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Amostras de pelo pode revolucionar diagnóstico de leishmaniose canina

Um novo estudo aponta que o uso de amostras de pelo por PCR quantitativa apresenta maior sensibilidade na detecção da doença em cães doentes do que os exames de sangue tradicionais

Amostras de pelo pode revolucionar diagnóstico de leishmaniose canina
Por Equipe Cães&Gatos
3 de junho de 2026

O diagnóstico da leishmaniose canina ganhou um forte aliado vindo de uma fonte inesperada: os pelos dos cães. Um estudo científico recente avaliou a utilidade do pelo como uma alternativa não invasiva e altamente eficaz para o diagnóstico molecular da infecção causada pelo parasita Leishmania infantum.

A investigação contou com a participação de investigadores da Faculdade de Veterinária da Universidade Autónoma de Barcelona e do Hospital Clínico Veterinário da instituição, trazendo dados que podem mudar a rotina da clínica veterinária.

Pelo supera o sangue em sensibilidade diagnóstica

Até então, os avanços em técnicas moleculares focavam essencialmente em amostras sanguíneas. No entanto, o estudo comparou o desempenho da PCR quantitativa (qPCR) no pelo com os métodos tradicionais em sangue em diferentes estágios da doença.

Os resultados revelaram uma diferença expressiva:

  • Amostras de pelo: Apresentaram 74% de sensibilidade na detecção do parasita em cães clinicamente doentes.
  • Amostras de sangue: Registraram apenas 36% de sensibilidade nos mesmos animais.

A coleta de pelos (retirados da orelha ou do pescoço do animal) mostrou-se não apenas um método indolor e menos estressante para o pet, mas também significativamente mais preciso para identificar a doença em cães que já manifestam sintomas.

pelagem canina
Amostras de pelo em cães dobra a precisão no diagnóstico da leishmaniose canina (Foto: Reprodução)

Como a pesquisa foi realizada?

Os pesquisadores analisaram 134 cães de diferentes regiões de Espanha, divididos em três grupos distintos: animais saudáveis soronegativos, saudáveis soropositivos e cães clinicamente doentes (a maioria classificada no estágio IIa da diretriz LeishVet).

Para cruzar os dados, a equipe utilizou múltiplos métodos de diagnóstico:

  • Testes de PCR quantitativa (em pelo e sangue);
  • Ensaio imunoenzimático quantitativo interno e ELISA de ponto final;
  • Ensaio de liberação de interferon-gama (IGRA) em sangue total.

Os cientistas observaram que níveis médios ou elevados de anticorpos no teste ELISA estavam diretamente associados a uma maior positividade na qPCR, tanto no sangue quanto no pelo. Por outro lado, a resposta celular do teste IGRA foi mais intensa nos cães saudáveis soropositivos, não demonstrando relação direta com a positividade do teste de pelo.

O futuro do diagnóstico da leishmaniose canina

A conclusão do estudo reforça que a análise molecular do pelo tem um enorme potencial como ferramenta de triagem em determinados contextos clínicos. Sendo um procedimento totalmente não invasivo, ele reduz o manejo clínico complexo e abre portas para diagnósticos mais rápidos e assertivos na medicina veterinária, auxiliando diretamente no controle da leishmaniose.

Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

FAQ sobre leishmaniose canina e diagnóstico por pelo

O exame de pelo substitui o de sangue?

Não. O teste de pelo é superior para detectar o parasita em cães já doentes, mas o exame de sangue continua sendo essencial para medir os anticorpos e a imunidade do animal.

⁠Como é feita a coleta do pelo?

O veterinário retira uma pequena amostra de pelo da orelha ou do pescoço do cão. O processo é totalmente indolor e não invasivo.

⁠Qual a maior vantagem desse novo método?

A precisão. Ele identifica o DNA do parasita com o dobro de eficácia do sangue em cães sintomáticos, garantindo um tratamento mais rápido.