Uma mudança súbita no comportamento de um animal de estimação muitas vezes é interpretada apenas como teimosia ou velhice, mas especialistas alertam que o sinal pode indicar problemas de saúde física ocultos. Alterações de conduta em cães e gatos são, frequentemente, a primeira manifestação clínica de patologias subjacentes, como dores crônicas ou distúrbios neurológicos.
O alerta é feito por Susana Muñiz de Miguel, etóloga veterinária, num artigo publicado pelo Grupo de Medicina Comportamental da Associação Espanhola de Veterinários de Pequenos Animais (AVEPA). Ela reforça que identificar esses desvios no cotidiano do pet é fundamental para um diagnóstico precoce.
Como a dor física se transforma em desvio comportamental?
A dor crônica, comumente provocada por problemas ortopédicos como a osteoartrite, é uma das principais causas por trás de alterações comportamentais em animais idosos. Sentindo desconforto físico, o pet pode reagir de forma agressiva ao toque ou demonstrar relutância para realizar atividades simples do dia a dia, como subir no sofá ou caminhar.
Além disso, distúrbios metabólicos, disfunções endócrinas (como problemas na tireoide) e a Síndrome de Disfunção Cognitiva alteram quimicamente o cérebro dos animais. Nesses casos, a desorientação e a agressividade são reflexos da enfermidade, e não um desvio de personalidade.

Importância da triagem clínica e diagnóstico correto
Muitos responsáveis demoram a buscar ajuda médica por acreditarem que a mudança é puramente psicológica ou comportamental. No entanto, o protocolo correto exige primeiro uma avaliação médica completa para eliminar causas orgânicas antes de iniciar terapias de modificação ambiental.
O tratamento eficaz costuma unir o manejo da dor — com o uso de analgésicos e anti-inflamatórios — ao suporte de especialistas em comportamento animal, devolvendo a qualidade de vida e o bem-estar ao paciente de quatro patas.
Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

