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Antibioticoterapia em cães e gatos: uso racional e o combate à resistência bacteriana na saúde única

Por Edgard Salomão Júnior, médico-veterinário, mestre em Clínica e Cirurgia Veterinária pela UFF/RJ e doutor em Ciências da Saúde-Anestesiologia pela FMUSP

Antibioticoterapia em cães e gatos: uso racional e o combate à resistência bacteriana na saúde única
Por Equipe Cães&Gatos
2 de agosto de 2026

Os antibióticos revolucionaram a Medicina humana e veterinária no século passado, transformando infecções antes fatais em condições perfeitamente tratáveis. 

Entretanto, nas últimas décadas, o uso inadequado, indiscriminado ou profilático sem critérios técnicos rigorosos acelerou a seleção e a disseminação de microrganismos resistentes, ameaçando severamente a eficácia dos tratamentos disponíveis no mercado global. 

A resistência antimicrobiana já deixou de ser uma previsão teórica futura para se consolidar como uma das maiores ameaças contemporâneas à saúde pública mundial. 

Dados epidemiológicos apontam que infecções causadas por bactérias multirresistentes são responsáveis por centenas de milhares de mortes humanas anualmente. 

No ecossistema da Medicina Veterinária de pequenos animais, a proximidade física e afetiva entre responsáveis e seus animais de companhia atua como uma via bidirecional de transmissão de determinantes de resistência, transformando cães e gatos em reservatórios potenciais de patógenos críticos. 

Estudos de vigilância molecular indicam um crescimento alarmante no isolamento de cepas de Staphylococcus pseudintermedius resistentes à meticilina em piodermites e otites caninas, além de enterobactérias, como a Escherichia coli, produtoras de betalactamases de espectro estendido em infecções do trato urinário. 

Diante desse cenário complexo, cada prescrição de antibiótico realizada na clínica médica representa uma decisão terapêutica crucial e uma oportunidade única de preservar a eficácia biológica desses medicamentos para as próximas gerações. 

Resistência antimicrobiana e a abordagem One Health

A interconexão intrínseca entre a saúde humana, animal e a integridade ambiental forma o tripé do conceito de Saúde Única (One Health). 

A resistência bacteriana exemplifica perfeitamente a necessidade dessa abordagem integrada, visto que genes de resistência circulam livremente entre diferentes nichos ecológicos. 

O uso de antimicrobianos em animais de companhia exerce uma pressão seletiva contínua na microbiota comensal desses pacientes. Quando um fármaco é administrado incorretamente, as cepas bacterianas sensíveis são eliminadas, abrindo espaço ecológico para a proliferação daquelas que possuem mutações cromossômicas ou elementos genéticos móveis de resistência. 

O médico-veterinário desempenha, portanto, um papel estratégico fundamental na linha de frente epidemiológica, prevenindo a disseminação dessas superinfecções tanto para outros animais quanto para os seres humanos que com eles coabitam.

antibióticos
Prescrição correta de antibióticos é essencial para conter a resistência bacteriana em pets (Foto: Reprodução)

Princípios do stewardship antimicrobiano

O termo stewardship antimicrobiano refere-se a um conjunto de ações gerenciadas e sistêmicas que buscam garantir o uso estritamente racional e prudente dos antibióticos. 

O objetivo principal não é meramente restringir a utilização, mas sim otimizar a seleção do fármaco, a dose, a via de administração e a duração do tratamento para alcançar o máximo efeito terapêutico com o mínimo de efeitos colaterais e menor pressão seletiva sobre a microbiota do hospedeiro. 

Para que o stewardship seja efetivo, a conduta clínica deve se basear em pilares robustos: diagnóstico preciso da etiologia bacteriana, compreensão detalhada do sítio de infecção, aplicação de ferramentas laboratoriais e conscientização do responsável pelo animal. 

Confira o artigo completo “Antibioticoterapia em cães e gatos”, na íntegra e sem custo, acessando a página 28 da edição de julho (nº 323) da Revista Cães e Gatos.