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Após registro inédito de leishmaniose em cão, Hortolândia (SP) faz varredura e investiga 103 animais

Prefeitura aguarda contraprova laboratorial, cadastra residências e envia amostras de sangue ao Instituto Adolfo Lutz para mapear a circulação do parasita no município

Após registro inédito de leishmaniose em cão, Hortolândia (SP) faz varredura e investiga 103 animais
Por Equipe Cães&Gatos
5 de novembro de 2026

A Prefeitura de Hortolândia (SP) confirmou a identificação do primeiro caso de leishmaniose visceral em um cachorro na cidade.

O animal infectado permanece sob os cuidados de seu responsável, enquanto a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) aguarda o laudo oficial de contraprova. Diante da notificação inédita, a administração municipal deflagrou uma força-tarefa epidemiológica para testar outros 103 cães no Jardim Santa Clara do Lago II.

A coleta de sangue nos animais da região foi iniciada e os agentes da UVZ percorrem as residências locais para cadastrar os pets e orientar os responsáveis quanto aos riscos da doença.

Todas as amostras colhidas estão sendo encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz, em Campinas (SP), responsável pelos testes diagnósticos. Segundo dados históricos do DataSUS, a cidade contabilizou apenas um caso da zoonose em humanos, ocorrido em 2016.

A transmissão não acontece de forma direta de animal para animal ou do cão para os seres humanos. A contaminação ocorre exclusivamente por meio da picada da fêmea do mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis) infectada pelo protozoário do gênero Leishmania.

No ambiente urbano, no entanto, cães infectados funcionam como os principais reservatórios biológicos do parasita, possibilitando que o vetor se contamine e dissemine a enfermidade na comunidade.

Sintomatologia clínica em animais e humanos

A leishmaniose visceral é uma enfermidade crônica e sistêmica grave que atinge órgãos vitais como baço, fígado e medula óssea, podendo levar a óbito caso não haja acompanhamento adequado. Nos cães, a fase assintomática pode durar meses ou anos. Quando os sinais clínicos surgem, envolvem principalmente:

  • Emagrecimento progressivo, inapetência e fraqueza;

  • Lesões e descamações cutâneas, com feridas ulceradas no focinho, bordo das orelhas e ao redor dos olhos;

  • Crescimento anormal das unhas (onicogrifose);

  • Alopecia (queda de pelos) e opacidade da pelagem;

  • Aumento de volume abdominal decorrente de hepatoesplenomegalia;

  • Alterações oculares, vômitos e quadros de diarreia.

Nos humanos, a manifestação clínica inclui episódios de febre prolongada, palidez associada à anemia severa, perda ponderal acentuada e aumento do abdômen. O diagnóstico e os protocolos terapêuticos para pessoas são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

mosquito
Transmissão da leishmaniose é feita pelo Mosquito-palha (Foto: Divulgação)

Prevenção e manejo ambiental contra o vetor

A forma mais eficaz de bloquear o avanço da leishmaniose visceral é eliminar os focos de proliferação do mosquito-palha. Diferente do mosquito da dengue, que se reproduz em água limpa parada, o vetor da leishmaniose deposita seus ovos em solo úmido e sombreado, rico em matéria orgânica em decomposição.

As autoridades sanitárias recomendam medidas rigorosas de limpeza peridomiciliar, como recolher fezes de animais diariamente, varrer folhas secas e frutos caídos de quintais e jardins, dar destinação adequada ao lixo doméstico e manter abrigos de pets sempre higienizados.

Na Medicina Veterinária preventiva, o uso constante de coleiras e produtos repelentes tópicos à base de piretroides em cães atua como barreira física indispensável para repelir a picada do inseto transmissor.

Fonte: g1, adaptado pela equipe Cães&Gatos.