com água. Também é possível deixar a ração de filhote à vontade para que eles comecem a ter interesse pelo alimento. Nessa fase, a mãe já começa a não querer amamentar os bebês por conta da dentição e, então, o leite já não causa saciedade, assim, eles vão, naturalmente, buscando outro alimento”, compartilha.

    Annatachi destaca que a tríade neonatal (desidratação, hipoglicemia e hipotermia) é a principal causa de morte dos filhotes.

    “O fator, muitas vezes, é a inexperiência do tutor que não auxilia na alimentação dos neonatos e não fornece uma fonte de calor para os bebês que não ficam exclusivamente com a mãe. Além disso, existe uma causa infecciosa. Devido à má colostragem, os bebês ficam susceptíveis a infecções e, por isso, não querem se alimentar e, consequentemente, ficam frios e hipoglicêmicos, levando à morte se não forem atendidos rapidamente”, alerta.

    A profissional salienta que, quando o tutor tiver interesse em ter filhotes em casa, é muito importante procurar informações de um veterinário especializado, para ter ninhadas saudáveis. “E ainda, deve haver acompanhamento gestacional com veterinário obstétrico”, finaliza.

    FAQ sobre o aleitamento materno

    Por que o leite de vaca não pode ser oferecido a filhotes de cães e gatos?

    O leite de vaca tem composição nutricional diferente do leite das espécies canina e felina, especialmente em relação à gordura e proteína. Isso pode levar à desnutrição e diarreia nos filhotes.

    O que fazer quando o aleitamento materno não é suficiente para todos os filhotes?

    Em ninhadas grandes ou casos de baixa produção de leite, o tutor deve dividir os filhotes em grupos e revezar a amamentação, garantindo que todos se alimentem igualmente. Também pode ser necessário complementar com fórmula apropriada para a espécie, sempre sob orientação de um veterinário.

    Como preparar o ambiente para uma amamentação tranquila e segura?

    É essencial oferecer um local limpo, silencioso e aquecido, livre de estímulos excessivos e com acesso restrito a pessoas e outros animais. Isso ajuda a reduzir o estresse da mãe, promove o vínculo com os filhotes e favorece a produção de leite e a amamentação adequada.

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