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Entre a emoção e a ética: os desafios da comunicação no mercado veterinário

Entenda como um marketing transparente e empático fortalece a credibilidade de clínicas e marcas do setor pet

Entre a emoção e a ética: os desafios da comunicação no mercado veterinário
Por Franciele Pavei
22 de agosto de 2026

Quem trabalha no mercado pet sabe que comunicar nunca foi apenas informar. Cada mensagem publicada, cada campanha e cada orientação dialogam com um vínculo profundamente afetivo: a relação entre o responsável pelo animal e seu pet. 

É justamente por isso que a comunicação veterinária exige um cuidado que vai além da criatividade. Ela precisa ser ética.

A decisão sobre a saúde de um animal raramente é racional por completo. Ela envolve preocupação, expectativa, insegurança e, muitas vezes, culpa. O responsável pelo animal quer fazer a melhor escolha possível, mas nem sempre possui conhecimento técnico suficiente para avaliar todas as situações. 

Nesse contexto, a forma como clínicas, hospitais e marcas comunicam pode gerar confiança ou ampliar sentimentos negativos.

Nos últimos anos, o marketing passou a reconhecer o papel das emoções nas decisões de consumo. No entanto, quando falamos de saúde, existe uma fronteira importante entre sensibilizar e explorar vulnerabilidades. 

Utilizar o medo como principal argumento, exagerar riscos ou induzir à culpa pode até gerar respostas imediatas, mas dificilmente constrói relações duradouras.

No mercado pet, a confiança nasce de outra forma. Ela é construída quando a informação reduz a ansiedade em vez de aumentá-la. Quando o profissional explica com clareza, apresenta possibilidades, orienta com transparência e demonstra segurança técnica, a comunicação deixa de pressionar e passa a acolher.

Isso não significa eliminar a emoção da comunicação, pelo contrário, o vínculo entre pessoas e animais é, por natureza, emocional. Ignorar esse aspecto seria tornar a comunicação fria e distante. 

O desafio está em utilizar essa conexão para promover conscientização, prevenção e educação, sempre preservando a autonomia do responsável pelo animal.

Esse equilíbrio também fortalece a reputação das marcas. Em um ambiente digital onde informações circulam rapidamente, o público percebe quando uma mensagem busca apenas impacto ou quando existe compromisso genuíno com o cuidado. 

A credibilidade não é construída pelo volume de publicações, mas pela coerência entre o que se comunica e o que se entrega.

Outro ponto relevante é que emoções positivas também influenciam decisões. Segurança, acolhimento, esperança e tranquilidade fortalecem vínculos e contribuem para uma experiência mais consistente. 

Quando o responsável pelo animal sente que está sendo orientado, e não persuadido, a confiança cresce naturalmente.

Esse movimento acompanha uma transformação maior no próprio marketing. Cada vez mais, as marcas deixam de disputar atenção apenas por impacto e passam a conquistar espaço por relevância.

No setor veterinário, isso significa compreender que comunicar também faz parte do cuidado. A comunicação ética não elimina a sensibilidade, apenas direciona seu propósito. 

Ela reconhece que cada orientação pode influenciar decisões importantes e, por isso, assume a responsabilidade de informar com equilíbrio, respeito e embasamento técnico.

No fim, as emoções continuarão fazendo parte das decisões relacionadas à saúde do pet, da escolha de uma clínica ou da confiança em uma marca. A diferença está em como elas são conduzidas. Porque, no mercado pet, confiança não nasce da culpa. Nasce da segurança que só uma comunicação responsável é capaz de transmitir.

Confira o artigo completo “Entre a emoção e a ética: os desafios da comunicação no mercado veterinário”, na íntegra e sem custo, acessando a página 50 da edição de agosto (nº 324) da Revista Cães e Gatos.