Cães e gatos possuem comportamentos, hábitos alimentares e necessidades nutricionais distintas. Compreender essas diferenças é fundamental para garantir a produção de alimentos que agradem o seu paladar.
O comportamento alimentar das duas espécies é uma das principais diferenças entre elas. Gatos são carnívoros, enquanto cães são onívoros, o que faz com que tenham necessidades nutricionais específicas.
Segundo a The Voice of the European Pet Food Industry (FEDIAF) a recomendação é que cães tenham uma alimentação com 18-25% de proteína e gatos 25-33%.
Por mais que o sentido de gosto desses animais sejam baseados em um padrão carnívoro, ele varia significativamente.
A Gerente de Serviço Técnico para a Kemin Nutrisurance Europa, Maïlys Le Thiec, explica que cães gostam de sabores doces e certos ácidos, como ácidos carboxílicos e fosfóricos, e gatos preferem sabores amargos e não são sensíveis à doçura.
“Cães, geralmente, consomem grandes refeições rapidamente, possivelmente devido à sua herança de matilha, e tendem a pegar as rações com os dentes e triturá-las, preferindo rações mais macias. Por outro lado, gatos comem várias pequenas refeições por dia, imitando seus hábitos de caça, e usam suas línguas e molares para quebrar a comida, preferindo rações mais duras e secas”, explica.
Matérias-primas e ingredientes para uma melhor palatabilidade
Durante o processo de fabricação de alimentos para animais de estimação é essencial escolher cuidadosamente as matérias-primas e outros ingredientes.
Fatores como proteínas de alta qualidade, oxidação de lipídios, frescor e proporções de ingredientes impactam significativamente a textura. Para complementar, é preciso otimizar a escolha e aplicação de palatabilizantes.

Etapas do processamento de alimentos para pets
Após a escolha dos ingredientes, são executadas as etapas iniciais de moagem e mistura de matérias-primas. Esse processo afeta significativamente a homogeneidade e o tamanho das partículas da ração.
“Em casos extremos uma moagem inadequada pode deixar grãos visíveis após a extrusão. Mesmo casos leves de variações no tamanho das partículas dentro de uma mistura de ração podem alterar a textura e reduzir a homogeneidade”, afirma Maïlys Le Thiec.
Após a mistura, os ingredientes geralmente passam para o pré-condicionador, onde o tipo e a quantidade de amido usado desempenham um papel crucial. Durante esse processo, ocorre a gelatinização do amido, fazendo com que os grânulos inchem e absorvam água de forma irreversível. Essa gelatinização começa no pré-condicionador e continua no condicionador.
A Gerente de Serviço Técnico para a Kemin Nutrisurance Europa relata que esse nível de gelatinização é vital para a expansão e coesão da ração.
“Essa etapa é fundamental tanto para a produção de ração quanto para a palatabilidade, especialmente para gatos, mas também para cães. A dureza dos grânulos de ração seca para gatos afeta significativamente sua preferência e os alimentos mais duros são os preferidos dos gatos”, pontua.
Contudo, a profissional comenta que para a ração de gatos, equilibrar os níveis necessários de proteína e gordura é desafiador, pois limita o espaço para o amido necessário para a expansão e coesão da ração.
Como atingir a palatabilidade ideal
Uma das etapas mais críticas para alcançar uma palatabilidade ideal é o revestimento de gordura e palatabilizantes no alimento e esse processo pode ser otimizado de várias maneiras.
Maïlys Le Thiec ressalta que é importante lembrar que os ingredientes usados para revestimento variam se o alimento é para gatos ou cães.
“A gordura, geralmente aplicada em quantidades que variam de 1% a 15%, serve para propósitos nutricionais e protege as rações, muitas vezes contendo antioxidantes. A gordura ajuda os palatabilizantes a aderirem à ração e fornece um nível inicial de palatabilidade. No entanto, ela sozinha não é suficiente para aumentar significativamente a palatabilidade. Em testes sem palatabilizantes, descobrimos que as taxas de consumo estavam abaixo da média, indicando que nem gatos nem cães estavam satisfeitos”, cita.
Dessa forma, para melhorar a palatabilidade podem ser adicionados palatabilizantes líquidos (1% a 4%) ou em pó (0,5% a 3%), ou ambos.
“Os palatabilizantes líquidos melhoram os aromas e podem atuar como agentes de ligação para o pó. Estes são principalmente usados para alimentos para cães, dado os alvos de umidade mais altos e a preferência por rações mais suaves. Como o aroma é um fator crucial para cães, o aroma desempenha um papel significativo”, esclarece.
Já os palatabilizantes em pó, adicionam sabor, ajudam a controlar a umidade e são tipicamente usados para alimentos para gatos, que visam baixa umidade e alto teor de proteína.
“Geralmente, é recomendado, embora não obrigatório, aplicar a gordura primeiro, seguida pelos palatabilizantes líquidos e depois pelos palatabilizantes em pó para otimizar a eficácia de cada componente. Quantidades adequadas de gordura e palatabilizantes líquidos devem ser usadas para garantir que o pó adira bem à ração”, completa.
Para obter um bom resultado, é preciso otimizar o sistema de pulverização e os processos de mistura. Os principais fatores que contribuem para isso são a seleção e posicionamento dos bocais e o processo de mistura.

Seleção e posicionamento dos bocais
Segundo a gerente, o diâmetro e a pressão dos bocais afetam a homogeneidade e a eficiência da cobertura. Diâmetros maiores podem causar cobertura excessiva, enquanto os menores podem não cobrir todos os grãos.
A pressão impacta o tamanho das gotas. Pressão muito baixa resulta em pulverizações concentradas, enquanto pressão muito alta gera uma névoa, levando à perda de palatabilizantes.
“Os bocais devem ser espaçados adequadamente para evitar sobreposição e garantir cobertura uniforme. Eles também devem ser posicionados suficientemente próximos para atingir os grãos sem perda significativa de líquidos”, explica.
Processo de mistura
Com o uso de um aplicador em batelada com dois eixos, a mistura do alimento é realizada de fora para dentro, aumentando a cobertura com palatabilizante. Essa posição cria um buraco, levando à formação de aglomerados e à baixa homogeneidade.
“Ao selecionar cuidadosamente os ingredientes e otimizar as técnicas de aplicação, podemos melhorar significativamente a palatabilidade do alimento para pets, garantindo
satisfação tanto para os animais quanto para seus tutores”, reforça.
Para finalizar, Maïlys Le Thiec afirma que compreender as necessidades e comportamentos únicos de gatos e cães é fundamental visando melhorar a palatabilidade dos alimentos para animais de estimação.
“Para otimizar a palatabilidade dos alimentos para animais de estimação é preciso uma abordagem multifacetada, que abrange a seleção de ingredientes, processos de fabricação precisos e técnicas de revestimento eficazes. Ao abordar esses fatores, podemos garantir que tanto gatos quanto cães recebam alimentos que satisfaçam suas preferências de sabor”, conclui.
LEIA TAMBÉM:
Nova geração de antifúngicos traz mais proteção para o pet food
Tendências do pet food: o que está em destaque na alimentação animal?








