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    Médicos-veterinários têm papel fundamental na prevenção da Leishmaniose Visceral

    A Leishmaniose Visceral é uma doença grave, que tem como vetor o mosquito-palha; pode acometer seres humanos e animais e está avançando pelo Estado de São Paulo

    Médicos-veterinários têm papel fundamental na prevenção da Leishmaniose Visceral
    Equipe Cães&Gatos
    Equipe Cães&Gatos
    11 de agosto de 2025

    A Leishmaniose Visceral representa um grande desafio para a saúde pública e animal, principalmente no estado de São Paulo. Durante o período de 2017 e 2025 foram notificados 726 casos da doença e 73 óbitos em pessoas, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde.

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    Já em 2024 houveram 45 registros da forma visceral da enfermidade e até abril de 2025 foram confirmados 14 novos casos, com destaque para a região Noroeste paulista, onde se concentra a maioria das ocorrências recentes.

    A enfermidade, que historicamente afetava especialmente áreas rurais, tem avançado sobre centros urbanos, impulsionada por fatores como o desmatamento, ocupação desordenada e crescimento das áreas periurbanas. Essa expansão acende um alerta para a necessidade de ações preventivas integradas e contínuas.

    O que é a doença?

    A Leishmaniose Visceral é causada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida pela picada do mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis).

    Ela é dividida em duas formas principais: a cutânea, que provoca feridas na pele, e a visceral, considerada mais grave por atingir órgãos internos, como fígado, baço e medula óssea.

    A transmissão ocorre quando o mosquito se infecta ao picar um animal ou ser humano contaminado e, posteriormente, transmite o parasita em outra picada. Por isso, o controle do vetor, o uso de coleiras repelentes e o cuidado com o ambiente onde vivem os cães, principais reservatórios urbanos, são medidas fundamentais.

    O uso de coleiras repelentes é uma das maneiras de prevenir a Leishmaniose Visceral nos animais (Foto: Reprodução)

    Médicos-veterinários atuam na prevenção e diagnóstico

    Os médicos-veterinários possuem um papel estratégico no combate à Leishmaniose. Segundo a médica-veterinária Trícia de Sousa, integrante da Comissão Técnica de Uma Só Saúde do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), esses profissionais atuam desde o diagnóstico precoce até o manejo clínico dos animais infectados, sempre considerando fatores como qualidade de vida, prognóstico e risco de transmissão.

    A definição do diagnóstico definitivo, com estadiamento clínico adequado, é essencial tanto para a segurança sanitária quanto para a escolha do tratamento mais apropriado.

    “A atuação veterinária também inclui a orientação aos tutores sobre medidas preventivas, como o uso de coleiras inseticidas, repelentes tópicos e práticas de manejo ambiental, que envolvem a limpeza regular de quintais, o controle da matéria orgânica e a instalação de telas em canis. Além disso, os médicos-veterinários contribuem com a vigilância epidemiológica, notificando casos suspeitos, coletando amostras para exames laboratoriais e realizando o diagnóstico diferencial com outras doenças de sintomas semelhantes, como erliquiose e leptospirose”, explica.

    Medidas de enfrentamento à Leishmaniose Visceral

    Considerada uma das principais zoonoses no País, a doença pode ser fatal se não for diagnosticada e tratada corretamente. Dessa forma, a prevenção exige a atuação conjunta de governos, profissionais da saúde, responsáveis pelos animais e da sociedade como um todo.

    Além das ações permanentes, o Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral (PVCLV), coordenado pela Secretaria de Estado da Saúde, promove anualmente a Semana de Prevenção e Controle da Leishmaniose Visceral.

    Em 2025, a campanha está sendo realizada entre os dias 10 e 17 de agosto com uma programação, que inclui fóruns, webinários, capacitações para profissionais da área e o monitoramento contínuo da enfermidade, por meio da classificação de risco dos municípios paulistas.

    A redução de 23% nas internações por Leishmaniose registrada em 2023 reforça a relevância de políticas públicas bem estruturadas e da articulação entre gestores, instituições científicas e médicos-veterinários. A continuidade dessas estratégias integradas é fundamental para conter o avanço da zoonose e proteger a saúde coletiva.

    Em cidades com maior incidência da doença, como Araçatuba e Bauru, o controle do vetor inclui a aplicação sistemática de inseticidas residuais em áreas de risco, previamente mapeadas com base em dados epidemiológicos.

    Nessas regiões, também são promovidas campanhas de distribuição gratuita de coleiras repelentes para cães, especialmente em bairros mais vulneráveis. As ações são coordenadas pelos serviços municipais de saúde e pelas vigilâncias ambientais, com apoio técnico do Instituto Adolfo Lutz, responsável pelos exames laboratoriais e pelo georreferenciamento das áreas críticas.

    O programa contempla, ainda, visitas domiciliares para orientação da população, atividades educativas em escolas, manejo ambiental, com remoção de matéria orgânica e monitoramento contínuo por meio de painéis digitais.

    Fonte: CRMV-SP, adaptado pela equipe Cães e Gatos.

    FAQ sobre a Leishmaniose Visceral

    Quantos casos de Leishmaniose Visceral já foram confirmados esse ano?

    No Estado de São Paulo até o momento houveram 14 casos confirmados da doença. A região Noroeste paulista é a que mais acumula incidências.

    Qual a função dos médicos-veterinários no combate à enfermidade?

    Os médicos-veterinários são responsáveis por realizar desde o diagnóstico precoce da doença até o manejo clínico dos animais infectados. Também auxiliam os tutores com informações sobre a Leishmaniose Visceral, seus riscos, prognóstico e formas de prevenção.

    Quais são os tipos de Leishmaniose Visceral?

    A Leishmaniose Visceral pode se manifestar de duas formas. Uma delas é a a cutânea, que provoca feridas na pele, e a outra é a visceral, considerada a mais grave por atingir órgãos internos, como fígado, baço e medula óssea.

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